segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Sobre Manter o Amor



Amar não é algo fácil. Alguém apaixonado pela gente é muita responsabilidade a ser, amando-a ou não. Claro que se gostamos de quem gosta da gente tudo fica mais tranquilo.


Nunca casei ou comemorei (até agora) anos de relacionamento. Culpa minha ou do outro, não interessa. O fato é que nada durou muito. Responsabilidade dos dois. Tenho a tendência a achar que se deu errado foi porque eu não fui o suficiente.

Estar com alguém envolve algo mais do que só gostar do outro. Todo dia tem que ser como a primeira vez que sairam juntos. Uma questão de fazer o outro se apaixonar pela gente constantemente. Mais do que isso, permitir se apaixonar. Outro ponto delicado.

Se posso dizer algo, apesar de não ter experiência, é que casamentos afundam por causa disso. Os dois param de se empenhar em fazer-se apaixonável, para de se encantar com pequenos gestos do cônjuge.

O dia dia não precisa ser maçante e a rotina a assassina do amor. Basta fazer as coisas com carinho para quem amamos e saber reconhecer o amor numa atitude banal, como um sms pela manhã ou um like numa foto. Essas pequenas atitudes dizem tanto quanto ir a um show tradicionalista ou a um espetáculo de ballet.

Do Sonhar


Muitas vezes me perco no tempo, pensando. Quietinho no meu canto, com um olhar levemente vago, eu penso no futuro. Muitas vezes me perguntam se está tudo bem, pois me silenciei o nada. Posso dizer que nesses momentos está tudo mais do que bem.

Perdido em devaneios, arquiteto um futuro sensacional. Uma vida calma e serena. Penso em nós morando juntos, um apartamento de um tamanho confortável. E tudo é paz.

Mas é ilusão. Sejamos realistas, não vai ser só porque dividimos o mesmo teto que meus ciúmes vão sumir. Gostaria eu que assim fosse.

Apesar de sonho ser sonho, devo sonhar com menos fantasia. Me fixando no que ser real, posso dizer que (infelizmente) ainda não sou maduro o suficiente para dar esse passo que tanto almejo. Viver junto acalmaria um série de temores que tenho, mas sei (e não me agrada admitir) que traria medos novos.

Sou por demasiado impaciente e intolerante. Em casos como esse então, em que o principal obstáculo sou eu mesmo, nem se fala! Mas preciso me acalmar ou acabo pondo o carro na frente dos bois, estragando um sonho lindo. Tenho que parar de exigir tanto de mim. E dos outros também, principalmente do meu lindo. Vou, claro, continuar sonhando, mas tenho que aprender a controlar ou acabo me frustrando, e sabemos que eu não sei lidar bem com esse sentimento.

sábado, 28 de setembro de 2013

Da Minha Reflexão



Sou daquela teoria (que jé devo ter citado aqui) de que algo vem a ti, uma mensagem ou algo semelhante, de três formas distintas e não conectadas, é porque tu deve fazer determinada coisa. Bem, quando a coisa é ir a algum lugar fica fácil fazer o que o destino quer que tu faça. E hoje não é um desses casos.

Ontem eu tive um final de tarde e início de noite desastroso. Não vou entrar em detalhes porque não vem ao caso. O importante é que fiquei chateado. Muito. Cheguei a me impressionar com o quão chateado fiquei por algo não tão grande assim. E hoje não acordei lá muito feliz, devido aos acontecimentos. Ao longo do meu dia uma mesma mensagem me foi passada por fontes diferente por motivos não conectados. Tudo me fez pensar. O final do meu sábado - via esse texto também - está sendo de reflexão.

O fato é que muitas vezes nós, no caso eu, somos nosso maior problema. É muito fácil ficar chateado com algo e por todo a culpa num outro alguém. "Ontem foi ruim porque o Henrique estava distante". É ridículo de fácil e não resolve nada. Um saída a dois, que foi o meu problema, é A DOIS. Os dois têm responsabilidade pelo êxito ou fracasso do encontro.

Além disso, eu sei (em casa, como hoje, refletindo, no meu canto) que acabo sendo injusto. Sei que peço, não, eu exijo muito. Uma música que basicamente me descreve é Só Sei Amar Assim. Crio grades (grandessíssimas!) expectativas sobre as pessoas. Infelizmente não controlo a realidade, muito menos os pensamentos e ações alheios.

Já falei mais de uma vez que eu sim comprei o sonho americano (como falei aqui). E isso me frustra muito às vezes. Fico esperando que façam por mim o que Christine fez pelo Raoul ou me digam coisas como as que Noah disse para Allie. Isso é injusto para com o resto da humanidade e mais especificamente com o Henrique. Do mesma foram que eu idealizo, ele também pode (será que o faz?) em relação a mim.

Poderia aproveitar aqui (e já estou aproveitando :P ) para dizer que sou alguém que foi excessivamente mimado. Isso é uma origem de problemas em minha vida. É isto que faz com que eu idealize e não consiga lidas quando as coisas não saem como o planejado. Além, sou absurdamente carente algumas vezes. Não sei a origem disso, mas tem dias em que necessito de absurda atenção, e isso não é justo com os outros. Sem aviso, eu exijo (!!) que me deem mais (carinho, amor, atenção) do que  normal. E tenho o topete de ficar magoado caso não o façam. Quem sou eu para exigir o que quer que seja de outra pessoa?

Viver é muito complicado. Amar alguém mais ainda. Ter um relacionamento então! E eu ainda carrego comigo este outro lado carente, egoísta e inseguro meu; um ser que só me traz problemas. Consigo ser meu pior inimigo. É uma batalha de superação. Mas não tenho chances sozinho. O primeiro passo, admitir que MUITAS vezes o problema sou eu, já dei. Preciso só de apoio e compreensão para seguir.

Agora, é justo ou certo eu pedir isso para alguém? "Aguente meus surtos que virão sem aviso" ou "Se vire para adivinhar o que quero/estou sentindo" ou "Me dê mais do que qualquer pessoa é capaz". Talvez não seja nem um nem outro, mas vou ter que pedir de qualquer forma. Enquanto eu não conseguir controlar, não tenho muito mais o que fazer. Infelizmente sou assim, mas consigo (como hoje!!) refletir sobre tudo, perceber meus erros e seguir tentando não fazer de novo e sempre a mesma coisa. 

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Das Cartas



Eu gosto de cartas. Acho bonito enviá-las para alguém. E mais ainda receber. Tem um je ne sais quoi no ritual de pegar o papel, a caneta e escrever com uma letra caprichada. Depois, dependendo de para quem a enviamos, dar uma borrifada com perfume. Então dobrar cuidadosamente, colocar no envelope e lambe-lo para selar. Comprar selo (sempre baratos e simpáticos!) e enviar.

É um ritual que está se perdendo. Nossas vidas está muito imediatista para esperar alguns dias para enviar uma mensagem e receber a resposta. Claro, não nego a praticidade do chat do Facebook ou GTalk no Gmail ou mesmo coisas como SMS e Whatsapp, mas não tem a mesma magia.

A versão moderna da carta é o e-mail. E a tendência é que este leve a extinção daquele. Tendência, se depender de mim não passará disso! Mas admito que faz quase dois anos desde a última carta que escrevi (que foi a primeira em sei lá quantos anos!). É complicado saber o cep das pessoas, muitas vezes nossos destinatários não sabem informar. Acho que, ainda assim, vale a pena descobrir.

A caixa de correio (a física, não a on line) se tornou, para muitos, algo hostil. É uma tortura abri-la, afinal, só tem contas e mais contas (e uma eventual publicidade do Nacional ou da Colombo). Por isso que acho cartas legais. A expectativa de ter algo escrito a mão por alguém querido, palavras que não precisam contar algo nada bombástico, pode trazer de volta o prazer de ver a correspondência.

E todo o "jogo" e entusiasmo envolvido. A ansiedade que vai do envio até o recebimento de uma resposta! Escrever e ter que esperar (ainda mais com correios em greve!), algo que as novas gerações não sabem o que significa. Escrever diretamente para alguém, de próprio punho, assinar no final. Ter que colocar um PS ou mesmo um PPS! Riscar um erro de gramática ou palavra mal colocada. Pensar no texto. Isso tudo é o que faz ser especial enviar carta.

Receber carinho é sempre bom. Uma carta então! Atualmente enviar uma a alguém é uma (grandessíssima) forma de mostrar o quanto gostamos e consideramos alguém.

terça-feira, 24 de setembro de 2013

Do Estado de Felicidade



Tem uma diferença entre estar num estado de felicidade e estar feliz. O segundo faz parte do primeiro, mas não acontece o oposto necessariamente.

É algo bem simples se pensarmos em termo práticos. O estado de felicidade é pleno e duradouro sentimento. Estar feliz é rápido, efêmero, é o que está na moda no mundo cada vez mais imediatista em que vivemos.

Estar feliz não dura muito tempo. E, dependendo, tem um preço a se pagar, moral, sentimental ou mesmo físico. Um sexo casual com alguém quando se está comprometido com outra pessoa ou beber além da conta ou usar alguma droga ilícita. Estas são algumas situações mais extremas que pensei agora para exemplificar, mas um chocolate no meio da dieta também pode entrar na lista. Elas podem trazer algum felicidade momentânea, mas assim que terminam, a alegria vai junto.

Estado de felicidade é algo mais amplo. Entretanto, deveras mais difícil. A começar que não é egoísta como o estar feliz. O estado de felicidade vem sempre acompanhado de alguém, um amor talvez. E ele não te mantém feliz o tempo todo. Envolve o querer bem e estar bem com outra pessoa.  Envolve, muitas vezes, deixar de fazer algo para preservar a paz. Mas o estado de felicidade só é completo quando ele não tem mantém feliz. Ficar chateado com algo e querer superar, isso cria o estado de felicidade. Batalhar pela eterna paz e aceitar algumas poucas derrotas. Sempre querer superar, consertar, não acabar com tudo só porque um detalhe não saiu como nos filmes.  "The sweet is never as sweet without the sour".

Estar feliz é agora, mas logo acaba e deixa um vazio imenso, triste e solitário. Estar num estado de felicidade é um trabalho que exige constante manutenção, mas sem dúvidas de que vale muito mais a pena do que cinco minutos no egoísta "estar feliz". O estado de felicidade é o que te deixa feliz de verdade.

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Do Tempo



Como todo cidadão do século XXI, queria mais tempo. No meu caso não é nem que as vinte e quatro horas do dia não sejam suficientes. Quero mais tempo, não mais horas.

Vivo perdido em pensamentos no meu tempo livre (que é em geral no ônibus entre um compromisso e outro). Penso e penso e nem sempre concluo nada. Precisava eu de mais tempo para ver as pessoas. Meus poucos amigos que não vejo há tempo. E para observar os estranhos, como gosto de fazer. Até porque é observando os outros que concluo minha vida. Tem alguma coisa no parar que me ajuda a clarear a mente. 

Caetano Veloso já cantou ao tempo (e Maria Gadú regravou). O fato que eu só consigo tê-lo fugindo. Ignorando compromissos e sumindo sem avisar (se bem que sempre faço check in no Foursquare, logo todos sabem onde ando...). Aqui poderia dizer que quero mais horas, para poder fugir e voltar, mas não quero. A quebra no rotina é necessária para concluir o que quer que seja. 

Independentemente do que me faz sumir por algumas horas, sempre acabo chegando a uma conclusão paralela: é mais fácil viver do que o que tenho feito. Por que complico tanto coisas simples?

Sei só que quero mais tempo. Não digo que seja de lazer, mas quero mais para poder observar os outros, invisível num banco de shopping. Quero mais tempo para parara de subestimar ou superestimar as pessoas, para que possa simplesmente estimá-las.

Porque o tempo passa. E rápido. Tem coisas que deveriam sumir com ele, mas só consigo eliminá-las se consigo para e ver os outros. Entretanto, não tenho tempo para isso.

Do Meu Namoro



Não há anda melhor do que estar em paz. E quando se está num relacionamento sério, que já passou por poucas e boas, isso é complicado. Quando se tem ciúmes, mais difícil ainda. Se houver uma dose de insegurança então...

É complicado estar comprometido afetivamente com um outro alguém. É muito louco isso de, não digo depender do outro para, mas de precisar de uma pessoa que tu passou anos sem saber que existia para que possa ser feliz. E que confiança por sua paz e seus sorrisos nas mãos de outros. E que responsabilidade ter a felicidade (perdoem a rima acidental!) dos outros sob nossa tutela!

Confiança é a base de tudo. Mas às vezes fica difícil fazê-lo. Conciliar vidas diferentes, opostas muitas vezes. Os passados. inventados por ciúmes. que voltam a cabeça de quem não o viveu. Inseguranças, essas malditas que atormentam o coração e só servem para destruir a felicidade, devem ser ao máximo contida. Em sites de especialistas de coisa alguma (bem como eu aqui) sempre dizem que isso tem que ser resolvido internamente, a pessoa com quem você está nada tem com isso. Não concordo de todo. O outro pode ajudar e muito.

Mas há boa vontade. Acima de tudo, tem amor e carinho. Tem também o sonhar com futuro. Como vai ser quando formos viver juntos? Sei o que quero e o que não admito dentro de casa. Não será minha casa apenas, entretanto.

Esse conciliar desejos e quereres, nisso reside o bem querer. Ir a um show que nunca imaginou que iria, que me outra situação nem saberia que existe. Ou ir a um lugar novo, um espetáculo que sozinho não passaria nem perto.

E as brigas? Tudo é motivo para uma discussão. Um olhar para alguém que passou ou "olá" numa festa ou aceitar alguém no Facebook ou seguir nalguma outra rede social. Tudo pode levar a um bate boca. Isso, na medida certa, é bom, mostra que há sentimento. Afinal, não são brigas para ofender o outro, mas para ~ajustar os ponteiros~. Casal que não briga não é feliz, penso eu. Eles vivem uma ilusão que ao primeiro choque de realidade vai por tudo no chão. Discussões não são legais, mas necessárias e devem ser controladas. Ou então o casal corre o risco de sacrificar todas os momentos bons em nome dos ruins.

E tem também as pequenas coisas que vivemos juntos. Algumas horas roubadas num carro, um namoro no cinema, um passeio de mãos dadas... Quanto mais tempo namoramos mais a cidade se fragmenta e se remonta com lembranças.

Enfim, todo um post sem muito nexo, uma confusão de pensamentos que levam a um sentimento apenas. Sei que amo o Henrique e que nunca estive tão feliz. Espero que esteja fazendo-o também. Apesar das intranquilidades eventuais e das paranoias, é com ele que quero passar meu dias e minhas noites. A cada manhã de conversa e noites de encontro isso se reforça. Qualquer dúvida que pudesse existir, sumiu na semana que se passou.

Um bom namoro/namorado faz isso: desperta o que há de melhor na gente e nos faz segurar o que de pior acorda também.

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Das Hipocrisias



Somos hipócritas. O tempo todo. Nas mais diversas situações possíveis.

Diria que no Brasil, mas tenho certeza que por vários outros países (para não dizer no mundo todo), há aquele inconsciente coletivo cria duas leis: a da porta para fora e a da porta para dentro.

Aplaudimos pessoas como Steve Jobs e Bill Gates, que largaram tudo para perseguir seus sonhos. Admiramos suas coragens e bravuras. Mas nunca, jamais, em hipótese alguma esses mesmos que aplaudem os dois gênios da informática apoiariam seus filhos se estes dissessem que vão largar a faculdade para criar algo que ninguém nunca ouviu falar.

Pais de famílias saem a noite a procura de casas de sado-masoquismo. Vão a procura de prazer. Mas são hipócritas demais para aceitar quando suas esposas vão até uma sex shop e voltam com um chicote simples, para apimentar as coisas a dois. Afinal, não se casaram com prostitutas, mas com mulheres bem comportadas. A mãe de seus filhos não pode ter um comportamento destes, só a mãe dos filhos dos outros.

Da mesma forma quando vemos um casal de idades diferentes. Um pai ou mãe solteiros/divorciados acham ok sair com alguém mais jovem, afinal é um preconceito bobo pensar que só porque as idades são diferente não há a amor, que o mais velho só quer se aproveitar. Mas a história muda (e muito!) de figura se são seus filhos e filhas saindo com alguém com mais experiência de vida.

No mesmo saco de hipocrisia também está a aceitação do gays na família. Ter um(a) amigo(a) homossexual é normal e aceitável. Ser pai, mãe, irmão, irmã, tia, tia avô, avó, etc alguém que tem interesse afetivo em pessoas do mesmo sexo não é nem um possibilidade. Não pode e fim. Vai desonrar a família. Claro que a não aceitação de um filho gay também não impede pais procurarem em segredos garotinhos jovens para passar uma noite de prazer.

Além, claro, da hipocrisia religiosa. Essa tirinha aqui, feita por Carlos Ruas para seu site Um Sábado Qualquer (não, ele não está me pagando nada por essa menção :P ) mostra bem isso. Neste caso um católico, mas temos isso em todas as crenças.

Enquanto não tivermos a capacidade de acabar com essa "lei da porta para dentro" seguiremos a ter problemas sérios na sociedade. De saúde principalmente. Quantos jovens não forma pressionados pelos pais a ponto de se tornarem esquizofrênicos? Ou histéricos? Ou inseguros? Vale mesmo tudo para manter uma boa aparência familiar para amigos, conhecidos e todo resto? Aliás, o que é essa boa aparência?

A sociedade é complexa, difícil e muito subjetiva. Viver nela é fácil não. E não precisamos (nem devemos!) dificultar ainda mais impondo regras e proibições para nós mesmo. Ser feliz é mais fácil do que se parece.

terça-feira, 10 de setembro de 2013

Dos Preconceitos



Vivemos em uma sociedade que nos impõe um pensar. Cada cultura tem sua forma de pensar e todos os cidadãos de um determinado lugar são bombardeado com um determinado tipo de informações, moldado a ver a interagir com um mundo de uma determinada forma. Dependendo de onde crescemos, ter um mentalidade livre de qualquer preconceito é difícil. O que muitos fazem é se policiar para evitar dizer algo preconceituoso, e justamente por fazer isso o são.

O Brasil hoje é o país do politicamente correto. Com tantas leis que nos obrigam a controlar nossas línguas, textos e músicas, o governo apenas nos cala, mas não expurga o preconceito da sociedade. Acho até que o reforça.

Mas essa postagem não é sobre as políticas de boa convivência impostas pelo governo federal ou sobre como nós podemos não ser preconceituosos com os outros. Vim aqui hoje para falar a respeito de algo que há muito gira na minha cabeça: o preconceito para com a gente.

Somos criado para pensar de um maneira muito específica. Crescemos achando que determinado comportamento não é certo e não pode ser aceito. Vemos com maus olhos determinados gestos, pois não condizem com que vimos, lemos ou ouvimos, com o que nos ensinaram (ainda que não de forma 100% consciente). Criamos, assim, muros internos que nos reprimem muitas vezes.

Por diversas vezes já ouvi mulheres mais velhas (ali pelos quarenta!) dizendo que amam ballet clássico, que sempre sonharam em fazer, mas não fariam "afinal, não são mais guriazinhas". E quem disse que precisa ser pequena para fazer dança? Não deixa de ser um exercício. E mais: te faria feliz.

Conheci pessoas alternativas, que se diziam cabeças abertas, que diz amar seus amigos gays. Mas quando é o seu filho o, como diziam na novela Gabriela, invertido, aí meus amigos, a historia é outra. Se o filhos dos outros que sair com outros caras (ou a filha com outras mulheres) é legal, tá tudo certo, a pessoa tem é que procurar sua felicidade e não se prender aos absurdos padrões impostos pela sociedade machista. Entretanto, a casa cai se for o seu filho.

Além dos problemas dos pais e familiares de aceitarem que não são tão livres de preconceitos como diziam, que têm essa barreira interna que não os permite aceitar com facilidade, o próprio individuo tem problemas consigo mesmo.

Rapazes e moças muitas vezes deixam de fazer o que querem e como querem por preconceito consigo mesmo. Ainda que usem fortes argumentos em firmes discursos de "eu me aceito, eu me amo, eu gosto de ser assim, ninguém tem nada a ver com minha vida e minhas atividades", as ações acabam mostrando o contrário. Quando chega a hora de se por de frete para tudo e todos e dizer com todas as letras "eu sou gay", paralisam. E não é porque não interessa aos outros, é por medo da reação destes. Mas esconder não vai tornar nada mais fácil. Vai se tornando um segredo, dia a dia mais pesado, pois a liberdade diminui e as mentirinhas ("é só um amigo", "é uma colega de faculdade", etc) crescem.

Mudar isso é um processo lento. Temos primeiro que ter coragem de nos olhar no espelho sem sentirmos vergonha e dizer em voz alta o que somos ou que queremos. Temos que forçar nossos limites cada dia um pouquinho mais, fazendo algo que antes considerávamos impensável e absurdo de se fazer. Não façamos nada por obrigação ("gay fala de forma afetada, então vou começar a fazer isso"), temos que fazer o que nós é natural. Fazer o que faríamos se não fosse gay, como andar de mãos dadas em público (como aquele casal que vi outro dia) ou dar um beijinho inocente na rua ou simplesmente dizer a quem perguntar que aquele cara contigo (ou guria) é o teu namorado/a. Ser feliz, sem vergonha e sem culpa.

É dificílimo se impor frente a sociedade que temos como somos. Mas, acho eu, é infinitamente mais difícil, chato e complicado viver dando de cara nos muros de preconceito que nós mesmos nos impomos. Quebrar essas barreiras não tem volta e pode afastar muita gente. Ao mesmo tempo, aproxima quem realmente gosta da gente, que quer nos ver bem e feliz.

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Das Gentes



Faço hoje, agora mais especificamente, algo que há tempos eu não fazia. Aqui, sentado, no shopping apenas olhando as pessoas percebo como é interessante o ser humano. Todos ou a maioria de vocês já me ouviu dizer como odeio gente, e não é mentira. Entretanto, aqui sentado eu me torno invisível, intocável, e assim admiro e estimo as gentes.

Para mim, sentar aqui é algo terapêutico. O faço por ter muitas coisas bagunçadas na minha cabeça.

Nesse simples exercício de contemplação vi já muitas coisas. A quantidade de casais no Moinhos Shopping nessa ensolarada e quente tarde de quinta não está no gibi. E são todos os tipo de casais, jovens, velhos, héteros e homos.

E aqui peço licença para relatar o que acabei de presenciar. Um casal, dois homens, caminhavam sorridentes aqui, passaram na minha frente e um deles resolveu pegar na mão do outro. Deu para ver o quão inesperado foi para o parceiro o gesto de carinho, ele ficou tenso, chegou a parar de caminhar um segundo, mas aceitou. E eles  continuaram seu caminho de mãos dadas. Acompanhei-os com o olhar e de repente percebi que só eu o fazia. Ninguém mais por aqui olhava. Quem por acaso via não se importava.

Mas não são só esses dois que andam por aqui com os dedos entrelaçados. Há pouco vi também um casal de meia idade assim. Compraram um presente para seu filho talvez e desfrutavam do seu tempo juntos. Tinha ali uma ternura e uma cumplicidade que os anos juntos não minaram. Claramente vê-se que eles vão viver juntos muitos anos ainda. Morrer no mesmo dia talvez, de causas naturais, como Noah e Allie.

Vi também uma dessas mulheres que se-leva-a-sério-demais-para-se-preocupar-com-o-que-veste passar literalmente meia hora namorando a vitrine da joalheria como se resistir a compra a fortalecesse. E outras que nem namoram a vitrine antes de entrar e comprar.

Teve também aquela que fez plástica no nariz. E o que parece procurar pelo presente de desculpas perfeito. Passaram por mim as jovens que passaram o inverno de dieta e agora mostram as pernas magras e alongadas, e se dão de recompensa por tanto sacrífico um sorvete. Também os caras que passaram os dias frios (corajosamente) numa academia e agora podem usar suas camisetas tão justas que chegam a marcar os mamilos. Caminharam pela minha frente os que querem ser para sempre jovens e os que aceitaram as limitações e as rugas que os anos trouxeram.

Vi mães e filhas, pais e filhos, avós e netas, grupos de amigos (alguns de gentes de quinze outros de setenta). Vi gente sozinha, triste, feliz, pensativa. Aqueles andando em círculos no mesmo lugar esperando por alguém de algum encontro, olhando ansiosos para os lados e para a tela se sei lá quantas polegadas do seu smartphone. E vendedores que, por tédio, vão ate a porta das lojas observar o movimento.

De um lado para o outro, subindo ou descendo, passaram por mim pessoas. Gente, como eu, com medos e sonhos e aflições e desejos. Olhando posso apontar um ou outro que estão com a a cabeça virada (como eu). Mas todos estão a sua maneira aproveitando seu tempo livre seu dia de sol. Eu deveria fazer o mesmo. Como já disseram os Titãs, talvez eu devesse ter me importado menos com problemas pequenos, ter morrido de amor.