terça-feira, 17 de dezembro de 2013

De Onde Vem a Calma?



Antes de mais nada: sim, este é o título de uma música do Los Hermanos. A canção deles com que mais me identifico.

"O mundo todo é hostil"

É horrível isso. Se sentir pouco querido ou mesmo indesejado onde quer que se vá, no meio de qualquer grupo de pessoas. Desagradável, sentir-se. Sempre errado. Tem uma parcela de paranoia? Talvez, não nego. Mas impossível que seja TUDO da minha cabeça. Dá fácil para sentir quando não te querem por perto, que aquele convite que tu aceitou foi, na verdade, feito apenas por educação.

"De onde vem o jeito tão sem defeito que esse rapaz consegue fingir?"

Minha resposta natural é esta. Acabo me encolhendo dentro de uma carapaça criada, me forço a ser quem as pessoas querem e esperam que eu seja. Abro mão da minha opinião, convicções e muitas vezes gostos para no final se regalado com um "como tu é querido". Isso me basta. Saber que consegui ser quem queriam que eu fosse me dá forças para continuar assim.

"Eu sou o que vocês são"

Acho que é o que tanto faz com que as pessoas não me queiram por perto quando sou eu mesmo. Sou a personificação de tudo que todos tentam controlar: emotividade, irracionalidade, (muitas vezes) ingenuidade e inocência. Não "engano" ninguém por maldade, o faço só para não ser rechaçado imediatamente por ser o espelho de tudo que vocês não gostam em vocês mesmos.

"Não solta da minha mão" 

Basicamente o que digo quando alguém começa a me conhecer de verdade. Depois das primeira impressões, quando não tem mais como segurar o que se é em nome do que deveria ser. E esse é meu maior medo: o de ser abandonado. Trauma de infância? De vidas passadas? Sei lá de onde vem isso ou quando começou, mas vivo com esse temor.

"Ele não sabe ser melhor, viu?"

Eu tento. Mesmo. Me esforço para ser quem querem que eu seja. Quero que aquele seja o meu eu natural. Mas não é. Eu faço o melhor que posso para ser alguém agradável quando não consigo mais ocultar meus gostos, opiniões ou desejos. Tento ser o melhor para continuar a me adaptar a vida de quem é importante para mim, de quem quero junto, de quem quero que não solte da minha mão. Tenho certeza que aqui em algum lugar tem alguma coisa bonita (de novo?) para vocês.

Finalmente: "De onde vem a calma daquele cara?"

A música mesmo responde isso no final: "Deus vai dar aval de mim. O mal vai ter fim [...] eu sei que vou ser corado rei de mim"

Eu sei que um dia vou conseguir ser plenamente aceito. Ou perto de plenamente, ao menos. É só preciso que haja paciência para entender que eu tentei ser outro alguém não por mal, mas por medo de ser renegado logo de cara (como fui em tantas outras vezes). E a certeza de que há essa paciência na boa vontade e no bem querer, dá calma para esse cara.

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Da Intimidade



Intimidade é algo que vem com o tempo. Quanto mais um casal se conhece, mais próximo fica. E eu acho importantíssimo que os dois não transformem a intimidade em algo banal. O "jogo" de descobrir o outro deve sempre existir.

Aquele momento, na primeira vez em que os dois estão juntos, a primeiríssima transa do casal, há todo uma descoberta. Por mais bêbado que possam estar, tem aquela expectativa. As mãos estão ansiosas e a mente atiçada. Como será essa pessoa sem roupa? O tato é o primeiro a ver o corpo do parceiro. Os dedos correm braços e peito, costas e bunda, ombro e barriga, pernas e o sexo, por assim dizer.

Lentamente (ou nem tão devagar assim) um começa a despir o outro. Ver aquilo que conheceu com as mãos. Há aí uma admiração ao corpo de quem está conosco. E os lábios passam a fazer os mesmos caminhos que já fizemos com a ponta dos dedos.

Beijos e mais beijos, abraços e agarramentos. Olhamos para a outra pessoa e nos excitamos, e a excitamos também. Há um troca clara: você se mostra e eu me mostro. Deitados ali, namorado (ainda que nem saibam o nome um do outro), beijos e mãos e olhos. Conhecer melhor o corpo do outro e, por quê não?, o seu próprio.

Acho isso importante, para qualquer casal. Um despir o outro com calma, não já se olhar e tirar a própria roupa, como se dissesse "vamos logo com isso". Descobrir o corpo do outro, mesmo que este já reconheça o seu.

Cada casal sabe de si, claro. Não cabe a mim dizer o que é correto ou não ser feito. Mas sendo um casal de longa data ou recém formado que só tem alguns minutos mais de vida, acho válido esse momento. Um respeito por si e pelo outro, uma prova de confiança, um reforço na intimidade.

Sexo não pode se tornar banal, corriqueiro, obrigação. E acho que ir com calma pode sim dar uma nova energia (ou uma a mais '"apenas") ao fogo dos dois. 

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Do Que Nos Faz Bem



As pessoas são diferente. Gostos são diferentes, opiniões, religiões, visões políticas, etc. Nos diferenciamos em milhares de pontos, são nossa escolhas. Mas tudo aponta para um único sentido: ficarmos felizes.

Em tese, escolhemos sempre o que parece que nos fará bem, a curto ou a longo prazo. A despeito desta escolhas mais profundas, que determinam muito de nós mesmos, existem aquela menores, de quando simplesmente precisamos nos sentir bem "pra ontem".

Briga com o namorado, um mau dia de trabalho ou faculdade, uma notícia familiar ruim, ver o saldo no banco... Às vezes a vida nos derruba. E cada um tem sua fuga dos sentimentos ruins que passam a dominar.

Muita gente vai fazer exercício (o que não funciona comigo), outros usam drogas, tem os que se cortam, os que bebem, os que escrevem, os que pintam, os que tocam algum instrumento, os que agridem alguém de graça, os que leem, os que dirigem sem rumo, os que veem filmes, os que se masturbam, os que comem e, entre outros tantos exemplos, tem aqueles, como eu, que compram.

Acho errado condenar qualquer um desses casos (tirando o de agressão e qualquer coisa similar). Poxa, é péssimo ficar com esse sentimento horrível dominando nosso peito. E quem somos nós para julgar o que o outro precisa para se sentir melhor? A forma que cada um enfrenta seu problema vai de como cada um vê o que tem em mãos.

Claro, pode-se dar um toque ou conselho de que o que o outro faz é errado, mas, sinceramente, deveríamos nos importar tanto com algo que não nos atinge e deixa o outro feliz? Não é errado dizer que só a nossa forma de ter endorfina é a correta? 

Pois eu compro. Este blog nasceu por causa disso. Sinceramente, nada nunca me deixou mais relaxado e até mesmo feliz do que comprar. Venho nos últimos tempos num fase mais do que muitíssimo péssima. Não tem sido nada fácil ser eu nesses dias. Além dos problemas reais, tenho um pá de coisas na cabeça que perturba. E hoje comprei. Online é verdade, mas teve endorfina afinal de contas. Não da mesma forma do que quando se está na loja e antes da alegria vem a tensão e a ansiedade por não saber se o cartão vai passar. Não vou aqui entrar nos méritos de como me senti quando comprei, isso já falei aqui sobre isso. O importante é que consegui pela primeira vez em dias relaxar.

Sei que os problemas estão ali. Os dilemas que me perturbam são como bestas feras incansáveis. As compras os acalmaram (como quando comemos um pãozinho ali pelas 11 horas da manhã para enganar o estômago até o almoço). Não sei quanto tempo essa calmaria há de durar, mas por ora o mundo está bonito novamente.

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Do Preço da Saúde e da Vaidade



Meu plano de academia, baratíssimo diga-se de passagem, terminou junto com novembro. Estou agora a procurar outra. E estou sinceramente surpreso. É tudo caro! E com condições de pagamento que não são as melhores para o cliente.

Pode-se comprar um pacote ótimo por R$50 por mês, mas isso apenas se tu estiver (e puder) comprometer R$600 do teu cartão de crédito. O meu limite do Visa não chega nem perto disso. E a grande maioria, para não dizer todas, as academias de Porto Alegre estão nesse estilo. Gente, que fim levou a confiança no cliente, que irá religiosamente pagar a mensalidade em dinheiro na data combinada?

Não preciso perder peso nem tenho nenhum problema crônico, como hipertensão, que me obrigue a malhar para não morrer. Eu faço academia apenas para ter um corpo mais bonito. Mas e quem precisa? Olha tudo que a pessoa já gasta com médico, uma alimentação diferenciada em alguns casos, roupa para o exercício (por que não é todo mundo que tem - eu era um destes!), deslocamento até a academia (que por mais que eu não entenda ficar preso no transito para fazer 30 minutos depois num bicicleta parada, ir de carro/táxi/ônibus/lotação é a realidade da maioria), etc.

As chamadas "academias públicas" nem comento. Meia dúzia de equipamentos colocados pela Pepsi em praças. Ok, ideia legal, mas não é para quem precisa de um trabalho mais focado ou intenso. E mesmo quem quer um corpão, não é lá que vai conseguir. Pode até mesmo ser perigoso um cidadão ir lá estimular do nada suas articulações do nada sem supervisão ou conselhos.

Mas vejam como os donos dos lugares são bons! Eles te "isentam" da taxa de matrícula. Certamente se acham os bons samaritanos por fazer isso. Sinto informar que não, perincipalmente por impor aos novos alunos a avaliação física.

O que me resta? Pagar o preço da minha vaidade (e dos padrões impostos pela sociedade para homens). Vou pagar uma mensalidade de R$150, porque é a única forma de pagar em dinheiro a cada mês. E reclamar disso sempre que alguém quiser parar para ouvir...

As coisas que fazemos por amor <3

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Da Simetria



Foi por 2008/2009 que comecei a refletir sobre minhas ações. E a prestar mais atenção as coisas ao redor. A vida não segue de forma desordenada. Tudo tem conexão.

Pela mesma época sei que não por acaso, conheci O Segredo. Sim, aquele livrinho de auto ajuda que foi best seller por meses a fio e teve edições com comentários da Ana Maria Braga. No mesmo período foi lançada a música Perfect Symmetry, do Keane (aqueles de Somewhere Only We Know - sim, eles têm mais de uma canção!) E tudo foi se juntando na minha cabeça. Talvez não passe de piração ou eu querendo acreditar em algo, mas sinceramente não consigo ver como coisas sem conexão chegaram até mim por meios completamente diferentes dizendo a mesma coisa.

O mundo, a vida, o universo, chamem como quiser, é, de fato, movido numa em simetria. Como já disse Newton: cada ação tem um reação de mesma intensidade e força (ou qualquer coisa do gênero, nunca prestei atenção em física). Tu recebe exatamente o que pede, o que faz.

Não quero entrar aqui em longos detalhamentos sobre O Segredo ou sobre meu modo de ver a vida, mas realmente creio nisso. Seu tu trai, será traído. Se tu ajuda alguém na rua, ajudado será. Se tu tenta ser feliz, feliz será.

A resposta não é necessariamente imediata. Quem vai trazer até a gente o reflexo do que fizemos não será necessariamente a que que recebeu nossa ação. Para tentar deixar claro como eu vejo (e já comprovei o funcionamento):

Ajudo alguém hoje, algo simples, como auxiliar uma senhora a levar as compras do mercado (não Henrique, não me refiro ao Mercado Público nesse exemplo!) para casa, sem esperar nada em troca. Dias, talvez anos depois, um outro cidadão irá de ajudar em algo que tu precise, não necessariamente a carregar compras.

Alguns chamam de karma isso tudo. Eu continuo com o simples "pensamento positivo". Seja legal que serão legal contigo. Não se preocupe em vingança ou armazenar rancor, porque a simetria da vida funciona, e quem te fez mal vai se machucar (talvez até mesmo fisicamente) mais cedo ou mais tarde.

Deseje, acredite e agradeça por tudo que tem, conquistou ou irá conquistar. A vida nos traz o que queremos, ainda que não da forma que esperamos. A nossa realidade é apenas o reflexo dos nossos pensamentos e desejos. O importante também é não viver no passado. Usando o maior clichê do mundo: vamos pensar em fazer um hoje legal para um amanhã muito bom.

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Do Tripé



Azeitona. Borda de pizza. Gasolina. Gasolina de novo. Ilha do Pavão. Churrasco. Piscina. Nova Tramandaí. Blitz. Desmaio.

Foram momentos que, por mais que alguns sejam simples, uniram ainda mais. A intimidade foi (e continua a) crescendo. Mas ela não vem sozinha. Faz parte de um ciclo, um tripé.

Quanto mais intimidade, mais cumplicidade.

Quanto mais cumplicidade, mais confiança.

Quanto mais confiança, mas intimidade.

A sinceridade é a base de tudo. O falar a verdade verdadeira, ainda que ela não seja agradável, ter a confiança para falar qualquer coisa gera mais e mais intimidade. Depois de um tempo juntos, para-se de dizer o que o outro quer ouvir para a simples verdade.

Sabendo o que aconteceu, como e porquê, talvez não na hora, mas logo fica fácil conversar e lidar com a situação. Com boa vontade e bem querer se contorna qualquer problema.

E se fortalece a cumplicidade, pois a honestidade é a base. Confessar um pecado, admitir um erro, uma falha... somos humanos afinal de contas! Isso une o casal, ainda que na hora de por tudo em pratos limpos haja um atrito. 

Confiança. Intimidade. Cumplicidade. Três elementos que dependem um do outro, num clico, um tripé. Conectados pelo e equilibrando o amor.

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Do Calar



Volta e meia chego ao dilema entre o falar, o calar o e (bem) querer. Sou ruim em escolhas, sempre fui. Para mim (e para todo mundo) é mais fácil quando alguém toma a decisão em meu lugar. A diferença entre eu e os outros nesse caso é que eu fico feliz e aliviado por não ter que escolher. Mas quando aquele impasse ali de cima aparece, é comigo o negócio.

Se eu deixar tudo simplesmente fluir, não será nada tranquilo. As situações que me colocam para fazer essa escolha são sempre as que me deixam de cabeça quente. E quando eu estou irritado, tomar uma decisão (acertada ainda por cima!) fica molésimas vezes mais difícil.Simplesmente não é da minha natureza fechar a boca, morder a língua, não falar.

Já tentei por outras vezes nessas situações falar. Foi sempre desastroso. Porque uma coisa puxa a outra e quando vejo já estou falando sobre um outro assunto e irritado.

Já tentei simplesmente demonstrar o querer. Tenar mudar o assunto, falar de coisas carinhosas e encher de carícias. Também sem resultados expressivos. Quando um não quer, dois não evoluem.

Chego então ao calar. E vejo que os resultados são mais satisfatórios. Entretanto, é horrível para mim. É como tentar apagar o fogo de Roma com um regador para bonsai. Ainda mais porque o outro segue falando, colocando comentários. Mas calar é o que dá certo. A conversa não será evitada, claro, apenas adiada. O que já é bom o suficiente para que eu consiga acalmar minha mente.

Uma vez que o forte da tormenta passou, fica mais fácil lidar com o assunto e as brigas ficam mais curtas. Mas se tema me incomoda por um motivo ou por outro, bem a aí a forma como eu vou por minhas colocações não serão as mais polidas, mas pelo menos o assunto não será desviado. Não é tudo, não é o ideal, mas é um início.

O importante é não ficar de mal. E realmente, desde que comecei a calar não lembro de ter dormido de mal. Claro que se o problema chegar de forma virtual num horário mais adiantado, aí não tem muito o que fazer se não dormir com a irritação. Ao menos ela não será tão forte quanto seria se eu abrisse minha boca e despejasse tudo que se acumula no meu peito.

Ouvir, compreender, calar. É o meu novo lema.

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Eu, janela



Vi essa janela da foto numa caminhada, indo de um lugar para outro destino. Achei bonita e fotografei, obviamente. E mais tarde fiquei olhando para ela. Concluí que sou como essa janela.

Olhem bem para ela. Está bonita por fora com essas flores, levemente aberta e simplesmente impossível de se olhar lá para dentro. Podeira ficar o dia todo ali olhando e o máximo que conseguiria ver é o momento em que ela se fecharia, mantendo as bonitas flores ali, mas escondendo seus mistérios.

Sou assim. Dou um jeito de parecer bonito e atraente ao mundo (ainda que não acredite na imagem que tente passar), mas não é fácil saber o que há além disso. Colocar uma escada para espiar o que há do outro lado da janela seria invasivo e ela se fecharia. Sou assim também. Se o clima não me soa favorável, fecho. Se me sinto invadido, fecho. 

Mas não é algo incansável. Com paciência, indo dia a dia para frente dessa janela, escolhendo ângulos diferentes pode-se aos poucos ir descobrindo mais, ver coisas novas, até mesmo admirar o que se posta a observar o mundo lá fora. Assim que sou. É necessária paciência para me conhecer, descobrir o que há além até ser convidado a entrar e enfim, conhecer tudo que existe por dentro.

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Da Calma na Ilha



Eis que os deuses pararam
Cansaram de se divertir com brigas e guerras
Foram dormir, comer, viver
Os mortais, aos poucos, voltam a sorrir
Há paz em Esparta

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Do Meu Ventilador



Porto Alegre tem tido algumas noite de calor. Não muito calor, mas o suficiente para que dormir fique complicado. O ideal para um ventilador ligado. Eis então que resolvi ligar o meu! Só que ele não quis ligar.

Era audível o leve ronco do motor, mas as pás estavam mais paradas do que fila de banco em dia de pagamento. Resolvi então fazer contato, como se fazia nos aviões de antigamente (tentei achar um gif disso, mas não consegui. Se alguém tiver/achar...). Mas os aviões, em filmes ou desenhos, sempre pegaram na primeira ou segunda tentativa. Meu pequeno ventilador preto Mondial não. Ele é rebelado. Fiquei com dor no braço e na mão até faze-lo funcionar. E só pude usar a velocidade máxima, nas outras ele parava. E desse ocorrido, concluí três coisas:

1) Preciso urgente de um ventiladorzinho novo;

2) Eu, e quase todo mundo, não valorizo pequenas coisas da vida. O simples ato de chegar em casa e ligar um ventilador ou ar condicionado sem problemas. Ligar uma luz quando escurece. Girar um registro e ter água quente saindo do chuveiro. Mas além dessas pequenas coisas que para nós são banais e do dia-dia, devemos valorizar mais outras coisas. Um trabalho, por exemplo. Um namoro firme ou mesmo a nossa saúde. Algumas (muitas!!!!) coisas entram nas nossas vidas e se tornam comuns, deixamos de ver como a dádiva. Não digo que deixamos de gostar, mas não cuidamos tão bem quanto deveríamos;

3) Estou me tornando um filósofo de fundo de botequim.

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Do Bolo de Laranja



Certa feita uma menina nascida e criada no interior casou-se com um jovem militar. Não sei as circunstâncias ou mesmo onde se conheceram. Sequer sei se ele é do interior ou não. O fato é que os dois, seguindo a ordem com que estamos acostumados, tiveram um filho. O bebê os fez procurar um lugar maior para morar. E eis que se mudam para o meu prédio.

Somo vizinho de andar. A porta deles é atravessando o corredor em diagonal a minha. Nunca falei com nenhum dos dois além de um eventual "oi" entrando ou saindo do prédio. Sei que ele é militar porque durante a semana sempre está fardado. Imagino que ele ocupe um cargo mais administrativo, já que seu físico não é o que se imagina que seja o de um soldado que treina todos os dias. Ela sei que é do interior porque me disseram.

Eles, cujos nomes desconheço, moram ali já deve ter uns seis meses. E um dia desses, fiquei sabendo apenas, ela bateu a nossa porta. Pediu uma xícara de farinha, pois estava fazendo um bolo. Foi dado o alimento sem o menor problema. Aliás, acho que farinha é algo que nunca faltou ou faltará lá me casa. E lá foi a gentil vizinha cozinhar para seu marido.

Ontem, voltando do teatro, chego em casa com fome e vejo um generoso pedaço de bolo de laranja num prato que nunca vi lá em casa. Eis que fico sabendo que é um bolo feito pela vizinha essa, para gradecer a farinha dada. Ora veja bem! Quem hoje em dia assa um bolo num domingo, num calorento final de tarde e dá um pedaço grande aos vizinhos que fizeram nada de mais?

Sinceramente achei incrível isso. Algo banal, mas que me fez pensar. Quantas vezes não demos açúcar ou emprestamos o abridor de latas para a vizinhança? Quantas vezes não deve a empregada ter pedido algo também? Sei que nós nunca fizemos algo do gênero. Tão pouco recebemos isso antes. E tava bom o bolo. Muito bom mesmo. A vida em sociedade está perdendo as pequenas coisas que fazem valer a vida em sociedade. 

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Das Abelhas



"De acordo com as leis da aviação, uma abelha não poderia voar de maneira alguma. Suas asas são pequenas demais para levantar seu corpo gordinho do chão."

Essas são as palavras que abrem o filme Bee Movie - A História de uma Abelha. E exitem outros tantos motivos que, em tese, deveriam impedir esse inseto de voar, como a falta de aerodinâmica. Me permitam agora filosofar.

Na nossa vida é assim também. Sempre tem alguém disposto a nos dizer "não". Volta e meia vem um especialista de coisa alguma falar que somos velhos demais para isso, jovens em demasia para aquilo, etc. Raramente vão chegar e dizer que somos perfeitos para o que almejamos. Nunca vi alguém ouvir isso.

Mas a pergunta é: e daí? E daí que já sou mais velho do que a maioria que tem o mesmo sonho que eu? E daí que sei lá quem acha que eu não devo ter esperanças? E daí se as pessoas não gostam das escolhas que fiz para minha vida? E daí se a sociedade não aprova minha sexualidade? E daí se a humanidade acha que ser um X-Men é uma doença?

Felizes são as abelhas! Elas não se prendem a grandes pensamentos e profundos estudos. Não se importam com achares alheios. Abelhas fazem, e fazem bem, o que querem fazer. Se a física não impede uma abelha de voar, por que meia dúzia de pessoas vão nos impedir de chegar onde queremos?

O texto de abertura do filme termina de forma engraçada e verdadeira. Ele diz: "Mas a abelha, é claro, voa assim mesmo. Porque as abelhas não dão a mínima para o que os humanos acham impossível."

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Das Quedas



A vida nos dá rateiras por vezes. Algumas vezes vinda de onde menos esperamos. Em alguns casos caminhamos em direção a essa queda sem perceber.

Dizem que todo mundo um dia cai quando está no palco. Dizem também que o importante é como a pessoa levanta que define se ela continua empregada ou não.

Mas saber disso tudo não torna mais fácil nada. Saber que a árvore podre cai para que uma nova possa nascer não torna mais agradável a queda.

É difícil ter forças para continuar logo em seguida que batemos de cara no chão. Sozinho é muito complicado de levantar. Mas só sozinhos conseguimos levantar. O apoio que qualquer um possa dar é isso apenas, apoio. É a hora de ver quem realmente se importa conosco e quem vai tripudiar da nossa desgraça.

Não é agradável o fim de algo. Muito menos quando não estamos preparados para isso. E menos ainda quando os motivos alegados são injustos. Mas uma vez que o caos veio e perdemos algo, temos duas opções: lamuriar ou prosseguir.

Minha primeira alternativa é lamuriar. Querer fugir, chorar. Perguntar porquê a vida não é justa ou boa. E fiz tudo isso. Reclamei, xinguei, chorei. Mentiria se dissesse que já está superado. Volta e meia vou acabar voltando a esse assunto, mas sem dor, recalque ou raiva.

Uma vez que já esgotei a opção 1, vamos para a 2. Se não tenho o que fazer para voltar ou me manter nalgum lugar, exitem outros. Todo fim é apenas uma novo começo. É chato sairmos do conforto rotineiro em que estávamos, mas é necessário. Se Bruce Wayne fosse ficar se lamuriando, não teríamos o Batman e Gothan City seria um verdadeiro caos.

A vida segue. Aos poucos vou me reerguendo, espanando a poeira e indo atrás do novo. Correndo para não perder o que já tenho também.

terça-feira, 15 de outubro de 2013

Da Minha Sina



Não posso ser eu mesmo. Há tempos sei disso, mas sempre me iludo achando que dá para tentar. Ninguém suporta. Acho que não fui feito com o direito de sonhar ou de querer algo. Devo viver somente. Uma vida parada, apática.

Mais de uma vez fui escutando pela minha vida "tu não era assim". Realmente, não era. Fui outra pessoa para agradar e para me proteger também. Com o tempo, com a convivência, passei a achar que realmente gostavam de mim. Poderia, então, ser eu mesmo. Tolo que fui. Doce ilusão essa.

No meu horizonte tem duas opções: ser quem querem que eu seja ou ser como sou. As alternativas sinceramente não me importam. Nenhuma das duas me fará feliz. Sofrer quieto ou expor minha tristeza, o resultado acaba sendo o mesmo. A indiferença alheia é a mesma.

Eu me esforço com quem merece, mas chega um ponto que tenho que falar algo que me incomoda. Na minha ilusão, o outro vai ouvir e se empenhar em resolver. Um dia aprendo que na minha vida não é assim. Não me importo em fazer os outros felizes, só esperava a mesma consideração às vezes. Eu tenho que aprender a não fazer tudo pela felicidade alheia, porque esta é uma via de mão única.

Mas a culpa é minha. Eu sou o errado. Como amar alguém errado como eu? O que peço é tão impossível assim? Se o fato d'eu amar e querer bem não da força ou coragem para romper com antigos paradigmas, então não sei o que fazer. Não tenho o que oferecer além do meu amoroso carinho.

Eu aprendi a me controlar, a pensar, a respirar. Aprendi a confiar, dei provas de minha confiança. Mas não importa o que eu faça, apenas não sou alguém escolhido por deus para ser amado.

terça-feira, 8 de outubro de 2013

Ao Tempo



Não, não peço ou imponho um tempo no namoro
Não!
Continuo tão fiel como sempre fui (como sempre serei)
Só quero por todas as ideias no lugar
Sem pressa, sem correria
Sem medo de perder por não resolver logo
Em um mundo cada vez mais corrido, é estranho não correr
Entretanto, a corrida esteve presente das outras vezes
Ficar de bem logo
Um bem que acabou durando pouco
Um bem que, agora, me pergunto se era real
Talvez tudo só tenha se acalmado, não resolvido
É como comer, quando corremos queimamos a boca
Temos indigestão
Por isso resolvi dar mais tempo
Tempo ao não-tempo em que estamos vivendo
É doloroso
É difícil
É errado não passar o dia ligado no gtalk
É estranho não sair nas terça-feira à noite
Estamos os dois quietos
Cada um no seu canto
Cada um com sua lista
Cada um com suas fotos
Cada um com seus posts
A certeza da continuidade
Mas sem se falar
Tem coisa fora do lugar ainda
Ainda dói pensar no ocorrido
Tempo ao não-tempo
Espero que depois disso
Tudo seja como no início

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Da Inspiração



O que mais tem ai pela internet são dica infalíveis para se mante inspirado e criativo. Particularmente, eu não entendo isso. Para mim ou se nasce criativo ou não. E a inspiração, ela vem quando quer, se quiser.

Tem que olhe as dicas milagrosas. Não condeno, acho admirável o esforço para melhorar. E desde sempre o homem conviveu com a inspiração (e sua falta). Quem nunca ouviu falar nas musas gregas? Nem precisamos ir tão longe na história. Peguemos Helô Pinheiro, a musa que inspirou o maior simbolo musical do país. Ainda que vocês não associem o nome a pessoa, aposto que já ouviram e cantarolaram por diversas vezes sobre  esta menina que vem e que passa num doce balanço balanço do mar ♫ da belíssima praia carioca de Ipanema. E vejam bem: Tom e Vinicius não estavam (que eu saiba) a procura de inspiração no dia em que se sentaram no finado Bar Veloso, naquela esquina entre as ruas (hoje chamadas de) Vinicius de Moraes e Prudente de Morais.

Quando a inspiração quer, vem. E vem com tudo. Não respeita hora, companhia ou lugar. No bar, na cama, no banheiro, não temos controle sobre. Um dormida a tarde pode dar um fôlego novo a uma ideia velha ou mesmo trazer uma 100% inédita.

Largando de mão a modéstia, eu sempre fui criativo e inspirado. É só olhar esse blog! São vários assuntos diferenciados, que vieram de inspirações diferentes (alguns da mesma). Ultimamente o que mais me inspira é o meu namoro. Mas o blog começou com outros propósitos, eu falava sobre minha mania de comprar, que, vejam só, há tempos não se manifesta. E já falei de sexo, de amenidades, até mesmo já filosofei aqui!

O que me inspira é o meu dia a dia, minha rotina. Apenas um parar um pouco às vezes e efetivamente ver tudo que há a minha volta. Afinal, se a minha vida não me inspirasse, como poderia eu ter a ilusão de inspirar a dos outros?

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Dos Hábitos


Cada pessoa é criada de um jeito. Crescemos aprendendo a ver a sociedade por um determinado prisma e a agir de forma pré-determinada, mas diferente. Mesmo vivendo numa mesma cidade há pouco metros, duas pessoas acabam sendo muitíssimo diferentes. E a adaptabilidade humana se revela quando esse mundos se chocam.

Conviver com outro alguém é difícil já por si só. Em casos de hábitos diferentes então... Com boa vontade, bem querer e carinho tudo dá certo. Depois de um choque de "há um outro pensar, de viver que em nada se parece com o meu!" vem a calmaria e vamos compreendendo o outro.

Quando vemos estamos já envolvidos e conectados com o outro de tal forma que alguns hábitos mudam, tanto os que nos foram ensinados como os que nos forçamos a ter. Já escrevi aqui algo sobre falar como o outro, usando suas expressões, mas tem além. Algumas manias mesmo são absorvidas (ainda mais por mim que sou de um signo considerado mutável). Uma reclamação via Twitter ou uma ida ao cinema desacompanhado. Simplesmente, quando vemos, estamos agindo de forma igual ou muito similar ao outro.

Mas além de "roubar" hábitos, também abrimos mão. Para alguns é difícil deixar de fazer algo que se fazia sempre ou com frequencia. Entretanto, fazemos. E com gosto. Ficamos felizes de deixar de fazer algo porque queremos o outro feliz e tranquilo.

Claro, tem aquilo que consideramos inegociável. Acho, no entanto, que essa é apenas uma forma de defesa natural. Até porque tem hábitos que não precisam ser abandonados, apenas alterados. E com conversas e muito carinho pode-se chegar a um entendimento.

Nossos hábitos nos definem. E é importante nos colocarmos firmemente perante a sociedade. Mas quando amamos... ah, quando amamos! Ai nós somos capazes de aceitar uma outra definição de quem somos porque, afinal, o eu deixa de ser apenas eu, e passa a ser nós em diversos momentos.

Das Importâncias



Chego a me impressionar comigo mesmo, minha mudança da prioridades é extremista. Mas acho que não sou só eu, sou? A idade, talvez, possa levar a culpa...

Há pouco tempo eu teria entrado de cabeça na discussão Roar x Applause, teria esperado o clipe de Work Bitch, feito mil e um planos de como poderia ir ao Rock in Rio ver Kimbra e Bon Jovi. Eu xingaria a Lana Del Rey e diria que prefiro ficar surdo a ter que ouvir por completo o tal Canto Alegretense. Pensava em trabalhar na Hommes International Vogue e fazia altos planos de me mudar para Paris (já sabia até em que arrondisement seria ideal de se morar!)

Mas essa fase (que nem foi tão longa!) passou. Meus interesses mudaram de forma quase drástica. Estou muito mais preocupado em esticar o pé ao máximo do que a nova fase da Lady Gaga ou mesmo o novo cd do Franz Ferdinand. Hoje compro muito mais uma briga por não entender porquê o brunissvemk ganhou tantos destaques (uma vez que ele não tem técnica, postura, aparência ou competência) do que uma por Harry Potter x Percy Jackson. Passo mais horas pensando em que palhaço de The Fairy Doll acho melhor do que tentando acompanhar a Paris Fashion Week.

Entretanto, eu sinto uma diferença significativa entre a fase, os meus interesses e prioridades de antes para os de agora. Não me sinto incompleto ou mesmo artificial decorando ballets, nomes de diretores artísticos e bailarinos. Não me é forçada a criação de coreografias de ballet para qualquer música que escute (tenho uma até mesmo para Origens, do Neto Fagundes!!). Sai tudo de forma natural e fácil. Vocês mesmo podem ver por aqui como os textos mudaram!

Além de uma significativa mudança de humor (ando muito mais feliz), esse meu novo viver trouxe para minha vida gente incrível, tirou uns quantos escrotos e manteve quem realmente eu gosto e gosta de mim. Sem falar na melhora na minha saúde e condição física.

Antes era comum eu me sentir perdido, sem foco, sem saber o que fazer da vida. Agora, às vezes fraquejo, mas eu sei o que quero. E quem eu gostaria que estivesse ao meu lado quando eu chegar lá, pessoas que certamente vão ter função fundamental. Não sinto a necessidade de mudar de vida mais. As coisas estão se acertando, aos poucos, umas antes das outras, mas tudo se encaminhando. Acho que isso é amadurecer, crescer. E uma vez que a vida termine de entrar nos eixos, certamente a emoção também irá.

Como disse no início, não sei se isso é só comigo ou se todos passam por isso. Sei que abandonar aquilo que eu era me fez um bem danado. Me livrei de vícios e pensamentos ruminantes que me faziam mal. E a vida continua, mudando certamente, mas dentro de um padrão agora.

terça-feira, 1 de outubro de 2013

Dos Beijos de Cinema


Não sou nenhum defensor da chamada "causa gay". Bem o contrário. Acho que cada um tem mais é que viver suas vidas, sem forçar ninguém a nada. Mas ao ver a imagem que ilustra (recriação dessa) esse texto eu me perguntei: Qual é o beijo gay emblemático do cinema?

Podemos aqui citar o de Beleza Americana, mas a cena fora do contexto do filme não significa nada. E agora, de cabeça, é o que me lembro. O Segredo de Brokeback Mountain deve ter algum momento de ósculo também, mas não me lembro, potanto posso dizer que não foi marcante.

Não venho acusar o cinema de ser homofóbico ou algo do gênero. Só trago a reflexão. Rhett beijando Scarlett entrou para história. Bem como Jack e Rose, Romeu e Julieta, Noah e Allie, o casal na praia de A Um Passo da Eternidade, Christian e Satine, até mesmo os robôs Wall-E e Eva. São imagens emblemáticas. Beijos que entraram para história. Representações do amor puro e intenso criado pelo cinema.

E escrevendo esse texto, a procura de confirmação do nome do filme A Um Passo da Eternidade, eis que chego a esta página do UOL. Ali tem para ser escolhido (sem votação, que coisa bizonha!) um favorito. Tem alguns gays, mas sinceramente, nenhum deles me marcou. Talvez porque os filmes não seja grande coisa, em minha opinião cinéfila.

É complicado essa coisa de ser gay. E não acho que ninguém seja obrigado a ficar vendo no cinema homens beijando homens e mulheres beijando mulheres. Mas eu sinto a fata de uma representação, por assim dizer. Talvez com mais imagens, com um beijo homoafetivo no hall do Grandes Beijos da História do Cinema, acabasse com alquela mania que alguns tem de querer eleger um homem e uma relação dentro do casal gay.

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Sobre Manter o Amor



Amar não é algo fácil. Alguém apaixonado pela gente é muita responsabilidade a ser, amando-a ou não. Claro que se gostamos de quem gosta da gente tudo fica mais tranquilo.


Nunca casei ou comemorei (até agora) anos de relacionamento. Culpa minha ou do outro, não interessa. O fato é que nada durou muito. Responsabilidade dos dois. Tenho a tendência a achar que se deu errado foi porque eu não fui o suficiente.

Estar com alguém envolve algo mais do que só gostar do outro. Todo dia tem que ser como a primeira vez que sairam juntos. Uma questão de fazer o outro se apaixonar pela gente constantemente. Mais do que isso, permitir se apaixonar. Outro ponto delicado.

Se posso dizer algo, apesar de não ter experiência, é que casamentos afundam por causa disso. Os dois param de se empenhar em fazer-se apaixonável, para de se encantar com pequenos gestos do cônjuge.

O dia dia não precisa ser maçante e a rotina a assassina do amor. Basta fazer as coisas com carinho para quem amamos e saber reconhecer o amor numa atitude banal, como um sms pela manhã ou um like numa foto. Essas pequenas atitudes dizem tanto quanto ir a um show tradicionalista ou a um espetáculo de ballet.

Do Sonhar


Muitas vezes me perco no tempo, pensando. Quietinho no meu canto, com um olhar levemente vago, eu penso no futuro. Muitas vezes me perguntam se está tudo bem, pois me silenciei o nada. Posso dizer que nesses momentos está tudo mais do que bem.

Perdido em devaneios, arquiteto um futuro sensacional. Uma vida calma e serena. Penso em nós morando juntos, um apartamento de um tamanho confortável. E tudo é paz.

Mas é ilusão. Sejamos realistas, não vai ser só porque dividimos o mesmo teto que meus ciúmes vão sumir. Gostaria eu que assim fosse.

Apesar de sonho ser sonho, devo sonhar com menos fantasia. Me fixando no que ser real, posso dizer que (infelizmente) ainda não sou maduro o suficiente para dar esse passo que tanto almejo. Viver junto acalmaria um série de temores que tenho, mas sei (e não me agrada admitir) que traria medos novos.

Sou por demasiado impaciente e intolerante. Em casos como esse então, em que o principal obstáculo sou eu mesmo, nem se fala! Mas preciso me acalmar ou acabo pondo o carro na frente dos bois, estragando um sonho lindo. Tenho que parar de exigir tanto de mim. E dos outros também, principalmente do meu lindo. Vou, claro, continuar sonhando, mas tenho que aprender a controlar ou acabo me frustrando, e sabemos que eu não sei lidar bem com esse sentimento.

sábado, 28 de setembro de 2013

Da Minha Reflexão



Sou daquela teoria (que jé devo ter citado aqui) de que algo vem a ti, uma mensagem ou algo semelhante, de três formas distintas e não conectadas, é porque tu deve fazer determinada coisa. Bem, quando a coisa é ir a algum lugar fica fácil fazer o que o destino quer que tu faça. E hoje não é um desses casos.

Ontem eu tive um final de tarde e início de noite desastroso. Não vou entrar em detalhes porque não vem ao caso. O importante é que fiquei chateado. Muito. Cheguei a me impressionar com o quão chateado fiquei por algo não tão grande assim. E hoje não acordei lá muito feliz, devido aos acontecimentos. Ao longo do meu dia uma mesma mensagem me foi passada por fontes diferente por motivos não conectados. Tudo me fez pensar. O final do meu sábado - via esse texto também - está sendo de reflexão.

O fato é que muitas vezes nós, no caso eu, somos nosso maior problema. É muito fácil ficar chateado com algo e por todo a culpa num outro alguém. "Ontem foi ruim porque o Henrique estava distante". É ridículo de fácil e não resolve nada. Um saída a dois, que foi o meu problema, é A DOIS. Os dois têm responsabilidade pelo êxito ou fracasso do encontro.

Além disso, eu sei (em casa, como hoje, refletindo, no meu canto) que acabo sendo injusto. Sei que peço, não, eu exijo muito. Uma música que basicamente me descreve é Só Sei Amar Assim. Crio grades (grandessíssimas!) expectativas sobre as pessoas. Infelizmente não controlo a realidade, muito menos os pensamentos e ações alheios.

Já falei mais de uma vez que eu sim comprei o sonho americano (como falei aqui). E isso me frustra muito às vezes. Fico esperando que façam por mim o que Christine fez pelo Raoul ou me digam coisas como as que Noah disse para Allie. Isso é injusto para com o resto da humanidade e mais especificamente com o Henrique. Do mesma foram que eu idealizo, ele também pode (será que o faz?) em relação a mim.

Poderia aproveitar aqui (e já estou aproveitando :P ) para dizer que sou alguém que foi excessivamente mimado. Isso é uma origem de problemas em minha vida. É isto que faz com que eu idealize e não consiga lidas quando as coisas não saem como o planejado. Além, sou absurdamente carente algumas vezes. Não sei a origem disso, mas tem dias em que necessito de absurda atenção, e isso não é justo com os outros. Sem aviso, eu exijo (!!) que me deem mais (carinho, amor, atenção) do que  normal. E tenho o topete de ficar magoado caso não o façam. Quem sou eu para exigir o que quer que seja de outra pessoa?

Viver é muito complicado. Amar alguém mais ainda. Ter um relacionamento então! E eu ainda carrego comigo este outro lado carente, egoísta e inseguro meu; um ser que só me traz problemas. Consigo ser meu pior inimigo. É uma batalha de superação. Mas não tenho chances sozinho. O primeiro passo, admitir que MUITAS vezes o problema sou eu, já dei. Preciso só de apoio e compreensão para seguir.

Agora, é justo ou certo eu pedir isso para alguém? "Aguente meus surtos que virão sem aviso" ou "Se vire para adivinhar o que quero/estou sentindo" ou "Me dê mais do que qualquer pessoa é capaz". Talvez não seja nem um nem outro, mas vou ter que pedir de qualquer forma. Enquanto eu não conseguir controlar, não tenho muito mais o que fazer. Infelizmente sou assim, mas consigo (como hoje!!) refletir sobre tudo, perceber meus erros e seguir tentando não fazer de novo e sempre a mesma coisa. 

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Das Cartas



Eu gosto de cartas. Acho bonito enviá-las para alguém. E mais ainda receber. Tem um je ne sais quoi no ritual de pegar o papel, a caneta e escrever com uma letra caprichada. Depois, dependendo de para quem a enviamos, dar uma borrifada com perfume. Então dobrar cuidadosamente, colocar no envelope e lambe-lo para selar. Comprar selo (sempre baratos e simpáticos!) e enviar.

É um ritual que está se perdendo. Nossas vidas está muito imediatista para esperar alguns dias para enviar uma mensagem e receber a resposta. Claro, não nego a praticidade do chat do Facebook ou GTalk no Gmail ou mesmo coisas como SMS e Whatsapp, mas não tem a mesma magia.

A versão moderna da carta é o e-mail. E a tendência é que este leve a extinção daquele. Tendência, se depender de mim não passará disso! Mas admito que faz quase dois anos desde a última carta que escrevi (que foi a primeira em sei lá quantos anos!). É complicado saber o cep das pessoas, muitas vezes nossos destinatários não sabem informar. Acho que, ainda assim, vale a pena descobrir.

A caixa de correio (a física, não a on line) se tornou, para muitos, algo hostil. É uma tortura abri-la, afinal, só tem contas e mais contas (e uma eventual publicidade do Nacional ou da Colombo). Por isso que acho cartas legais. A expectativa de ter algo escrito a mão por alguém querido, palavras que não precisam contar algo nada bombástico, pode trazer de volta o prazer de ver a correspondência.

E todo o "jogo" e entusiasmo envolvido. A ansiedade que vai do envio até o recebimento de uma resposta! Escrever e ter que esperar (ainda mais com correios em greve!), algo que as novas gerações não sabem o que significa. Escrever diretamente para alguém, de próprio punho, assinar no final. Ter que colocar um PS ou mesmo um PPS! Riscar um erro de gramática ou palavra mal colocada. Pensar no texto. Isso tudo é o que faz ser especial enviar carta.

Receber carinho é sempre bom. Uma carta então! Atualmente enviar uma a alguém é uma (grandessíssima) forma de mostrar o quanto gostamos e consideramos alguém.

terça-feira, 24 de setembro de 2013

Do Estado de Felicidade



Tem uma diferença entre estar num estado de felicidade e estar feliz. O segundo faz parte do primeiro, mas não acontece o oposto necessariamente.

É algo bem simples se pensarmos em termo práticos. O estado de felicidade é pleno e duradouro sentimento. Estar feliz é rápido, efêmero, é o que está na moda no mundo cada vez mais imediatista em que vivemos.

Estar feliz não dura muito tempo. E, dependendo, tem um preço a se pagar, moral, sentimental ou mesmo físico. Um sexo casual com alguém quando se está comprometido com outra pessoa ou beber além da conta ou usar alguma droga ilícita. Estas são algumas situações mais extremas que pensei agora para exemplificar, mas um chocolate no meio da dieta também pode entrar na lista. Elas podem trazer algum felicidade momentânea, mas assim que terminam, a alegria vai junto.

Estado de felicidade é algo mais amplo. Entretanto, deveras mais difícil. A começar que não é egoísta como o estar feliz. O estado de felicidade vem sempre acompanhado de alguém, um amor talvez. E ele não te mantém feliz o tempo todo. Envolve o querer bem e estar bem com outra pessoa.  Envolve, muitas vezes, deixar de fazer algo para preservar a paz. Mas o estado de felicidade só é completo quando ele não tem mantém feliz. Ficar chateado com algo e querer superar, isso cria o estado de felicidade. Batalhar pela eterna paz e aceitar algumas poucas derrotas. Sempre querer superar, consertar, não acabar com tudo só porque um detalhe não saiu como nos filmes.  "The sweet is never as sweet without the sour".

Estar feliz é agora, mas logo acaba e deixa um vazio imenso, triste e solitário. Estar num estado de felicidade é um trabalho que exige constante manutenção, mas sem dúvidas de que vale muito mais a pena do que cinco minutos no egoísta "estar feliz". O estado de felicidade é o que te deixa feliz de verdade.

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Do Tempo



Como todo cidadão do século XXI, queria mais tempo. No meu caso não é nem que as vinte e quatro horas do dia não sejam suficientes. Quero mais tempo, não mais horas.

Vivo perdido em pensamentos no meu tempo livre (que é em geral no ônibus entre um compromisso e outro). Penso e penso e nem sempre concluo nada. Precisava eu de mais tempo para ver as pessoas. Meus poucos amigos que não vejo há tempo. E para observar os estranhos, como gosto de fazer. Até porque é observando os outros que concluo minha vida. Tem alguma coisa no parar que me ajuda a clarear a mente. 

Caetano Veloso já cantou ao tempo (e Maria Gadú regravou). O fato que eu só consigo tê-lo fugindo. Ignorando compromissos e sumindo sem avisar (se bem que sempre faço check in no Foursquare, logo todos sabem onde ando...). Aqui poderia dizer que quero mais horas, para poder fugir e voltar, mas não quero. A quebra no rotina é necessária para concluir o que quer que seja. 

Independentemente do que me faz sumir por algumas horas, sempre acabo chegando a uma conclusão paralela: é mais fácil viver do que o que tenho feito. Por que complico tanto coisas simples?

Sei só que quero mais tempo. Não digo que seja de lazer, mas quero mais para poder observar os outros, invisível num banco de shopping. Quero mais tempo para parara de subestimar ou superestimar as pessoas, para que possa simplesmente estimá-las.

Porque o tempo passa. E rápido. Tem coisas que deveriam sumir com ele, mas só consigo eliminá-las se consigo para e ver os outros. Entretanto, não tenho tempo para isso.

Do Meu Namoro



Não há anda melhor do que estar em paz. E quando se está num relacionamento sério, que já passou por poucas e boas, isso é complicado. Quando se tem ciúmes, mais difícil ainda. Se houver uma dose de insegurança então...

É complicado estar comprometido afetivamente com um outro alguém. É muito louco isso de, não digo depender do outro para, mas de precisar de uma pessoa que tu passou anos sem saber que existia para que possa ser feliz. E que confiança por sua paz e seus sorrisos nas mãos de outros. E que responsabilidade ter a felicidade (perdoem a rima acidental!) dos outros sob nossa tutela!

Confiança é a base de tudo. Mas às vezes fica difícil fazê-lo. Conciliar vidas diferentes, opostas muitas vezes. Os passados. inventados por ciúmes. que voltam a cabeça de quem não o viveu. Inseguranças, essas malditas que atormentam o coração e só servem para destruir a felicidade, devem ser ao máximo contida. Em sites de especialistas de coisa alguma (bem como eu aqui) sempre dizem que isso tem que ser resolvido internamente, a pessoa com quem você está nada tem com isso. Não concordo de todo. O outro pode ajudar e muito.

Mas há boa vontade. Acima de tudo, tem amor e carinho. Tem também o sonhar com futuro. Como vai ser quando formos viver juntos? Sei o que quero e o que não admito dentro de casa. Não será minha casa apenas, entretanto.

Esse conciliar desejos e quereres, nisso reside o bem querer. Ir a um show que nunca imaginou que iria, que me outra situação nem saberia que existe. Ou ir a um lugar novo, um espetáculo que sozinho não passaria nem perto.

E as brigas? Tudo é motivo para uma discussão. Um olhar para alguém que passou ou "olá" numa festa ou aceitar alguém no Facebook ou seguir nalguma outra rede social. Tudo pode levar a um bate boca. Isso, na medida certa, é bom, mostra que há sentimento. Afinal, não são brigas para ofender o outro, mas para ~ajustar os ponteiros~. Casal que não briga não é feliz, penso eu. Eles vivem uma ilusão que ao primeiro choque de realidade vai por tudo no chão. Discussões não são legais, mas necessárias e devem ser controladas. Ou então o casal corre o risco de sacrificar todas os momentos bons em nome dos ruins.

E tem também as pequenas coisas que vivemos juntos. Algumas horas roubadas num carro, um namoro no cinema, um passeio de mãos dadas... Quanto mais tempo namoramos mais a cidade se fragmenta e se remonta com lembranças.

Enfim, todo um post sem muito nexo, uma confusão de pensamentos que levam a um sentimento apenas. Sei que amo o Henrique e que nunca estive tão feliz. Espero que esteja fazendo-o também. Apesar das intranquilidades eventuais e das paranoias, é com ele que quero passar meu dias e minhas noites. A cada manhã de conversa e noites de encontro isso se reforça. Qualquer dúvida que pudesse existir, sumiu na semana que se passou.

Um bom namoro/namorado faz isso: desperta o que há de melhor na gente e nos faz segurar o que de pior acorda também.

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Das Hipocrisias



Somos hipócritas. O tempo todo. Nas mais diversas situações possíveis.

Diria que no Brasil, mas tenho certeza que por vários outros países (para não dizer no mundo todo), há aquele inconsciente coletivo cria duas leis: a da porta para fora e a da porta para dentro.

Aplaudimos pessoas como Steve Jobs e Bill Gates, que largaram tudo para perseguir seus sonhos. Admiramos suas coragens e bravuras. Mas nunca, jamais, em hipótese alguma esses mesmos que aplaudem os dois gênios da informática apoiariam seus filhos se estes dissessem que vão largar a faculdade para criar algo que ninguém nunca ouviu falar.

Pais de famílias saem a noite a procura de casas de sado-masoquismo. Vão a procura de prazer. Mas são hipócritas demais para aceitar quando suas esposas vão até uma sex shop e voltam com um chicote simples, para apimentar as coisas a dois. Afinal, não se casaram com prostitutas, mas com mulheres bem comportadas. A mãe de seus filhos não pode ter um comportamento destes, só a mãe dos filhos dos outros.

Da mesma forma quando vemos um casal de idades diferentes. Um pai ou mãe solteiros/divorciados acham ok sair com alguém mais jovem, afinal é um preconceito bobo pensar que só porque as idades são diferente não há a amor, que o mais velho só quer se aproveitar. Mas a história muda (e muito!) de figura se são seus filhos e filhas saindo com alguém com mais experiência de vida.

No mesmo saco de hipocrisia também está a aceitação do gays na família. Ter um(a) amigo(a) homossexual é normal e aceitável. Ser pai, mãe, irmão, irmã, tia, tia avô, avó, etc alguém que tem interesse afetivo em pessoas do mesmo sexo não é nem um possibilidade. Não pode e fim. Vai desonrar a família. Claro que a não aceitação de um filho gay também não impede pais procurarem em segredos garotinhos jovens para passar uma noite de prazer.

Além, claro, da hipocrisia religiosa. Essa tirinha aqui, feita por Carlos Ruas para seu site Um Sábado Qualquer (não, ele não está me pagando nada por essa menção :P ) mostra bem isso. Neste caso um católico, mas temos isso em todas as crenças.

Enquanto não tivermos a capacidade de acabar com essa "lei da porta para dentro" seguiremos a ter problemas sérios na sociedade. De saúde principalmente. Quantos jovens não forma pressionados pelos pais a ponto de se tornarem esquizofrênicos? Ou histéricos? Ou inseguros? Vale mesmo tudo para manter uma boa aparência familiar para amigos, conhecidos e todo resto? Aliás, o que é essa boa aparência?

A sociedade é complexa, difícil e muito subjetiva. Viver nela é fácil não. E não precisamos (nem devemos!) dificultar ainda mais impondo regras e proibições para nós mesmo. Ser feliz é mais fácil do que se parece.

terça-feira, 10 de setembro de 2013

Dos Preconceitos



Vivemos em uma sociedade que nos impõe um pensar. Cada cultura tem sua forma de pensar e todos os cidadãos de um determinado lugar são bombardeado com um determinado tipo de informações, moldado a ver a interagir com um mundo de uma determinada forma. Dependendo de onde crescemos, ter um mentalidade livre de qualquer preconceito é difícil. O que muitos fazem é se policiar para evitar dizer algo preconceituoso, e justamente por fazer isso o são.

O Brasil hoje é o país do politicamente correto. Com tantas leis que nos obrigam a controlar nossas línguas, textos e músicas, o governo apenas nos cala, mas não expurga o preconceito da sociedade. Acho até que o reforça.

Mas essa postagem não é sobre as políticas de boa convivência impostas pelo governo federal ou sobre como nós podemos não ser preconceituosos com os outros. Vim aqui hoje para falar a respeito de algo que há muito gira na minha cabeça: o preconceito para com a gente.

Somos criado para pensar de um maneira muito específica. Crescemos achando que determinado comportamento não é certo e não pode ser aceito. Vemos com maus olhos determinados gestos, pois não condizem com que vimos, lemos ou ouvimos, com o que nos ensinaram (ainda que não de forma 100% consciente). Criamos, assim, muros internos que nos reprimem muitas vezes.

Por diversas vezes já ouvi mulheres mais velhas (ali pelos quarenta!) dizendo que amam ballet clássico, que sempre sonharam em fazer, mas não fariam "afinal, não são mais guriazinhas". E quem disse que precisa ser pequena para fazer dança? Não deixa de ser um exercício. E mais: te faria feliz.

Conheci pessoas alternativas, que se diziam cabeças abertas, que diz amar seus amigos gays. Mas quando é o seu filho o, como diziam na novela Gabriela, invertido, aí meus amigos, a historia é outra. Se o filhos dos outros que sair com outros caras (ou a filha com outras mulheres) é legal, tá tudo certo, a pessoa tem é que procurar sua felicidade e não se prender aos absurdos padrões impostos pela sociedade machista. Entretanto, a casa cai se for o seu filho.

Além dos problemas dos pais e familiares de aceitarem que não são tão livres de preconceitos como diziam, que têm essa barreira interna que não os permite aceitar com facilidade, o próprio individuo tem problemas consigo mesmo.

Rapazes e moças muitas vezes deixam de fazer o que querem e como querem por preconceito consigo mesmo. Ainda que usem fortes argumentos em firmes discursos de "eu me aceito, eu me amo, eu gosto de ser assim, ninguém tem nada a ver com minha vida e minhas atividades", as ações acabam mostrando o contrário. Quando chega a hora de se por de frete para tudo e todos e dizer com todas as letras "eu sou gay", paralisam. E não é porque não interessa aos outros, é por medo da reação destes. Mas esconder não vai tornar nada mais fácil. Vai se tornando um segredo, dia a dia mais pesado, pois a liberdade diminui e as mentirinhas ("é só um amigo", "é uma colega de faculdade", etc) crescem.

Mudar isso é um processo lento. Temos primeiro que ter coragem de nos olhar no espelho sem sentirmos vergonha e dizer em voz alta o que somos ou que queremos. Temos que forçar nossos limites cada dia um pouquinho mais, fazendo algo que antes considerávamos impensável e absurdo de se fazer. Não façamos nada por obrigação ("gay fala de forma afetada, então vou começar a fazer isso"), temos que fazer o que nós é natural. Fazer o que faríamos se não fosse gay, como andar de mãos dadas em público (como aquele casal que vi outro dia) ou dar um beijinho inocente na rua ou simplesmente dizer a quem perguntar que aquele cara contigo (ou guria) é o teu namorado/a. Ser feliz, sem vergonha e sem culpa.

É dificílimo se impor frente a sociedade que temos como somos. Mas, acho eu, é infinitamente mais difícil, chato e complicado viver dando de cara nos muros de preconceito que nós mesmos nos impomos. Quebrar essas barreiras não tem volta e pode afastar muita gente. Ao mesmo tempo, aproxima quem realmente gosta da gente, que quer nos ver bem e feliz.

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Das Gentes



Faço hoje, agora mais especificamente, algo que há tempos eu não fazia. Aqui, sentado, no shopping apenas olhando as pessoas percebo como é interessante o ser humano. Todos ou a maioria de vocês já me ouviu dizer como odeio gente, e não é mentira. Entretanto, aqui sentado eu me torno invisível, intocável, e assim admiro e estimo as gentes.

Para mim, sentar aqui é algo terapêutico. O faço por ter muitas coisas bagunçadas na minha cabeça.

Nesse simples exercício de contemplação vi já muitas coisas. A quantidade de casais no Moinhos Shopping nessa ensolarada e quente tarde de quinta não está no gibi. E são todos os tipo de casais, jovens, velhos, héteros e homos.

E aqui peço licença para relatar o que acabei de presenciar. Um casal, dois homens, caminhavam sorridentes aqui, passaram na minha frente e um deles resolveu pegar na mão do outro. Deu para ver o quão inesperado foi para o parceiro o gesto de carinho, ele ficou tenso, chegou a parar de caminhar um segundo, mas aceitou. E eles  continuaram seu caminho de mãos dadas. Acompanhei-os com o olhar e de repente percebi que só eu o fazia. Ninguém mais por aqui olhava. Quem por acaso via não se importava.

Mas não são só esses dois que andam por aqui com os dedos entrelaçados. Há pouco vi também um casal de meia idade assim. Compraram um presente para seu filho talvez e desfrutavam do seu tempo juntos. Tinha ali uma ternura e uma cumplicidade que os anos juntos não minaram. Claramente vê-se que eles vão viver juntos muitos anos ainda. Morrer no mesmo dia talvez, de causas naturais, como Noah e Allie.

Vi também uma dessas mulheres que se-leva-a-sério-demais-para-se-preocupar-com-o-que-veste passar literalmente meia hora namorando a vitrine da joalheria como se resistir a compra a fortalecesse. E outras que nem namoram a vitrine antes de entrar e comprar.

Teve também aquela que fez plástica no nariz. E o que parece procurar pelo presente de desculpas perfeito. Passaram por mim as jovens que passaram o inverno de dieta e agora mostram as pernas magras e alongadas, e se dão de recompensa por tanto sacrífico um sorvete. Também os caras que passaram os dias frios (corajosamente) numa academia e agora podem usar suas camisetas tão justas que chegam a marcar os mamilos. Caminharam pela minha frente os que querem ser para sempre jovens e os que aceitaram as limitações e as rugas que os anos trouxeram.

Vi mães e filhas, pais e filhos, avós e netas, grupos de amigos (alguns de gentes de quinze outros de setenta). Vi gente sozinha, triste, feliz, pensativa. Aqueles andando em círculos no mesmo lugar esperando por alguém de algum encontro, olhando ansiosos para os lados e para a tela se sei lá quantas polegadas do seu smartphone. E vendedores que, por tédio, vão ate a porta das lojas observar o movimento.

De um lado para o outro, subindo ou descendo, passaram por mim pessoas. Gente, como eu, com medos e sonhos e aflições e desejos. Olhando posso apontar um ou outro que estão com a a cabeça virada (como eu). Mas todos estão a sua maneira aproveitando seu tempo livre seu dia de sol. Eu deveria fazer o mesmo. Como já disseram os Titãs, talvez eu devesse ter me importado menos com problemas pequenos, ter morrido de amor.

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Minha Alegria



Vamos a post menos generalista. Faz tempo que não faço um e hoje resolvi fazê-lo.

Eu tenho um problema, muito sério. Simplesmente tenho dificuldades em aceitar que posso ser feliz.

Sempre fico me sabotando, procurando sarna para me coçar, cabelo em ovo. Procurando, esperando achar algo que me diga "viu? tu não tinha motivos para estar tão feliz". E não é fácil viver assim não. Tenho que sempre me policiar para não deixar minha mente ociosa e, se deixar, não permitir que a paranoia me domine de forma plena e angustiante.

Sei que nos últimos tempos, este ano como um todo, apesar de alguns momentos/dias, consegui ser feliz. E isso me assusta um pouco. Gente, eu completamente feliz! Mas sei que preciso controlar em muito minha mente. Esta é uma tarefa árdua e constante.

Além dos pensamentos ruins e inquietantes, tenho também a mania de bater o pé e me ser cabeça dura. Quem me conhece bem já me ouviu dizer muitas coisas como "casal é só entre seres de sexos diferentes, do mesmo sexo é dupla" ou contrário o casamento homoafetivo. O fato é que, para mim às vezes é mais fácil pensar assim. Com esse discurso posso sempre ficar na infelicidade, mas não criaria ilusão alguma.

Analisando agora vejo que meu maior problema é o medo de sofrer. De conseguir ficar feliz e acabar sofrendo por um motivo ou outro. Nada é mais complicado do que por a felicidade nas mãos de um terceiro. É difícil para mim aceitar que não sou tão auto-suficiente do que gostaria de ser.

Aos pouco vou aprendendo que se eu aceitar que posso ser efetivamente feliz. E que sim, vou ter momentos tristes, mas os alegres podem compensar. Talvez eu deve me jogar mais na alegria e, assim, minimizar as infelicidade.

Eu estou feliz. Ainda não sou a pessoa mais feliz do mundo, mas sei que posso ser. E tentar. Sei que tenho quem me apoie e quem me faz feliz. Sei que quanto mais eu aceitar isso tudo, menos o resto vai me afetar e o mundo vai parar de acabar a cada contratempo.

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

A Liga



O que une um casal? O que dá a liga entre duas pessoas diametralmente opostas? O que faz com que fiquem juntos seres que vivem a discutir por verem o mundo de formas antagônicas? Amor, sim sem dúvidas. Mas tem algo mais.

O que é esse algo mais, sinceramente não sei. Talvez seja mais da famosa e desconhecida matéria escura, numa forma ainda não revelada dentro de nós (ou entre nós). O que é também, não importa. Não há necessidade de nomear, isso só serviria para que pessoas de ma fé fizessem mais um tipo de jura de amor tão rotas quanto coberto de mendigo.

O importante é quando o Algo Mais se manifesta. Ele assina embaixo do atestado de amor, ao lado da paixão. E essa liga, que acaba por ter finalidade não tão distante dos ovos em receitas de bolos, pães e massas, só vai se manifestar em um situação extrema.

Não se iludam, vocês só vão se dar conta dessa manifestação quando tudo começar a se acalmar. Vai haver uma situação tensa, intensa, forte ou qualquer outro adjetivo para descrever um momento em que a adrenalina está mil, o nervosismo atingindo picos e a mente estuporada. E única coisa que sabemos é: dar apoio agora é fundamental. E os dois se suportam (no sentido de dar suporte), ainda que sem estar conscientemente saber o que está fazendo.

Sinceramente, acho que qualquer uma dessas coisas que você, leitor, pensou sempre que mencionei "situação" tem dois poderes: unir ou desunir de vez o casal. Sério. Não na hora ou nas seguintes, mas depois, quando tudo estiver vem mais calmo e as mente limpas. É nessa hora que ou aparecem elogios ("obrigado pelo apoio, foi importante para mim") ou as críticas ("por que tu disse aquilo? por que sumiu, sem dizer nada?"). É quando vemos se os ovos foram adicionados a recita ou não.

E como toda a receita de bolo em que sabemos que a mistura está pronta, é só por no forno. Atentar para não abatumar nem queimar, deixar crescer de forma natural e cheirando bem. Cuidar de um bolo no forno, no fim, não é tão diferente de cuidar de uma relação à dois. Fácil, mas precisa de atenção e carinho para dar certo. E de ovos.


segunda-feira, 12 de agosto de 2013

A Arte de Dormir Lado a Lado




Dormir é bom. Com quem se ama então é molésimas vezes melhor. Sentimentalmente falando, é uma das melhores coisas que há. Mas se pensarmos praticamente...

A maior dificuldade é, sem dúvidas, achar um posição confortável para os dois. Modalidades existem aos montes, é só uma questão de ver o que encaixa melhor e assim dormir. E é ai que começam os problemas.

Dormir junto a alguém faz com que acordemos algumas vezes, pode ser por um braço dormente ou um ombro dolorido. E queremos ajeitar o membro que está incomodando, mas como fazer isso sem acordar essa pessoa linda e querida que dorme tão tranquila e feliz junto a nós? É uma operação lenta e cuidadosa tentar encontrar outra posição na qual não se fica desconfortável, não acorde o outro e se mantenha junto de quem se ama. Tentamos aguentar ao máximo, mas tem uma hora que simplesmente não da mais.

Outro grande problema é a temperatura. Estão tapado e um fica com calor. Meu deus e agora? Como vou me destapar sem perturbar? Como vou deixar o ar me refrescar sem que meu amor passe frio? Como tirar esse braço de cima de mim sem parecer grosseiro?

Difícil também quando está destapados e começa o frio. Se te alguém enroscado no teu corpo, como se tapar sem cobrir o outro?

Dividir uma cama, para quem não está brigado, é uma boa síntese da vida a dois. A eterna batalha interna para achar um meio termo entre o meu conforto, meu querer, e o da outra pessoa, a quem amo e quero bem e feliz. Sempre pesando as opções e escolhendo entre o falar, o calar e o querer.

Mas apesar das dificuldades, dormir nos braços de quem se ama não tem preço. Deve ser impossível ter pesadelos assim. O conforto sentimental e a segurança compensam qualquer stress físico. E se acidentalmente acordar o outro, bem, um beijo e um "tá tudo certo" antes de se reaconchegar resolvem tudo. E a vida fica plena. 

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Errando



É a frase mais dita (acho) pelo ser humano: todo mundo erra. Ela tem suas varições como "só deus é perfeito" entre outras. Para alguns, como eu, é difícil admitir. Em geral digo que só estou menos certo.

Não podemos achar nossas falhas mortais. Às vezes nosso sentimento de fracasso pelo erro se torna maior até do que qualquer mal que possamos ter feito. Se erramos por tentar fazer o melhor, não há vergonha. Ok, lamentamos. Podemos ficar bastante chateado, mas não é certo deixar que isso dura para sempre, que se torne um peso em nossas vidas e mentes.

Pode ser um presente, uma frase, um post, uma atitude ou a falta de. Pode ser uma coisa, podem ser um milhão de coisas, pequenas ou grandes, não importa. Quando um erro é cometido na intenção de fazer o bem, o certo, não há porque não superar.

Claro que quando há um envolvimento emocional maior, o erro nos dói mais. Até porque, em geral, houve um planejamento antes. E é estranho quando vemos a realidade se concretizando de uma maneira assustadoramente oposta ao imaginado. Mas acontece. Um erro em meio a milhares e milhares de acertos. Amor, entretanto, traz o perdão. Se tem esse sentimento, o outro perdoa e a vida a dois pode seguir. O que é um momento ruim em comparação a tantos excelentes? Não tem porque sacrificar tudo que há de bom em nome de um detalhe ruim.

Talvez seja culpa da nossa cultura, onde ignoramos acertos e supervalorizamos erros. Errando aprendemos e podemos evitar de entrar na mesma situação. Aprendemos e podemos seguir em frente.

Tudo tem seu tempo. E o tempo de ficar remoendo um erro deve ser o menor possível, de outra forma ficamos loucos. A vida é feita de escolhas, nem todas são certas. Mas o mundo segue e um equívoco não deve seguir junto. Aconteceu, foi chato, admitimos para nós mesmo que não conseguimos ser perfeitos o tempo todo, aprendemos com ele e esquecemos. Não é fácil, mas é necessário.

The Greatest Thing You'll Ever Learn



A coisa mais importante que tu vai aprender é amar e ser amado de volta, diz a música. Mas o que significa essa palavra tão curta e significativa?

Amor é lindo de se sentir e queremos que todos compartilhem de nossa felicidade quando amamos. Se o mundo está lindo e maravilhoso para nós, por que não dividir um pouco dele com estranhos?

Não é fácil amar alguém. Não é fácil ser amado. Mas quando a coisa é mutua, não existem dificuldades grandes ou complexas demais. Tudo pode (e é!) resolvido. O amor que se sente faz isso.

Mas como mostrar para quem se ama que ele existe? Como ver? Onde ele está? Não podemos vê-lo, não podemos toca-lo. Podemos ouvir. Podemos ouvir algumas palavras, mas não podemos fazer nada com algumas palavras fáceis. É lindo dizer "eu te amo", gritar talvez. Infelizmente não é o suficiente.

Amar é fazer pequenas coisas. Concessões. Deixar a pessoa entrar na tua vida e conhecer teus segredos, é um exemplo. Mas as mais relevantes, creio eu, são todas aquelas não ditas e não convencionais (porque supõe-se que quando uma pessoa ama outra vai querer que ela faça parte de sua vida). São as ações sem obrigação, sem cobrar/chamar atenção para seu ato.

Se aquele quem amamos nos da um suéter, por exemplo. Por mais feio que seja, usamos com gosto. E não tem porquê dizer "olha amor, estou usando o teu presente", dizer isso faz parecer que está fazendo só para agradar.

Mas este é só um exemplo. Cada um em seu namoro/noivado/casamento sabe o que faz seu parceiro feliz. Podemos às vezes achar que não, mas é só parar para pensar que facilmente encontramos coisas que poderíamos fazer, não seria custo algum, e ainda conseguiríamos um sorriso. Além disso, provamos nosso amor.

Uma prova de amor (não loucuras como colocar uma faixa "eu te amo" na frente da casa da pessoa), grande, média ou pequena, tem que ser feita de coração. Não precisa vir com um laço de fita, nem com um lembrete de faço-porque-te-amo.

Algumas muitas coisas vamos fazer (como usar um suéter feio) e não vamos ouvir nada. Mas nem por isso usá-lo para sair com quem nos deu vá ter menos efeito de prova. O outro pode não ter comentado, entretanto certamente percebeu e se alegrou.

Se cabe a mim um conselho aos enamorados que agora leem este e estão pensando em como mostrar seu sentimento uma vez que nunca ganharam um suéter feio, eu digo: pensem na maior critica que o amor de vocês os faz e vejam como podem melhorar para o outro nesse sentido. E façam quietos.

Afinal, não demonstramos nosso amor para receber elogios. Fazemos porque queremos. Fazemos porque nos faz feliz. Fazemos porque nos faz bem. Fazemos porque amamos. E, claro, fazemos porque assim deixamos nosso amado mais do que muito contente.