sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Prazer²



A palavra de ordem é prazer. E isso nós shopaholics já estamos acostumado a ter com nossas compras costumeiras. Mas eis que descobrimos uma nova vertente de produtos a serem comprados. Todo um segmento que muitas vez ignoramos por pura falta de atenção. Sim, estou falando desse segmento que nos dá prazer quando compramos e quando usamos.

Falo de Sex Shops.

Por mais que seja inacreditável, sempre tem uma perto de nossa casa. Pequenas, discretas, simpáticas. Infelizmente meio escondidas. Mas muito amor. As vendedoras (quanto mais velhas melhor) nos deixam super à vontade, afinal, sexo é uma coisa natural, por mais que a sociedade considere tabu.

Começamos sempre tímidos. Nos clichês. Fantasias, cartões engraçadinhos, gels e cremes. Conforme o tempo vai passando, a vergonha dá adeus a nosso ser. Nossa mente começa a trabalhar.

Quando vemos temos na nossa frente três tipos diferentes de vibradores (o que brilha no escuro, o comum e aquele roxo estranho que gira), cartões engraçados, roupas de baixo (algumas engraçadas outras realmente usáveis), líquidos para massagem, lubrificantes em geral (o que esquenta, o que esfria, o anestésico, o retardador de orgasmo, o de menta, o de cereja, o de canela...), e assim vai.

Nossa criatividade está a mil. Nossa libido (não excitação) está altérrima. A vontade é de comprar a loja toda. A vontade é de chegar em casa, jogar o namorado/marido/tico-tico no fubá e usar tudo. Uma coisa atrás da outra.

Saímos poucas sacolas. A sociedade nos inibe. Mas compramos o suficiente para sentirmos prazer.

E finalmente a grande momento chega. A hora H. Você irá usar alguma das coisas que comprou.

E é aí que a alegria começa. Você se lembra do prazer das compras. Você está tendo prazer com o sexo. Prazer ao quadrado. Alegria sem fim

Voltar na Sex Shop da (insira nome da pessoa que lhe atendeu e virou sua amiga de infância) o quanto antes!

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Propagandas: Outdoor


O tipo mais comum de propaganda no mundo. O Outdoor foi inventando sei-lá-quando e sei-lá-por-quem, afinal esse não é um blog sobre história/curiosidades e sim sobre sentimentos. Consumistas, mas sentimentos.
 Lá vai você, lindo, leve e serelepe pela rua. Pode estar em um carro, ônibus, táxi ou mesmo a pé, ele vai lhe atacar da mesma forma. Gigantesco e colorido. Pouco texto. O Outdoor sempre vai te chamar pra fazer outra coisa que não a que você está a fazer. Ele ordena que mudemos nossa rota para uma passada rápida no shopping.

Quem precisa daquele lindíssimo tênis de camurça marrom? EU PRECISO.  Esse sapato é meu passaporte para o sucesso. Com ele meu chefe vai ver que eu sei me vestir e vai confiar mais em mim. Meus amigos não vão ter vergonha de sair comigo e me apresentar para pessoas novas (quem sabe aquele em especial não é u desses?). Pra quem já tem alguém, esse par de sapatos é a certeza de que não vai ser abandonado ou trocado. Teus pais vão te respeitar mais, afinal você sabe tomar boas decisões sozinho!

Nada de ruim pode te acontecer se você simplesmente tomar um caminho um pouco mais longo que passe por uma loja e compre este belo exemplar que foi tão bondosamente anunciado de maneira gigantesca como um sinal de deus só pra você. Quando você avistar um outdoor e sentir que deve, vá! Compre! Outdoors foram feitos para vender. Lojas foram feitas para vender. Você foi feito para comprar. E dinheiro para ser gasto.

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Desfiles


O adubo da mente shopaholic é, com certeza, o desfile. As semanas de moda. Cinco dias com o que ainda está por vir. E como usar. 

Não creio que haja algo mais enlouquecedor do que o querer e não poder. Essa é a sensação que semanas de moda me causam. As roupas estarão sim a nossa disposição, mas nunca no segundo seguinte a sua apresentação. E mesmo que tivesse, não queremos também comprar a Vogue, Elle, GQ, ou qualquer outro titulo de moda. Queremos ler a opinião de especialistas sobre o que foi criado. E, para os que não sabem, onde comprar.

Vamos correndo para o Google Maps para descobrir onde fica a loja daquele pequeno e novo estilista que criou um o que mesmo? Não importa, mas temos certeza que era algo inesquecivelmente belo. Vamos para o Google catar os site oficial das lojas e comprar on-line os produtos que, de outra forma, não chegariam na nossa cidade ou pais.

É tanto must have que, quando vemos, não temos mais bem certeza se aquele óculos escuros que você esqueceu na casa da sua amiga foi o da Oackley ou da Ray-Ban. Se o cinto que você emprestou foi comprado na Spirito Santo ou na Trópico (ou mesmo na Renner, ainda que nunca queiramos admitir). 

Acabamos por querer tanta coisa que o que temos não nos serve mais pra nada. As nossas cores estão erradas, nossos cortes não são os certos, nossos comprimentos nunca estiveram mais equivocados. E compramos. Estouramos limites. Do cartão. Da alegria. Do nosso armário. Compramos porque precisamos. Compramos porque vivemos.

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Preços


Acho que este é o segundo maior consenso dos shopaholic: existem dois preços: o “de mãe” e o “normal”. (O primeiro consenso é que comprar é a melhor coisa/melhor remédio).
Para aqueles que não sabem, explico:
Preço Normal: É aquele que você paga. Seja em liquidação ou não. Nem sempre ele nos é muito amado, mas nós o aceitamos de coração e com amor quando nosso Visa também o aceita.

Preço de mãe: O que você diz para o seu Economista (que não necessariamente é a sua mãe). As pessoas que são informadas do preço de mãe nuca percebem o denso pensamento que há por trás:

Regra #1: Estava em promoção. Desculpa simples e facilmente aceitável;

Regra #2: SEMPRE declare o valor da compra beeem menos do que realmente foi. Exemplo: se você gastou R$150 naquele tênis must have diga que foi só R$90 (60% de desconto!!!!!).

Atenção! Nunca se sabe quando a pessoa que está recebendo o preço de mãe pode querer comprar também o produto que você comprou! Por isso é primordial deixar bem claro desde o início que você não sabe onde fica a loja (uma ruazinha ali perto do Shopping Moinhos...) ou que era o ÚLTIMÉRRIMO exemplar.

Acho que já nascemos com essa pré-programação. Desde que a nossa primeira compra sem supervisão nós já temos isso em mente. É da natureza de um shopaholic dar uma leve alterada em alguns dado que serão passados verbalmente a outrem. E também, é uma mentirinha boa, afinal não está levando stress a ninguém e não é como se fosse fazer mal a alguém essa pequena maquiada nos fatos...

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Hollywood


Como o bom shopaholic que sou eu compro qualquer coisa que posso. A maioria delas custa dinheiro, mas tem também as que são de graça. Os sonhos que Hollywood vendem, por exemplo, (ok, tem entrada do cinema e etcetc, mas isso não vem ao caso agora!).

Enfim, eu comprei os sonhos de Hollywood. O high school com os populares e as bitches. A faculdade alucinante e divertida. O amor puro e verdadeiro que é capaz de tudo. Eu comprei e não recebi. E essa é a pior coisa para se fazer com um shopaholic. Quando compramos, é mais do que a compra, é o ficar com o produto físico. Sim, comprei ideias, mas elas em base e resultado físico, e cadê?!

Então vem a decepção de perceber que se perdeu muito tempo de vida. O quanto eu não investi pra ficar com aquele carinha que é (era?) com certeza o amor da minha vida?

E essa tristeza é tão grande, mas tão grande que nem uma semana de shopping poderia resolver. Então temos a ideia, assim como nos filmes, devemos viajar! Isso! Vamos para Londres! Afinal é o que todos fazem pra fugir dos seus problemas não?

A ideia já nos deixa mais animados. Quase correndo nos dirigimos a agência de viagens.

Decepção de novo.

Nem juntando meus ricos cartões eu consigo pagar UMA parcela de uma viagem de uma semana para Londres. Paris? Nova York? Tudo o mesmo.

Mas uma vez Hollywood no engana. Só o que podemos fazer é nos arrastarmos pelo chão branco polido do shopping e voltar pra casa. Comprar um chocolate (ou sete) no caminho para produzir endorfina e não cortar os pulsos. E uma camiseta (que com certeza ficaria bem melhor em mim se eu tivesse na Europa...). Ah, e esse moletomzinho fino pra fazer um conjunto simpático.

Agora é só chegar em casa e ver na tela de 32 polegadas pessoas inexistentes vivendo o teu sonho enquanto engordamos no sofá e nos preparamos para enfrentar o mundo lá fora no dia seguinte.

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Datas Comemorativas


As melhores épocas do ano para shopaholics são, sem dúvidas, as datas comemorativas. Natal principalmente. 

Os shoppings ficam alegremente decorados, o sentimento de abundância está no ar. Absolutamente nada está em liquidação. Pelo contrário, tudo está mais caro, mas isso não importa, afinal Tia A não pode ficar sem esse simpático vestido verde... E esse vaso verde com certeza vai ficar muito bem na mesa de vovó... 
E assim, quando vemos, passou-se uma tarde, uma semana, um mês. O pé da árvore de Natal já está lotado e você continua a trazer mais e mais presentes. Alguns sequer têm destinatário, mas sempre aparece aquele amigo que você não via há séculos porque mora anos-luz que vai ficar feliz em ver que foi “lembrado” durante suas compras natalinas.

Mas obviamente que um bom shopaholic não faz as compras de Natal só em novembro ou mesmo em dezembro. Sinceramente sempre achei que final de julho era uma boa época para começar a compra de presentes. Todos estão de viajando de férias, então está tudo meio vazio. Sem falar que é uma boa maneira de alegrar o inverno. Outra vantagem de comprar tudo com certa antecedência é não pegar filas. E também porque assim você acaba dando MUITOS presentes para todos (ou então tem tempo de comprar outro para o seu irmão já que, com certeza, aquela calça vai ficar muito melhor em você do que nele!).

E, claro, shopaholic que é shopaholic não se limita ao Natal. Páscoa, aniversários, dia das crianças, dia das mães, dia dos pais, dia do amigo, dia da árvore, ano novo, ano novo judaico, ano novo chinês... Toda a data festiva deve sim ser comemorada em respeito a todas as culturas do mundo, afinal numa sociedade tão plural e globalizada como a que vivemos, não há porque não celebrar estes dias tão especiais!

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Sem Culpa


Talvez você já tenha se sentido mal em algum momento de sua vida pelo seu jeito. Todas essas compras feitas no calor do momento (e nunca errôneas), um dia cobram seu preço. Ou melhor, a Visa cobra.

As contas vêm. Sabemos disso quando passamos os cartões. Mas no fim do mês é sempre aquele medo. A fuga muitas vezes. A “perda” das cartas.

Mas não precisa ser assim! Quero dizer, se a pérola é resultado da dor da ostra, nós também podemos sentir a dor da ler essas correspondências! Encaremo-as! A chance de nascer algo lindo daí é altíssima! Tratemos a tragédia como tragédia.

Uma vez que começamos a encarar as nossas desgraças, tudo fica mais fácil. Afinal, não é como se fossemos retardados. Sabíamos que um dia tudo aquilo teria que ser pago efetivamente. Ok, podemos não estar preparados para algo como uma conta muito além do que havia sido pensado, mas devemos seguir em frente. Pague o valor mínimo. Foi por isso que ele foi criado.

Comprar é sim a sensação mais maravilhosa do mundo. E sim devemos continuar a fazer isso, afinal é assim que a sociedade funciona, não? “Dinheiro para é dinheiro perdido”. Nós shopaholics fazemos a economia nacional e internacional funcionar. Mas se tivemos maturidade para fazer nossos cartões, tenhamos também para encarar nossas cartas de cobrança. Elas não são legais ou bonitas, mas também não mordem.

Sem falar que fazendo isso você se sente ainda mais adulto. Isso faz parecer com que ganhamos mais e, melhor ainda, abre um leque de novas lojas. Produtos que antes passávamos batidos por serem muito sóbrios ou pouco interessantes agora vemos que eles podem entrar no nosso guarda-roupas! E, se combinados corretamente, não ficam chatos e desinteressantes como nos parecia quando éramos imaturos e fugíamos de nossas responsabilidades.

“Com grandes poderes vem grandes responsabilidades” – Ben Parker.

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Comprar x Adquirir


A diferença entre “comprar” e “adquirir” é um conhecimento básico para qualquer pessoa que tenha dinheiro. Para quem ama gasta-lo então, essencial!

Ignorando completamente qualquer definição de dicionário (ou de Wikipedia, que é bem mais comum de se ver por aí) a diferença básica entre estes dois vernáculos está no tempo de cada um. E no prazer que nos dá.

Comprar é o ato em si. Simples e direto. Aplica-se a qualquer coisa. Você compra comida, por exemplo. Compra tranquilidade, se tiver dinheiro para sumir num spa. Tem até quem compre sexo. Você fica feliz comprando. Se satisfaz, afinal, é o que há de melhor. Mas não é o mesmo que adquirir.

Quando você adquire algo é mil vezes melhor. Há um prazer que se espalha pelo seu corpo e domina-o. Preenche cada célula sua, até a ponta dos dedos. Você fica anestesiado para o mundo. Leve. Feliz. Adquirir é comprar aquilo que vai durar. Não é comida, ou uma compra simples de rotina (como meias ou roupas de baixo). São os nossos investimento! É aquele livro que, mesmo sem ser lido, nos deixa mais inteligente. As roupas com as quais iremos a uma entrevista. O que vestimos para um primeiro encontro.

Coisas adquiridas são aquelas eternas. Que tem uma finalidade, ainda que algumas... a maioria das pessoas não consiga ver, ou não entenda. Adquirir é um sentimento que só shopaholics sabem como funciona.

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Eu compro


Mais de uma vez me perguntaram por que eu compro, e por que compra tanto. Vou tentar explicar o por quê:

Acordei. O sol está no céu, a temperatura está agradável. Todo o seu dia está todo previsto já. Falta algo. Dentro. Tem alguma coisa errada. Essa melancolia sem sentimento. A vida, qual o sentido dela? Por que fazer o que faço? Por que não tenho o namorado que quero e mereço? Por que não estou no emprego dos sonhos? Por que minha casa não é como as das revistas? Por que minha família não é como as dos filmes? Por que minha conta bancária não é como deveria? Por que meu peso não é o certo? Por que minha altura não é a certa?

Tudo isso gira e gira e gira em minha mente. E esse espaço tem que ser preenchido com algo. E, bem, eu realmente preciso de uma calça nova! E uma camisa pra combinar! E aquele livro? Me faz parecer mais inteligente ter esse livro, não?

E assim o mundo se torna um lugar melhor. Tudo fica perfeito e colorido. Os ombros tão tensos no início do dia agora estão mais moles do que claras em neve recém batidas. Os lábios leve e involuntariamente torcidos num sorriso. E a respiração profunda, calma e solene.

Pra terminar eu usarei uma frase do filme “Os Delírios de Consumo de Becky Bloom”:

            Você sabe aquela sensação quando você vê alguém bonitinho e ele lhe sorri, e seu coração fica como manteiga em uma torrada quente? Bem, é assim quando eu vejo uma loja. Mas é melhor!

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Economistas


São conhecidos por muitos nomes: ecnomistas, pão-duros, pai, mãos-de-vaca, sovina, mãe, avarentos... O nome em si como você os chama não em ao caso. O ponto aqui é outro: a influência de um ser destes em nossas vidas.

Eles sempre estão lá, de olho, esperando. Se você aparece um dia com uma sacola, eles olham e nada dizem. Se em outro dia você aparece com outra sacola, eles começam a se manifestar.

“Você está gastando demais!”
“Você está se afundando!”
“Da onde saiu dinheiro para pagar isso?”
“Como você pretende pagar o cartão?”

E assim vai...

O que eles não entendem que esse estresse, essa pressão só nos faz irmos mais aos shoppings! Lugar que deve evitar ser visitado com um ser destes a tira colo.

Economistas no shopping são mais rápidos do que Usain St. Leo Bolt. Eles vão direto ao lugar que os levou até lá. E saem sem olhar para os lados. E ai de você que ameace olhar para uma vitrine. Se estiver em liquidação tipo queima-de-estoque, alguns tipos de economistas até aceitam, mas fora isso, nunca.

Tente comprar então algo para ver. Primeiro você terá uma companhia com a cara torta na loja. Depois tudo que você pegar será feio ou muito caro para este ser. E na hora de voltar para casa, você ainda ouvirá um grande discurso sobre sua irresposabilidade e blablablá.

Entretando, não devemos odiá-los. Economistas infelizmente não conhecem o prazer das compras. Não os culpemos. Pelo contrario, tentemos ensiná-los o quão interessante é a adrenalina de não saber se o cartão vai ser aceito ou não!

Outro motivo para não sermos grosseiros ou odiarmos Economistas é que eles sempre podem nos slavar. As cartas da Visa não param? Seu salário não dá pra mais nada? Um Economistas sempre pode lhe salvar! Você só terá que ouvir um longuíssimo discurso chato, mas será salvo.

Por isso, tratem bem seus Economistas, eles apenas não viram a luz... ainda!

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

O Primeiro Cartão




Acho que não tem sensação melhor do que abrir a caixa do correio e ver ali aquele belo envelope azul e branco com o primeiríssimo cartão da sua vida. Finalmente o mundo vai se abrir pra você! Nunca mais ter que contar moedas, ou sair de casa com muito dinheiro e ter medo de assaltos. Não, agora você pode ir, você tem seu Visa (ou MasterCard, ou qualquer outro que vocês tenham, sem preconceitos).

E, depois de abrir de maneira lenta e solene a correspondência, saboreando cada segunda daquela doce sensação, finalmente seus dedos irrequietos tocam naquele pequeno e poderoso cartão de plástico. E é como aquela deliciosa sensação de deixar o chocolate derreter na boca e logo em seguida tomar Coca-Cola. Admiramos cada milímetro daquela divina perfeição. Nosso nome em relevo prateado, a tarja preta magnética, o chip cor de margarina, os números de segurança atrás, os telefones de emergência que foram escritos em letra pequena, a faixa para assinatura, a validade, até mesmo o cheiro. Sem largar o cartão, ler por cima a carta de felicitação, vendo rapidamente as simples instruções.

Depois disso o orgulho de ligar para desbloquear o cartão. Os longos três minutos confirmando dados e ouvir a telefonista de voz doce informar seu limite. A ansiedade começa. Um leve formigamento na ponta dos dedos. Suor na palma das mãos. O coração agitado. As pernas inquietas. A boca seca. A respiração rápida e superficial. É hora de estrear o cartão!

O caminho até o shopping nunca pareceu tão longo. Desde quando existem tantas sinaleiras na Nilo? Por que essas pessoas que dirigem de vagar têm que sair de casa? Pedestres, a prioridade da rua não é de vocês!

E ali na sua frente está a nobre construção. Aquele lugar que só pode ter sido idealizado por deuses. O centro de alegria. A moradia da beleza. A casa da harmonia. O Shopping Center.

Tantas luzes e sorrisos. É tanta vida feliz. São tantas vitrines, tantos produtos. Os manequins abanam e se mostram, exibidos como sempre. Eles te chamam, clamam que você tire deles aquela bela peça de linho, ou as calças de jeans escuro, ou o suéter de cashmere...

E você compra. E compra. Consegue até ver o cartão lhe sorrindo. E é um orgasmo cada vez que o pequeno papel azul é impresso. Cielo, Redecard... O mundo naquele momento é teu. É só você e a compra. E a beleza e juventude são, por alguns minutos, eternos.

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Investidores



Muitos chamam a nós, shopaholics, de inconsequentes e irresponsáveis em se tratando de dinheiro. Mas sou obrigado a discordar. Shopaholics são as pessoas que melhor entendem de investimentos na sociedade!

Diferentemente daqueles que trabalham na bolsa de valores, nós não precisamos de quatro anos de faculdade e um diploma para nos tornarmos sábios dos gastos. Sabemos melhor do que qualquer um onde e como gastar.

Camisa de chita? Nem em um milhão de anos! É algo que você nuca vai usar, logo não terá retorno!

Calça capri branca? Hm, investimento arriscado, mas que deve ser feito, afinal, nunca se sabe quando terá um evento primaveril numa praça ou na beira da praia. Ideal comprar em liquidação.

Blazer preto? Retorno mais do que garantido! Você ficará extremamente bem vestido em qualquer situação em que você resolva utilizá-lo! Na hora de comprar, se puder, leve dois de uma vez!

E assim vamos indo. Nenhuma das nossas compras é em vão. Há um pensamento de investidor nato por trás. Algumas pessoas podem querer continuar a manter seus argumentos dizendo que nossas compras seriam supérfluas. Discordo de novo!

Ainda que beleza interior seja importante, ninguém vai vê-la se você não tiver o mínimo de beleza externa. Por mais que você queira valorizar mais seu cérebro do que sua aparência, pense melhor. Uma boa primeira impressão pode fazer milagres! Milagres como ir a entrevistas de emprego e ao invés de falar sobre como e por quês de você querer trabalhar lá, conversar sobre as pequenas coisas que fazem a vida ser boa, como a família de quem está a te entrevistar, ou onde foi comprado este belo relógio de pulseira de couro. E ao final, garanto, a vaga será sua!

Por quê? Porque você investiu em você mesmo!

Bovespa, aí vamos nós!

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Depressão Pós-Compras


Você saiu, comprou, sorriu. Viveu aqueles inesquecível momento quando lhe passam a sacola por cima do balcão e seus dedos se fecham na alça. É seu! Só seu! Sua vitória pessoal! Ninguém pode mais ter aquele produto! Você é único e poderoso, o melhor cliente daquela loja!

O mundo brilha. Você reluz. A(s) sacola(s) te deixa(m) superior a tudo e a todos. Você não caminha, desfila por sobre as nuvens que formam o piso de pedra branca do shopping. As pessoas mais bonitas que estiverem por ali vão te olhar e sorrir, num flerte rápido. Vendedores ficam mais simpáticos. C’est la vie en rose!

Então a hora de ir pra casa chega. No caminho vamos felizes. Chegamos felizes. Largamos as sacolas e tomamos uma Coca-Cola Zero. Aí pode começar seus problemas. O tipo mais grave e triste de depressão: a pós-compras.

Tudo ocorreu perfeitamente bem. Seu cartão foi aceito. Os vendedores eram sorridentes. O cara mais bonito do shopping flertou com você. Economizamos ao comprar um produto 15% OFF. Mas algo parece errado.

Neste momento, cuidado! O melhor a se fazer é se afastar das compras. Talvez até mesmo escondê-las. Nunca, nunca mesmo escute aquela voz na sua cabeça que diz “devolva”. Isso gera o maior dos arrependimentos. É como se você tivesse tido um filho e ao se recuperar da anestesia resolver que não o quer mais, que vai dá-la para adoção, sem nem mesmo ter visto seu rosto.

Esse sentimento horrível que começa na boca do estômago e se espalha lentamente pelo nosso corpo, podendo causar lacrimação que não tem origem certa. Ele só vem. E, assim como o nosso salário, uma hora acaba. Não tente lutar contra. Não tente aceitá-lo. Viva apenas. Esqueça o que foi comprado. Vá para a cozinha. Coma chocolate. Tome mais Coca. Tome banho. Perceba que suas toalhas estão velhas e seu shampoo não parece cheirar mais tão bem, e que, definitivamente, você precisa de roupas íntimas novas...

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

O Fim do Mês


Tudo que começa, termina. É o que diz o ditado. Amores, amizades, tarde de compras, o limite do cartão, o mês... E este último me faz tremer. Dia 27, 28, 29. Cada dia fazendo o longuíssimo caminho até nossa caixa do correio. A mão que segura a chave treme. Os dedos não dão firmeza. Fecho os olhos. Respiro fundo. Abro a portinhola de metal.

Minha caixa do correio parece um animal feroz. Um animal cuja boca está aberta e que devo por minha inocente e alva mão dentro. Retirar das suas entranhas aquilo que não quero ver. Em um movimento rápido puxo a pilha de papéis. Ufa, não fui mordido. Fecho a portinhola.

O pior vem agora.

Propaganda... Propaganda... Conta que não é pra mim... Revista promocional... Correspondência que não me está endereçada... Conta que não sou eu quem paga... Visa.

O suor domina meus membros. Mãos inquietas. Lábio de baixo sendo mordido. Olhos bem abertos. Peito arfante. Coração em taquicardia. Joelhos fracos.

No isolamento de nosso quarto, em cima de nosso travesseiro – esse amigo de todas as noites que conhece nossos medos e bebe nossas lágrimas, e que está lindo na fronha comprada há dois dias! – abrimos à maldita. Com todo cuidado, como se estivéssemos mexendo com material radioativo altamente instável, tiramos as folhas e desdobramo-as.

Olhos fechado. Última respiração profunda. Afinal o que um pouco de tinta num papel pode ter de tão assutdor? Como band-aid, queremos fazer rápido para doer menos. Olhos abertos, correndo as páginas o mais rápido possível.

Bernardinha Teresinha Aman? Que é isso? Eu nunca comprei ou compraria num lugar com nome desses! Ainda mais 74 reais! Só podem ter clonado meu cartão! Não, péra... Eu comprei uma camiseta por 74. Esse deve ser o nome oficial da loja...

Não pode ser real... Quando eu gastei tudo isso? Que lojas são essas?!

Rápido, antes que alguém veja. Abre a mochila e joga esse nojento ser peçonhento lá dentro! Outra hora pensa-se sobre. Afinal, pra que pensar sobre agora se ainda tem a conta de outros dois cartões pra chegar, né?! E, quem sabe, não foi só um sonho e a correspondência não existe! Talvez deus a faça sumir!

E, enquanto essas outras criaturas asquerosas não chegam a minha casa, só nos resta uma coisa para fazer: caminhar no shopping.

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Liquidação


O vento mudou. O tempo do sol no céu está diferente. Você já usou quase todos os looks possíveis do seu guarda-roupa. Isso só pode significar uma coisa: Liquidação. É troca de estação e as lojas precisam de espaço em suas prateleiras para as novas coleções. E como certeza nós devemos fazer essa boa ação de comprar duas peças pelo preço de uma.

E é uma correria. Cada vitrine mostra um SALE ou OFF maior do que a outra. Cada vendedor é mais querido. E cada oferta é mais tentadora do que a outra. O melhor é que são aquelas peças que você desejou durante quatro meses inteiros, mas por um motivo ou por outro não comprou. Novas paixões de ocasião também.

E as sacolas se multiplicam. A tua felicidade atinge pontos orgasmáticos. Você chega a pedir para embalar para presente algumas peças. E são perfumes, calças, moletons, casacos, sapatos, camisas, camisetas, livros... São sorrisos. É a felicidade.

Depois de tanto corre-corre para comprar tudo que lhe agrada antes que algum sem noção e sem bom gosto o faça, nada mais merecido do que um passeio na praça de alimentação. O que comer? De preferência algo bem pouco calórico, ou você nunca vai entrar naquela skinny da Zara que está ali linda, escura e nova só esperando um grande evento social para ser estreada, ou mesmo apenas uma ida a padaria.

Ao fim do dia, o ir até o carro (ou ao táxi). A sensação de poder. Ninguém é mais bonito, feliz ou poderoso do que você! O mundo está aos seus pés.

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Quando o cartão não passa

Esta, para qualquer shopaholic, é a pior sensação do mundo: o cartão não passa.

Você se desclocou até o shopping, olhou as vitrines e escolheu os produtos (ou será que eles nos escolheram?). Seu reflexo no espelho do provador te deu a certeza: essa roupa TEM que ser sua, foi feita pra você! Sorrindo nos dirigimos ao caixa. Tiramos nosso Visa da carteira e pedimos para fazer em 2 vezes os R$110 da camiseta. Também sorrindo a moça passa seu cartão na máquina da Cielo, enquanto você preenche o cadastro da loja.

Discando... Processando...

A caixa não mais sorri.

Processando...

O frio na barriga começa. Você começa os monólogos internos. "Será que já estourei o limite? mas nem lembro de ter comprado tanta coisa assim..."

Não Aprovado.

Talvez tenha dado erro na linha, nos diz a vendedora passando de novo. Você chorando por dentro. "Sim, foi erro na linha" Agora vai passar e eu vou arrazar na vida com essa camiseta! Mas e se não for...

Não Aprovado.

Quer que eu tente de novo? Essa pergunta. Odeio. Como eu vou viver? Meu Visa está estourado! A camiseta não será minha! Deus, você não me ama!

Então começamos com as desculpas: Mas eu usei agora mesmo. Tem certeza que tua máquina está funcionando? Onde tem um caixa em que eu possa sacar? Vocês não aceitam este outro (e tira da carteira outros 800 cartões)?

A tristeza. O sair correndo da loja humiliado. Você viu seu sonho, tocou nele. Chegou a ouvir os elogios que receberia com aquela roupa. Tudo virou fumaça e escapou por entre seus dedos. A horrível sensação de que nunca mais será feliz ou que jamais ficará tão bem vestido quanto ficou com aquela peça que agora não pode mais ser sua.

Voltar na loja? Talvez em uns 5 anos em outro horário e dia.