quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Da Simetria



Foi por 2008/2009 que comecei a refletir sobre minhas ações. E a prestar mais atenção as coisas ao redor. A vida não segue de forma desordenada. Tudo tem conexão.

Pela mesma época sei que não por acaso, conheci O Segredo. Sim, aquele livrinho de auto ajuda que foi best seller por meses a fio e teve edições com comentários da Ana Maria Braga. No mesmo período foi lançada a música Perfect Symmetry, do Keane (aqueles de Somewhere Only We Know - sim, eles têm mais de uma canção!) E tudo foi se juntando na minha cabeça. Talvez não passe de piração ou eu querendo acreditar em algo, mas sinceramente não consigo ver como coisas sem conexão chegaram até mim por meios completamente diferentes dizendo a mesma coisa.

O mundo, a vida, o universo, chamem como quiser, é, de fato, movido numa em simetria. Como já disse Newton: cada ação tem um reação de mesma intensidade e força (ou qualquer coisa do gênero, nunca prestei atenção em física). Tu recebe exatamente o que pede, o que faz.

Não quero entrar aqui em longos detalhamentos sobre O Segredo ou sobre meu modo de ver a vida, mas realmente creio nisso. Seu tu trai, será traído. Se tu ajuda alguém na rua, ajudado será. Se tu tenta ser feliz, feliz será.

A resposta não é necessariamente imediata. Quem vai trazer até a gente o reflexo do que fizemos não será necessariamente a que que recebeu nossa ação. Para tentar deixar claro como eu vejo (e já comprovei o funcionamento):

Ajudo alguém hoje, algo simples, como auxiliar uma senhora a levar as compras do mercado (não Henrique, não me refiro ao Mercado Público nesse exemplo!) para casa, sem esperar nada em troca. Dias, talvez anos depois, um outro cidadão irá de ajudar em algo que tu precise, não necessariamente a carregar compras.

Alguns chamam de karma isso tudo. Eu continuo com o simples "pensamento positivo". Seja legal que serão legal contigo. Não se preocupe em vingança ou armazenar rancor, porque a simetria da vida funciona, e quem te fez mal vai se machucar (talvez até mesmo fisicamente) mais cedo ou mais tarde.

Deseje, acredite e agradeça por tudo que tem, conquistou ou irá conquistar. A vida nos traz o que queremos, ainda que não da forma que esperamos. A nossa realidade é apenas o reflexo dos nossos pensamentos e desejos. O importante também é não viver no passado. Usando o maior clichê do mundo: vamos pensar em fazer um hoje legal para um amanhã muito bom.

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Do Tripé



Azeitona. Borda de pizza. Gasolina. Gasolina de novo. Ilha do Pavão. Churrasco. Piscina. Nova Tramandaí. Blitz. Desmaio.

Foram momentos que, por mais que alguns sejam simples, uniram ainda mais. A intimidade foi (e continua a) crescendo. Mas ela não vem sozinha. Faz parte de um ciclo, um tripé.

Quanto mais intimidade, mais cumplicidade.

Quanto mais cumplicidade, mais confiança.

Quanto mais confiança, mas intimidade.

A sinceridade é a base de tudo. O falar a verdade verdadeira, ainda que ela não seja agradável, ter a confiança para falar qualquer coisa gera mais e mais intimidade. Depois de um tempo juntos, para-se de dizer o que o outro quer ouvir para a simples verdade.

Sabendo o que aconteceu, como e porquê, talvez não na hora, mas logo fica fácil conversar e lidar com a situação. Com boa vontade e bem querer se contorna qualquer problema.

E se fortalece a cumplicidade, pois a honestidade é a base. Confessar um pecado, admitir um erro, uma falha... somos humanos afinal de contas! Isso une o casal, ainda que na hora de por tudo em pratos limpos haja um atrito. 

Confiança. Intimidade. Cumplicidade. Três elementos que dependem um do outro, num clico, um tripé. Conectados pelo e equilibrando o amor.

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Do Calar



Volta e meia chego ao dilema entre o falar, o calar o e (bem) querer. Sou ruim em escolhas, sempre fui. Para mim (e para todo mundo) é mais fácil quando alguém toma a decisão em meu lugar. A diferença entre eu e os outros nesse caso é que eu fico feliz e aliviado por não ter que escolher. Mas quando aquele impasse ali de cima aparece, é comigo o negócio.

Se eu deixar tudo simplesmente fluir, não será nada tranquilo. As situações que me colocam para fazer essa escolha são sempre as que me deixam de cabeça quente. E quando eu estou irritado, tomar uma decisão (acertada ainda por cima!) fica molésimas vezes mais difícil.Simplesmente não é da minha natureza fechar a boca, morder a língua, não falar.

Já tentei por outras vezes nessas situações falar. Foi sempre desastroso. Porque uma coisa puxa a outra e quando vejo já estou falando sobre um outro assunto e irritado.

Já tentei simplesmente demonstrar o querer. Tenar mudar o assunto, falar de coisas carinhosas e encher de carícias. Também sem resultados expressivos. Quando um não quer, dois não evoluem.

Chego então ao calar. E vejo que os resultados são mais satisfatórios. Entretanto, é horrível para mim. É como tentar apagar o fogo de Roma com um regador para bonsai. Ainda mais porque o outro segue falando, colocando comentários. Mas calar é o que dá certo. A conversa não será evitada, claro, apenas adiada. O que já é bom o suficiente para que eu consiga acalmar minha mente.

Uma vez que o forte da tormenta passou, fica mais fácil lidar com o assunto e as brigas ficam mais curtas. Mas se tema me incomoda por um motivo ou por outro, bem a aí a forma como eu vou por minhas colocações não serão as mais polidas, mas pelo menos o assunto não será desviado. Não é tudo, não é o ideal, mas é um início.

O importante é não ficar de mal. E realmente, desde que comecei a calar não lembro de ter dormido de mal. Claro que se o problema chegar de forma virtual num horário mais adiantado, aí não tem muito o que fazer se não dormir com a irritação. Ao menos ela não será tão forte quanto seria se eu abrisse minha boca e despejasse tudo que se acumula no meu peito.

Ouvir, compreender, calar. É o meu novo lema.

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Eu, janela



Vi essa janela da foto numa caminhada, indo de um lugar para outro destino. Achei bonita e fotografei, obviamente. E mais tarde fiquei olhando para ela. Concluí que sou como essa janela.

Olhem bem para ela. Está bonita por fora com essas flores, levemente aberta e simplesmente impossível de se olhar lá para dentro. Podeira ficar o dia todo ali olhando e o máximo que conseguiria ver é o momento em que ela se fecharia, mantendo as bonitas flores ali, mas escondendo seus mistérios.

Sou assim. Dou um jeito de parecer bonito e atraente ao mundo (ainda que não acredite na imagem que tente passar), mas não é fácil saber o que há além disso. Colocar uma escada para espiar o que há do outro lado da janela seria invasivo e ela se fecharia. Sou assim também. Se o clima não me soa favorável, fecho. Se me sinto invadido, fecho. 

Mas não é algo incansável. Com paciência, indo dia a dia para frente dessa janela, escolhendo ângulos diferentes pode-se aos poucos ir descobrindo mais, ver coisas novas, até mesmo admirar o que se posta a observar o mundo lá fora. Assim que sou. É necessária paciência para me conhecer, descobrir o que há além até ser convidado a entrar e enfim, conhecer tudo que existe por dentro.