terça-feira, 30 de setembro de 2014

O Não-Encontro



Não conhecia verdadeiramente o futebol americano até pouco tempo atrás. Devido a um trabalho da faculdade acabei me inteirando de como funciona o jogo. Hoje estou completmente encantado. Finalmente um esporte que eu gosto!

Mas calma! este não é um post sobre esporte, mas sobre um encontro. Ou um não-encontro que tive.

Alguns anos eu ouvi falar da existência do Porto Alegre Pumpkins, um time de futebol americano daqui da cidade. Não dei muita bola. Até que surgiu esse tal trabalho de aula e lembrei novamente da existência deles. Como o site deles estava muito desatualizado, descobri (e farei minha atividade sobre) o Porto Alegre Bulls - ou São José Bulls, realmente não entendi ainda qual é a do nome...

Tendo me tornado da noite para o dia um torcedor dos Bulls, entrei de cabeça no universo do futebol. Descobri, então, que os Bulls participam do Torneio Touchdown. E o melhor: haveria jogo ali na PUCRS! Sábado, dia 27, às 14 horas, entrada gratuita.

Fiquei contente a ansioso. Nunca havia efetivamente assistido uma partida entendendo o que se passava em campo. Na hora em que vi ficou certo na minha cabeça que ia. Mais: que ia acompanhado. Imediatamente tirei uma foto da imagem com dia, hora e local e coloquei como um momento do Tinder. E esperei. E esperei. E esperei. Então, um like. Um like de uma pessoa que não tem foto do seu rosto no perfil e nunca falamos nada. Logo, não foi algo válido. Seguia sem companhia.

As 24 horas que uma foto fica a disposição no Tinder se aproximavam do final e eu amargava a solidão. Quando veio mais um like! De uma pessoa em Caxias do Sul. Verdadeira desesperado, já planejava o discurso que usaria para convidar o cara bonitão que eu ainda sonho sair com. Mas quis o destino que antes de qualquer coisa, viesse mais um like.

Segundo o aplicativo, Calixto (mais um nome ficctício) tem 22 anos e mora bem perto da minha casa. Forte, alto e absrudamente bonito. E ainda tem aquela carcterística física que me atraí de forma inegável: um nariz comprido. Cheguei perto, admito, de quase estar apaixonado. Mas contreolei-me, afinal, nunca nos falamos.

Calixto não ficou apenas no like da imagem. Mostrando ser um rapaz de coragem, perguntou se eu já tinha escolhido alguém para ir comigo. Respondi que se ele estivesse livre, poderíamos ir. Então ficou combinado de encontrarmo-nos no Estádio da Puc às 13:30. Isto foi acertado na quinta-feira. Ainda neste mesmo dia, passei via app me celular, mas Calixto não estava mais online.

Passei os últimos dias da minha semana planejando como seria meu sábado, pois estar na Puc no horário combinado era imprenscindível para mim. Volta e meia dava uma olhada no Tinder para ver se ele comentava algo sobre nosso combinado ou colocava seu número também. Mas a última vez que Calixto ficou online foi na hora do nosso bate papo.

Chegou o grande dia e eu estava tranquilo. Levantei cedo até, assisti televisão, tomei banho, caminhei com o cachorro, enfim, tudo o que uma pessoa faz geralmente aos sábados pela manhã. Quando o relógio marcou 13 horas em ponto, sai de casa. Precisamente às 13:30, eu entrava no Estádio da Puc. O jogo começou com dez minutos de atraso. As arquibancadas estavam cheias. Mas Calixto não estava em lugar algum.

Três horas depois, R$ 60 a menos (comprei uma camiseta para mim e uma para meu irmão menor), um pouco mais gordo pelo hambúrger que comi e 68 pontos contra os Bulls (que só fez 3), o jogo terminou. E a última vez que Calixto esteve online seguia sendo na quinta-feira. Estava chateado, admito. As compras me alegraram um pouco, mas ainda assim havia aquela dor por ter levado o bolo e ter visto meu novo time perder.

O destino, entretanto, me deu um prêmio consolação. Via outro aplicativo, o Brother de Boa perguntou se eu estava pela Puc, se estava ocupado... Foi divertido. Rápido e divertido.

Voltei para casa tranquilo. Feliz até, tirei um auto retrato (vulgo selfie) com minha camisa dos Bulls. Usei a imagem como nova foto do Facebook, coloquei no Instagram e, claro, no Tinder. Meu celular grita horas depois. Notificação de like no Tinder. Calixto curtiu a foto. Nenhuma palavra dita sobre o bolo dado. Nenhuma palavra dita sobre nada, na verdade. Apenas uma curtida.

Desculpa Calixto, mas like não equivale a desculpas. Se é que ele considera isso como um ato de pedido de perdão... A dúvida que fica para mim é: o que leva uma pessoa a não aparecer a um encontro? Quero dizer, é tão complicado assim simplesmente aparecer ali no app e falar "ei, não vou poder ir"? É algo tão simples e educado. Sem falar que garante futuras saídas juntos. Se Calixto vier falar comigo, pedindo desculpas pelo bolo, perdoo a ele sem problema algum, só vou querer saber qual o motivo dele ter me deixado sozinho, no frio, cercado de gente que nunca vi na vida...

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Homens Sabem de Nada



Cleomirtes chegou se sentou ao lado de Eustaciana e de frente para mim. Ela acendeu um cigarro e tomou um gole de Coca-Cola. Havia um ar contente no rosto sempre risonho dela. Eu e Eustaciana trocamos olhares e encaramos nossa amiga. Nada precisou ser dito, ela logo riu e falou:

- Ai gente, estou louca para contar algo para vocês, mas não sei se devo.

- Agora fala! - dissemos os dois.

- Mas é meio nojentinho...

- Fala!

- Estou escorrendo.

Segundos em silêncio seguidos de estridente gargalhada dos três. Cleomirtes seguiu falando como o namorado dela de anos (que chamaremos de Vôncio) está cada vez melhor. Segundo ela, depois de anos, finalmente ele aprendeu como fazer tudo certo, se não o tempo todo, em 90% do sexo.

Aproveitando a deixa, Eustaciana nos conta do seu mais novo encontro resultado do Tinder. Tudo foi ótimo, o esquema de cinema + jantar, ida ao apartamento dele, os video games jogados no clássico Nintendo 64, os beijos, as carícias, as preliminares... Até a hora do sexo efetivamente.

- Não sei, na hora de colocar, não foi legal - disse Eustaciana comendo uma barrinha de KitKat - Ele fez tudo certo sabe, mas quando chegou o grande momento, algo deu errado.

- Doeu? - Cleomirtes joga a pergunta junto com uma baforada de fumaça

- Não, só foi... estranho. Será que sou eu a errada.

Tive então que intervir. Revelei para elas aquela verdade da qual todos os homens sempre querem fugir. Respirei fundo e disse: nenhum homem sabe o que está fazendo na hora do sexo.



Se em uma transa gay, em que são corpos similares, próximos, nenhum dos dois sabe muito bem o que fazer, podendo mais dar dor e incomodo ao outro do que prazer, quem dirá num caso hetero! Não falei sobre tudo que passei com Harvey Dent para elas, mas deixei claro que mesmo sendo homem ele me machucava às vezes, assim como eu a ele.

- Eu nunca tinha a menor ideia do que estava fazendo - disse - Assim como sabia que ele não sabia o que fazia. Mas a gente fazia. Vai indo e olhando para a cara da pessoa para tentar entender o que se passa. É um grande processo de adivinhação. E de sorte.

Elas parecem sincera e verdadeiramente surpresas. Sem querer, desvendei para elas todo o não-tão-complexo mundo sexual de quem tem um pênis. E nem precisei entrar em detalhes que humilhassem o Harvey para que houvesse plena compreensão. Então deixo para vocês aqui também a solução para um mistério da humanidade que a humanidade sequer sabe que tem:

Homens não sabem o que fazer na hora do sexo. E os que acham que sabem são os que mais vão acabar te fazendo sentir dor.


terça-feira, 23 de setembro de 2014

Trauma de Webcam




"Oi, tudo bem?"
"Tudo bem"
"Fazendo o que?"
"Nada de mais... e tu?"
"Batendo umazinha aqui para relaxar hehehe"

Assim que meu ex namorado - o chamaremos de Harvey Dent - começava uma das suas inúmeras sessões de sexo virtual. Nenhuma, entretanto, comigo.

Façamos justiça: ele me chamou umas três vezes em 1 anos e 8 meses juntos. Duas eu acabei aceitando. Uma eu não pude e vim a saber, tempos depois, que isso não foi impedimento para que ele fizesse sexo via webcam.

Desde sempre fui avesso a ideia pura e simples desta câmera online. Ter alguém te observando o tempo todo enquanto se está conversando não é bacana, afinal tu está no computador, tem um mundo de coisas para fazer ao mesmo tempo e não pode ficar dando atenção para a pessoa com quem conversa. Mas quando a câmera está ligada, a atenção ao papo vira prioridade. Maiores intimidades então, pior ainda! Sexting se resolve fácil, enviando fotos mais antigas. Sexo virtual tem que ser ali na hora de verdade.

Nunca entendi porque as pessoas o fazem quando não estão em um relacionamento a distância (e por distância quero dizer um em cada estado/país/continente). E sim, se tu está comprometido seriamente com alguém, fazer sexo virtual com outra pessoa é traição. Ainda que Harvey gostasse de pensar nesta prática (nojenta) como apenas masturbação, eu sempre disse o que isto era quando vim a descobrir.

Foi num repente de insegurança que me fez pegar o celular dele e revirar as mensagens do Facebook. E lá estavam. Sendo um da data em que neguei a ele a interação. Conversamos, debatemos, choramos. Ele jurou que pararia. Durante nosso namoro ele jurou muitas coisas que jamais sequer pensou em cumprir. Em outros momentos em que voltei a fuçar na rede social dele, fui encontrando mais e mais conversas, cada vez mais recentes. Pessoas que ele sequer conhecia pessoalmente, que adicionou apenas para isso e com quem nunca falou outra coisa, a maioria menor de idade. Gente que o conhecia como "tio da punheta".

Esta incapacidade de Harvey de ser fiel online foi um dos grandes motivos que fizeram com que nosso namoro terminasse. Foi também o que me deixou com um verdadeiro trauma e nojo de webcams. E acho que apenas graças ao fato dele usar também plataformas como Skype, Hangouts e WhatsApp, que não peguei asco também do Facebook. Honestamente, se houvesse uma versão do MacBook Air sem câmera, era esta que eu teria comprado (até porque seria mais barata, imagino)

Hoje, solteiro e vendo tudo de forma mais ampla, não compreendo como aguentei por tanto tempo ou porque me humilhei em frente a uma câmera filmadora. Sei que Harvey certamente já está refazendo sua rede de contatos. Sei também que nunca mais farei sexo virtual, não importa o quanto me peçam. Serei estúpido e grosseiro se insistirem, na verdade.

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Um Nobre sem Palavras



O Campus de qualquer universidade é sempre um ambiente repleto das mais distintas pessoas. São milhares de pessoas entre estudantes, professores, funcionários, simples transeuntes. Milhares de rostos que passam apressados e pouco reparam uns nos outros. Quantas vezes tu e o amor da tua vida não se cruzaram pela universidade e não se viram? Ou mesmo quantas vezes será que vocês não se desencontraram simplesmente por tomarem caminhos distintos para contornar um prédio?

Um dos muitos alunos de uma faculdade é Auro. Rapaz de bem com a vida, porém que já se desiludiu amorosamente tantas vezes que já desistiu de tentar encontrar um príncipe encantado. E, num despretensioso dia invernal, ele caminhava a caminho de sua faculdade quando fez uma também despretensiosa parada para fazer xixi. Foi quando conheceu Erick.

A princípio, nada de mais. Uma trocada de olhares pelo espelho e um sorriso malicioso de Erick, respondido por um sem jeito de Auro. Completamente desconcertado pela flertada recebida, Auro sai do banheiro e segue seu caminho. Ele sente, então, um estranho arrepio atrás das orelhas. Algo diz para que olhe para trás. Pouco mais de dez passos de distância está Erick, com o mesmo sorriso torto encantador.

Coração dispara e as dúvidas pululam na cabeça de Auro. Nervoso querendo compreender o que se passa, escolhe dobrar em um dos caminhos nunca utilizados do Campus, onde ficam as gigantescas caixas d'água de um prédio. Auro reduz o passo, Erick acelera. O dono do sorriso torto puxa o nervoso rapaz e o beija. Um beijo intenso, profundo e cheio de desejo, de ambas as partes. Ficam assim por uns bons vinte minutos, até que Erick precisa ir. Sem dizer absolutamente nada, apenas mostrando os dentes brancos.

Completamente abobalhado, Auro repassa os momentos mentalmente e escolhe esquecer. Certamente aquilo não aconteceria. Mas aconteceu. Exatamente uma semana depois. E o mesmo se repetiu na semana seguinte. Sempre da mesma forma, no mesmo local e numa constante falta de palavras.
 
No quarto encontro, respectivamente na quarta semana, ao final do momento agarração, Auro faz algo impulsivo: pega na sua mochila um papel e caneta e anota o próprio telefone. Erick olha e franze a testa para o papel. Os números não são completamente legíveis. Ainda sem falar nada, ele pega a caneta, a mão de Auro e escreve o seu telefone. Então sai, completamente em silêncio. Como sempre.

Auro não está apaixonado, mas ainda assim espera que a semana seguinte chegue logo. Erick - o nome que ele resolveu chamar o rapaz do sorriso torto - talvez não seja o príncipe encantado, mas certamente é um duque silencioso ou mesmo um lorde bem dotado. É exatamente este o tipo de coisa que Auro buscava par si mesmo, algo sem cobranças, sem perguntas, sem incomodações. A princípio, os dois estão como querem: em silêncio, apenas aproveitando.


quinta-feira, 18 de setembro de 2014

O Novo Mundo dos Solteiros



Era uma vez um garoto que era gay e estava ok com isso. Como todo solteiro, foi a uma festa num sábado a noite. Era verão e estava quente. O ambiente fechado estava agradável, graças ao ar condicionado. Mas as músicas não estavam muito boas e do dinheiro levado, só o reservado do táxi ainda restava.

E foi na hora de ir embora que a mágica do destino se manifestou. A multidão se abriu e ali, em um foco de luz, estava o príncipe encantado. "Bonito demais para mim" pensou o garoto "Provavelmente é um hetero que está aqui por acaso". Não era. E ele quis o garoto.

Quando foram ver, estavam namorando há meses. E tudo parecia no lugar e alegre. O príncipe encantado era alguns anos mais velho e os dois estavam perfeitamente confortáveis com isso. Então chegou o dia em que as coisas desandaram, como uma maionese batida a duas mãos. As frases não se encaixavam e o desejo de passar tempo juntos sumiu. O príncipe se revelou um gorducho sapo e o namoro se desfez assim como começou: ninguém disse nada que oficializasse, mas sabiam o que se passava.

Solteiro, nosso jovem herói foi olhar para o mundo solteiro pela primeira vez em quase dois anos. E como tudo estava mudado! Lá, naquele verão em que fora a festa, smartphones eram uma realidade em crescimento (ele mesmo não tinha um). Agora, são verdade consolidada e necessária. Logo ficou claro que conhecer pessoas da romântica forma que os filmes dos anos 80 e 90 ensinaram não existia mais. Percebendo a nova natureza dos (inícios) de relacionamento/flerte/conhecimento, rendeu-se - ainda que sem luta - aos aplicativos.

E são tantos! Tinder, Scruff, Grindr, Bender, Moovz, GuySpy, Hornet, etc.



Escolhido o que parecia mais inocente, fez seu login e esperou. A ideia é simples e instintiva: aperta-se no X vermelho quando não gosta e no coração verde quando gosta. Se os dois se gostaram, voilà! Vocês podem agora conversar via chat.

No início parecia promissor. Rendeu algumas risadas, um ou outro print screen e alguns perfis interessantes. A lógica deste aplicativo acaba se mostrando a mesma de comprar algo: olha, se interessa, dependendo pede informações mais detalhadas sobre o produto e seleciona. Ao final de um dia de uso, 15 haviam também selecionado o garoto.

Um corajoso (e bonito) se aventura no primeiro "oi". Começa então aquele questionário de perguntas desinteressantes, porém servem para iniciar uma conversa. O papo flui, com alguns por menores, mas parece ser algo promissor. Poderia esse ser um novo príncipe encantado? No auge da ingenuidade e sonhos do jovem garoto, o rapaz do aplicativo diz:

"Procuro alguém alto, forte e que se cuide para viver algo legal. É você?"
"Alto e forte... Creio que não :P" - aqui nosso personagem ainda tinha esperanças
"Mede quanto?"
"1.69"
"Baixo mesmo. Tenho 1.78, não vai dar. Boa sorte"

E dessa forma abrupta ele entendeu: assim como tu não compra algo que tu realmente goste, a nova lógica de relacionamentos também não permite que tu tenha alguma imperfeição. Tu é escolhido de uma longa lista de "pretendentes", tens que corresponder as expectativas de personalidade, altura, tipo físico, gostos, voz, até mesmo cheiro se bobear. 

Em quase dois anos, o mundo dos relacionamentos se tornou ainda mais selvagem. Antes era preciso de coragem para se aproximar de alguém e conhecer essa pessoa. Hoje, a aproximação é fácil. O difícil é conseguir alguém sem mentir ou omitir algumas informações sobre ti.

Apesar do soco na autoestima que foi o primeiro contato, idealizador e romântico, o garoto continuou dando likes ou nopes. E entre uma infinidade de rapazes estranhos, bonitos, engraçados, horríveis, conhecidos até, eis que surge ele. Aquele ex da adolescência. O primeiro namorado estava ali, esperando por um X ou <3. Pensando que não daria em nada, foi apertado o botão verde. A tela pisca: ele também apertara o botão verde.

As surpresas estavam saindo de controle. O que o like dele poderia significar? Só havia uma forma de saber: perguntado. Armado de coragem, nosso bravo garoto vai e escreve um textinho engraçado convidando para que, de repente, saíssem. Afinal, não se falavam há anos, poderiam ao menos por o papo em dia. Mensagem enviada, espera.

As horas passam e nenhum sinal de vida. Até que finalmente o ex fica online. E, com uma única ação termina de derrubar a autoestima que já estava ferida. Ele simplesmente mudou de opção, colocou o X para o garoto.

Cruzar com esse mesmo ex na rua, no mesmo dia, algumas horas depois, sem dúvidas é motivo para um cigarro. Ou oito. Sem amor próprio algum, o garoto senta na sua cama, arrasado pelo brutal novo mundo dos solteiros. Olhando para a tela do seu Samsung, onde lê-se Não há ninguém perto de você, uma questão se insinua: haveria agora autorização para fumar? Talvez isso devesse ser ocultado dos próximos corações verdes recebidos...


domingo, 14 de setembro de 2014

Bad Kisser = Bad Fucker



Eustaciana voltou para a vida de solteira. Chato e sofrido o processo. Terminar um relacionamento sempre nos coloca para baixo. Vivemos um verdadeiro luto, com direito as 5 fases e tudo mais. Mas não podemos nos afundar na tristeza e deixar de viver.

Ciente de que era necessário tocar a vida, Eustaciana baixou o Tinder. Após um momento de receio quando ele solicitou para pegar informações do Facebook, ela conheceu o novo jeito de conhecer gente. E foi deslizando o dedo para esquerda diversas vezes e para direita algumas que encontrou um rapaz que parecia ser um bom partido.

Match!

Com a opção de chat aberta e o "oi" dele esperando por uma resposta, ela foi dar uma olhada no perfil. A primeira foto era bem genérica. Um rapaz de 25 anos, cabelos castanhos curtos, sorriso de dentes brancos e parelhos, um efeito de Instagram, pele saudavelmente bronzeada, nariz reto, camiseta azul. As outras duas fotos não revelavam muito mais, apenas uma barriga bem definida e peitoral trabalhado. Chamaremos ele de Cleostrôncio.

Eustaciana e Cleostrôncio conversaram. E conversaram. E conversaram. A coisa parecia promissora. Em um arroubo de coragem às 2:44 da manhã, Cleostrôncio pergunta se ela estaria afim de encontrá-lo no final de semana que se aproximava. Eustaciana aceita e vai dormir, pela primeira vez em dias, com o coração leve.

Dia e hora finalmente chegam. Os dois se encontram e conversam mais. Não é só virtualmente que a química existe. As horas passam como se fossem segundos e o pub em que eles estavam tem que fechar. Por morar perto, Cleostrôncio convida Eustaciana para ir para casa dele.

No elevador, enquanto ela se pergunta se estará louca de aceitar ir assim para a casa de alguém que nem conhece bem, ele a puxa e beija. Mal. Muito mal. Na realidade este entra a vida de Eustaciana como o pior beijo de todos. Pensando que a culpa disto foi do fato de ter sido um beijo roubado e rápido, ela contraria seus instintos e segue para dentro da casa dele.

Um copo de água depois, Cleostrôncio avança de novo. Mais devagar dessa vez. E, agora, não há desculpa: ele não sabe beijar. Ainda assim Eustaciana resolve seguir em frente, afinal, ele pode compensar o beijo ruim na cama. Ela segue em frente, apesar de ouvir a voz de todos os seus amigos que sempre disseram que um cara que não sabe beijar, não sabe foder.

Foram os piores dez minutos da vida sexual dela. Em tese o que Cleostrôncio fazia era o correto, mas não estava certo. Ela não chegou nada perto de sentir o mínimo de prazer, quem dirá um orgasmo! Ao menos não foi doloroso.

Logo que ele caiu na cama, sorrindo com seus dentes brancos e parelhos, com a camisinha cheia ainda no pau que murchava, ela se levantou, dizendo que precisava de um banho rápido. E ficou meia hora debaixo da água quente elaborando uma desculpa para ir para casa.

Após fechar o chuveiro, não levou cinco minutos para Eustaciana dizer que tinha que acordar cedo par viajar para serra e estar na calçada em frente ao prédio esperando o táxi. O telefone dele, tão gentilmente anotado em um pedaço de papel e entregue para ela antes de sair do apartamento, acabou ficando convenientemente sobre a bancada da cozinha do rapaz. Ela deveria ter ouvido aos próprios instintos e aos conselhos dos amigos.

Assim, por todo caminho de casa, Eustaciana foi repetindo mentalmente, como se fosse um mantra: "se beija mal, fode mal". Ela só foi pensar outra coisa quando o perfil de Geronistiano, 32, apareceu no Tinder.

E mais um Match!

Agora é torcer para que com este ela dê mais sorte. Porque tu até pode ensinar um cara a beijar, mas a fazer sexo... Bem, isso não é algo muito ensinável se a pessoa não tem um conhecimento básico.


sábado, 13 de setembro de 2014

Sobre Ter Opinião



Que se passa com a sociedade brasileira? Não sou dado a textos reflexivos sobre a sociedade, mas este será um, até porque talvez esse blog seja o único espaço onde, por ora, posso me manifestar em paz.

Vejo todos os dias as pessoas querendo uma sociedade mais inclusiva, plural e democrática. Porém, isso exclui todos os que pensam diferente. Será que não percebem que ter uma sociedade "avançada" passa sim por ter gente com discursos que não são o da maioria? Não percebem que isso é o que significa democracia?

A constituição nacional de 1988 diz claramente que existe no Brasil o direito a livre manifestação do pensamento. Mas não para estes que pregam a "nova" comunidade inclusiva, plural e democrática. Aí de ti se for contra a tal da causa gay e apontar seus muitos erros e falhas! Não se pode nem sonhar em usar a expressão "ditadura gay" sem receber uma enxurrada de críticas. Agora, diga que que está se instalando no país uma "ditadura evangélica" que receberá aplausos e compartilhamentos.

Concordei com um texto que diz para que determinado pastor polêmico entre com um processo contra certo deputado federal homossexual, uma vez que este político distorceu o discurso do religioso única e exclusivamente para incitar o ódio da comunidade GLS contra aqueles que pensam diferente. Ora, que democracia é essa em que não tenho o direito de concordar com um texto que sugere que um cidadão busque justiça?

Hoje em dia tudo está se tornando crime de ódio. As pessoas não estão interessadas em ouvir todos os fatos e esperar o resultado das investigações. Se a vítima for parte de um grupo de minoria, então a violência sofrida só pode ser por conta disto. Atenção! Não estou dizendo que não existam ações  de dano movidas por homofobia, racismo, etc, apenas destacando que nem tudo é fruto disto. A mídia alternativa - que alimenta essa sociedade inclusiva, plural e democrática - julga antes mesmo da polícia iniciar as investigações. Me digam que faculdade de jornalismo fizeram, pois na minha não há esta cadeira que nos deixa mais rápidos e sábios do que peritos que treinaram anos para identificar provas e evidências. E, até onde me recordo, um dos princípios da profissão é não fazer julgamento de valor, apenas dar as informações para que o leitor tire suas próprias conclusões.

Ainda outro dia, vendo os desenhos que passam na tv, comecei a pensar: o que diabos aconteceu com o mundo? Hoje os heróis das crianças são monstros. Literalmente. Monster High é o maior exemplo: zumbis, vampiros, lobisomens e sei lá mais o que que frequentam a escola. Lembro da época em que os heróis eram personagens como o Batman, que caçava os monstros. E hoje, o Coringa é mais amado que Bruce Wayne. E aí de mim se for ao Facebook e Twitter falar que o referencial das crianças para colégio deveria ser as Três Espiãs Demais ou Doug!

Tudo o que quero, em última instância, é apenas manter meu direito constitucional como cidadão brasileiro de poder discordar do que alguns acham que é o correto. Assim com eu respeito o de todos que são a favor da causa que for. Não precisamos concordar, apenas nos respeitar e aceitar. Afinal, é assim que se constrói uma verdadeira sociedade mais inclusiva, plural e democrática.

terça-feira, 9 de setembro de 2014

Cartas de Amor



Pobre do romantismo nessa era tecnológica! Cada vez mais cartas de amor são substituídas por mensagens de WhatsApp ou, na melhor das hipóteses, e-mails com um título genérico.

Carta de amor é um costume que deveria ser incentivado nas escolas. É algo incrível receber duas, três páginas de texto escrito a mão, com palavras riscadas e, muitas vezes, com um perfume nas folhas. Só de pensar que alguém dedicou tanto tempo de vida para sentar e por tudo aquilo no papel, pensar que uma pessoa sente aquilo tudo por ti, é uma bela de uma bombada de ar no nosso ego.

Mas, como já defendi antes, em outros contextos, é melhor dar do que receber. São dias em verdade pensando no que será redigido, em que papel, com que caneta, como será entregue, como será assinada a mensagem... Escrever uma carta apaixonada certamente constrói um bom karma para gente - e sequer é esse o objetivo.

Talvez apenas os tempos sejam outros, mas fico me perguntando: por que isso está morrendo? Será que as pessoas estão com mais medo de mostrar seus sentimentos? Ou simplesmente não o querem registrado para eternidade?

Quem não tem guardado as cartas recebidas - muitas vezes de forma anônima - ainda nos tempos de colégio? Eu tenho uma ou duas apenas (não que tenha recebido mais do que isso...). É algo gostoso pegar as folhas e reler, lembrar de uma outra época da vida em que namorar era simples, sem essa coisa chamada se sexo para complicar. Mais: trazer de volta a mente um período onde tudo é novo, não existe ex, tudo é "para sempre" e vivemos de vomitar os nossos sentimentos a torto e a direito para o outro.

Ainda que esses textinhos juvenis sejam ótimos para momentos de nostalgia, aos relacionamentos de hoje também faria bem este geto romântico. Mesmo que estajmos cheios de cicatrizes do passado e já tenhamos aprendido que nem sempre o "para sempre" é para sempre, é importante acreditar. E deixar o outro saber como nos sentimos.

Os tempos podem ser outros e o romantismo estar se reiventado, e o arcaico aqui ainda pensando em cartas e envelopes. Duvido, entretanto, que se um destes jovenzinhos que passam o dia mandando mensagens de "eu te amo", "eu te amo mais", "vc eh a minha vida", etcetc por meio eletrônico e que facilmente se perde nas timelines, não iriam se comover e alegrar com um texto a mão. E com perfume!

domingo, 7 de setembro de 2014

Solteiro Sim, Obrigado!



Então aqui estou: solteiro e contente. Eu tenho um internet funcionando a contento, um MacBook que ainda tem o mesmo brilho de quando o tirei da caixa pela primeira vez, um celular funcionando como deve, um reprodutor de DVD completamente novo (que não precisa de nenhuma gambiarra para funcionar), diversos episódios de Sex and the City esperando para serem assistidos, um blog que tem cada vez mais acessos, dinheiro no banco e uma pilha de livros teóricos/sociológicos que muito me agradam. Sinceramente, por que eu precisaria de alguém ao meu lado?

Este é um conceito da sociedade que realmente não entendo. Parece que qualquer coisa que se faça só tem valor, legitimidade se há alguém que não seja parente para dizer "parabéns". As pessoas vão chegando já com o discurso de "em breve irá encontrar seu amor". Não, obrigado. Recém fiquei solteiro, não há chances de voltar e também não quero conhecer quem quer que seja.

O incrível é que foi só eu ficar solteiro para os convites para sair pipocarem por aí. Mais incrível ainda é gente que eu não vejo há séculos - e para quem nunca dei meu telefone - me enviar uma mensagem via WhatsApp! 

Acontece que eu não quero nem ao menos dar uma chance para alguém neste momento. Fazer sexo então nem se fala! Estou celibatário por opção. E feliz, diga-se de passagem. 

Por mais que isso tudo faça com que eu me sinta bastante satisfeito, fica uma pulga atrás da orelha. Nunca fui desejado dessa forma em momento nenhum da minha vida, então não seria errado estar rejeitando um por um? Será que vou receber um castigo divino por estar deixando todo mundo passar, conhecidos ou não?

Vou pagar para ver. Enquanto minha garganta estiver irritada, seguirei recusando gentilmente os convites para sair. E rezando para que, no futuro, ainda haja interesse destes cidadãos em mim. Enquanto isso vou aproveitar ao máximo este período tão meu, tão íntimo e libertador. De certa forma, eu tenho tudo que posso querer.

"Só que, assim, ninguém sabe mim"



Mulheres heteros não querem ouvir que o cara com quem estão saindo é casado. Homens, que elas têm filhos. Gays não querem ouvir: "só que, assim, ninguém sabe mim"

Quando se tem 16 anos, ok ouvir isso. É o normal e há a disposição juvenil para passar por essa fase com aquela paixão. Existem os estresses envolvendo famílias e encontros secretos, mas a idade acha tudo isso interessante, emocionante, apaixonante até certo ponto. A pouca experiência de vida somada a uma onipotência adolescente nos faz engolir um relacionamento pautado pelo segredo. E está tudo maravilhoso.

Aos 18 anos, bom a coisa já fica menos bacana. Mas tudo bem, é uma fase nova da vida. Os dois maiores de idade tem o mundo, literalmente, para explorar. Ao invés de ficarem se agarrando na calada da noite no quarto de um deles ou pelo cantos do prédio longe das câmeras de segurança, agora existem festas ao montes ou mesmo um motel, caso um já tenha CNH. A liberdade que vem com a maioridade legal compensa, por um tempo, o fato de tudo ter que ser secreto.

Com 20 anos esse discurso já começa a soar cansativo. Tudo bem que ainda existe um tanto de coisas que podem vir a ser feitas, novos lugares a se descobrir, porém vão compensar menos e por um período de tempo reduzido o fato de nunca ser apresentado para família ou amigos ou mesmo assumido para a sociedade.

Chegar aos 22 anos e escutar "só que, assim, ninguém sabe mim", faz com que se revire os olhos de forma descarada. Não há mais saco para ficar ali, dando apoio moral, sendo compreensivo e tentando ver o lado bom, aproveitar o máximo do que se tem. Simplesmente chegamos a essa idade em que não há vontade de sentar para ver de novo e mais uma vez a mesma história falida. Até porque já foi aprendido que uma vez que o cidadão resolve assumir sua sexualidade, termina o namoro.

Queria muito entender isso. É como se a pessoa dissesse "ei, valeu pelo apoio aí, por ter sido minha escada para a vida assumida, mas agora preciso mais não. Falou aí, a gente se esbarra". Por que isso hein? Para que sugar toda a disposição e boa vontade da pessoa que só quer o teu bem se quando tu chegar ao teu objetivo vai dispensá-la?

Particularmente, tenho um imã para "só que, assim, ninguém sabe mim". E eles vem nas mais variadas idades, dos 20 aos 40, sempre com o mesmo discurso. Porém minha cota de primeiro namorado nessa vida já estourou. Antes um alguém com um passado firme do que um que não me dá sérias perspectivas de futuro.

Vejo o pessoal mais religioso/conservador dizendo que vivemos uma "revolução gay". Se é assim, por que segue tenta gente dentro dos armários? Estamos praticamente na metade da segunda década do século XXI! Vamos tomar coragem (ou tequila mesmo) e para de sofrer, por favor. Assumam, definam de uma vez sua sexualidade antes de querer se enfiar em relacionamentos, façam esse favor. É o melhor para todos.

sábado, 6 de setembro de 2014

Pequenos Prazeres



Sempre correndo e estressados, muitas vezes nós acabamos nos deixando de lado. Tudo que fazemos passa a ser por obrigação, porque tem que ser feito. É isso, este é o preço que se paga por viver no século XXI e por toda a revolução tecnológica que passamos e ainda estamos passando. Abrimos mão de muita coisa para que prazos, metas, datas, compromissos e cronogramas sejam cumpridos e respeitados.

Essa louca jornada de vida faz com que as pessoas fiquem apenas infelizes e reclamonas. E a coisa toda só piora quando há acomodação nessa rotina. Uma rotina que só tem alívio quando chega o happy hour, onde muitos vão também mais por obrigação de "fazer social" do que realmente querer aquele tipo de divertimento ou mesmo a companhia dos colegas de trabalho.

Pois que a única vantagem da rotina estressante são os pequenos prazeres individuais. Aqueles tão nossos que quando estamos em um relacionamento afetivo, acabamos por deixar de lado. Esta é uma agressão que fazemos com a gente mesmo, uma agressão que só se percebe a longo prazo.

Agora, voltando a vida de solteiro depois de um ano e oito meses me negando determinadas coisas sem nem ao menos perceber, vejo como isso tudo me fez falta. Importante ressaltar que no meu caso e nos casos gerias que trato aqui, não houve obrigação de abandono de nada ou mesmo uma decisão deliberada. São apenas práticas que acabaram sufocadas devido a (falta de) organização das nossas vidas.

Eu hoje percebo como sentia falta das minhas sextas-feiras! A noite, principalmente. Ficar em casa, sem me preocupar em dar explicações ou com peso na consciência por ter ~cortado o barato~ do outro. E da mesma forma, ele eu imagino que sentia falta de ir para o litoral todos os finais de semana.

Mas a vida é mais do que esses sacrifícios em nome de um namoro. É impressionante como ficamos presos a algo que no perturba e não fazemos nada para mudar. Me uso de exemplo mais uma vez: há dias, semanas estou com o celular péssimo. A solução, sempre soube, era simples, mas eu resistia em fazer. Um simples botão reiniciava todo o sistema, como se eu tivesse recém tirado o aparelho da caixa. 

Isso falo de mim, mas cada um tem pequenas coisas que incomodam no dia a dia. Coisas que podem ser resolvidas de forma fácil e prática, basta um mínimo de "coragem". Limpar a área de trabalho do computador, desfazer efetivamente a cama para descansar, se permitir acordar um pouco mais tarde (atrasado que seja), fumar um cigarro sentando no sofá... Cada um sabe de si, mas eu garanto que se todos fizessemos mais coisas que nos dão algum prazer, a sociedade teria mais tranquilidade para lidar com seu stress diário.

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

O Apego



- Não entendo as pessoas que ficam se apegando, sabe, que coisa chata! Se todo mundo fosse mais desapegado, seria mais fácil a vida.

- Pera, vamos falar em bom português: despagado é quem vai, dá e tchau.

Baca e Marjane conversam no almoço sobre o último relacionamento dele e dos problemas daqui por diante. A questão toda girou em torno de que ele quer apenas se divertir agora. Depois de quase um ano em um namoro a distância, com uma ou outra traição, Baca quer aproveitar sua liberdade. E quem pode culpar? Mas nem tudo são flores.

Ele quer sair e ter bons momentos, encontrar uma garota, fazer sexo e fim. Não existem promessas de vida juntos ou mesmo de ligar no dia seguinte. Baca é honesto - ou ao menos não é mentiroso, afinal, não promete contato, porém também não diz que dificilmente haverá algo dias pós o sexo.

E não seria mais fácil se todos entendessem isso? Não é um daqueles jogos de casal do tipo "conheci no sábado, gostei, mas só vou entrar em contato na quarta-feira para não parecer desesperado". É um simples, saímos, fodemos e pronto. Mas o outro não entender isso e, inadvertidamente, fazer planos de uma vida juntos acarreta em problemas.

Baca conheceu uma menina na quinta-feira através de um aplicativo. Tomaram uma Coca-Cola na faculdade e combinaram de sair na noite seguinte. Na sexta, passaram ótimos momentos juntos: uma cerveja num pub badalado, um lanche em um fast food gostoso e alguns amassos em uma rua deserta. Audaciosa, a garota o convida para dormir com ela.

- Mas é só dormir - ela ressalta.

Ela divide apartamento com uma amiga que, convenientemente, está passando o final de semana no interior com a família. No pequeno, porém simpático imóvel, os dois conversam mais um pouco e se agarram ainda mais. Obviamente os dois acabaram na cama. Aquela ansiedade de conhecer um novo corpo, novas zonas erógenas, de fazer bom sexo.

Era tarde da noite quando eles terminaram. E dormiram logo em seguida. A cama era apertada, a noite estava quente e ela queria ficar abraçada. Aos primeiros raios do sol, Baca já estava acordado. Bem como seu pênis. Sexo matinal mais rápido do que o noturno e nem tão agradável para ele, que só queria ir embora escovar seus dentes.

A tarde, Baca dedicou aos seus afazeres. Foi perto das quatro da tarde, doze horas após o primeiro gozo, que recebeu mensagem da garota do WhatsApp. Sem tempo ou paciênica, seguiu sua vida. Mais duas mensagens na próxima hora. Quando finalmente teve tempo para dar atenção a garota, textos quase desaforados perguntando porque ele não queria mais falar com ela. Baca respondeu que esatava ocupado e desde e nunca mais se falaram.

Essa histórinha toda para ilustarar o que digo: para quê tanto apego? Se a pessoa não te respondeu, ok. Qual o objetivo de ficar insistindo e quase ofendendo? Imaginemos que se a garota fosse tão desapegada como Baca. Podemos, assim,  facilmente ver um cenário onde os dois estão felizes e tranquilos, pois tiveram uma noite de sexo agradável. Sem falar na possibilidade de poderem sair no próximo final de semana.

Apego é bom. Claro que é. Mas não podemos ou devemos sair por aí, nos apaixonando por qualquer sorriso torto ou gesto carinhoso. Até porque se agarrar a alguém como se fosse a última pessoa da face da terra acaba cortando as possibilidades de sair com esse alguém de novo e, por que não?, de construir assim uma história de amor.

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Sobre Querer Ser Outro Alguém



Às vezes nossas vidas parecem estar passando em preto e branco. Mas não de uma forma como Casablanca ou Sabrina, apenas sem algo que nos alegre ou inspire. Todos os dias parecem o mesmo e sentimos como se tudo fosse banal. Nessas horas de puro tédio e reclamação sempre tem aquele alguém que diz “ei, você tem tal coisa, muita gente adoraria ter isso”. Sinceramente querido, e daí?

Em momentos como esse, algumas vidas podem começar a se tornar mais coloridas aos nossos olhos do que realmente são. Começa aí um processo de observar com mais atenção em gestos, atitudes, falas, opiniões, ações e modo de viver desse alguém. Talvez a pessoa já fosse um ídolo, talvez ela acabe da noite para o dia se tornando o ídolo de alguém que, até o dia anterior, se sentia figurante em um filme ruim de 1940.

Quando percebemos, existe uma duplicata. O admirador lê os mesmos livros, ouve as mesma músicas e come as mesmas coisas que o admirado. O pensar se aproxima e os discursos se igualam. Até mesmo os problemas passam a ser copiados. Acontece que quem apenas vê, não conhece efetivamente os desafios da vida do outro. O que te soa como charme, algo peculiar talvez, muitas vezes poder ser e é uma luta.

O copiador pode pensar que se o outro, que é alguém tão legal e tem uma vida tão (aparentemente) boa e bacana, pode e consegue, ele também conseguira. Se o outro faz isso e não tem problemas, ele também não terá. Então há aí uma liberação moral para uma série de atitudes que, muitas vezes, são altamente prejudiciais. Até porque existe muita fantasia no meio de tudo isso. Não estamos o tempo todo do lado de quem quer que seja, logo não temos como saber como tudo se passa com precisão e como alguns momentos são preenchidos.

Hoje parece que ter o cachorro dormindo contigo na cama é a melhor coisa do mundo. Afinal, parece tão fácil e mesmo engraçadinho quando é na dos outros, certo? Bem, vendo de fora não se tem os pelos que dão espirros, o stress de ser acordado com o animal caminhando por cima de ti, os "ataques" noturno porque tu enquanto dormia o chutou, as brigas pelo espaço para deitar ou mesmo ter que trocar fronha antes de dormir, pois está fedendo a bicho. E isso tudo talvez seja mais problema do que o admirador queira, possa ou saiba como lidar.

Mesmo se o lance de imitar for só uma fase, é algo que deve ser controlado. E cuidar para que isso nunca mais volte a acontecer. A vida é feita de momentos bons, não tão bons e péssimos. Precisamos saber que cada coisa tem seu tempo. Afinal, nossas pontas em filmes ruins de 1940, vão nos levando aos poucos para coisas melhores. Lembremos que se Marilyn Monroe não tivesse feito figuração em algumas produções, jamais teria chegado ao papel de uma fala em A Malvada e muito menos ao cinema colorido, anos depois.


domingo, 31 de agosto de 2014

Troféus & Monumentos



Uma das melhores coisas quando se está namorando são as lembranças que se constroem. Melhor ainda quando existe material físico destas memórias. É como uma poupança, que está lá apenas para nos lembrar de quando os tempos eram melhores e, quem sabe, nos tirar de um crise no futuro.

Quando o relacionamento encontra seu fim, tudo que sobra são recordações do passado. Camisetas, livros, cds, filmes, jogo de videogame - tudo que um dia o outro te emprestou (e tu nunca devolveu por um motivo ou por outro) acabam se tornando presentes, uma gratificação pelo período que passaram juntos. E está tudo ok com isso. Os próximos namorados podem ficar um pouco enciumados ao descobrirem que aquele livro na tua mesa de cabeceira não é exatamente um propriedade tua, mas é algo aceitável. 

Rever os presentes durante os momentos de solidão da solteirice também é algo sem problemas. Nos ajudam a lembrar que é possível sim que alguém queira namorar conosco. Ou, em último caso, são um ótimo material para que se faça um feitiço voodoo.

Outras coisas, entretanto, se tornam verdadeiros monumentos do nosso fracasso emocional. Tudo aquilo onde houve uma projeção e prospecção de futuro. Onde uma vez existiu planos de uma vida feliz e juntos, hoje existe uma recordação de tudo que deu errado. Para alguns é um anel de compromisso ou uma página nos favoritos do navegador. Sorte de quem tem algo pequeno, do qual consegue se desfazer, desaparecer com um mínimo de esforço. Uma visita a uma joalheria ou ao penhor e plim! O anel de diamante se tornou dinheiro na nossa conta. Infelizmente, meu monumento é algo maior e atende pelo nome de Villa Lobos.

Quem dera de que fosse o compositor. Eu ficaria ao máximo longe de suas (belas) criações e pronto. O meu Villa Lobos é um edifício. Na minha rua. E o único jardim em que meu cachorro consegue fazer seu número 2 sem que sejamos julgados pelo olhar torto de um porteiro ou uma câmera de segurança. (Em minha defesa digo que: 1- fezes são um ótimo adubo para grama; 2- ninguém deve pisar na grama, mesmo que não esteja adubada).

Ok, ninguém me disse que eu poderia ou deveria sonhar e fazer planos para o tal apartamento, mas ainda assim eu acabei fazendo. Passar ali na frente, pelo motivo que seja, faz com que tudo volte. Lembranças de um futuro que nunca aconteceu e de um passado que vai para sempre existir.

Não tenho dinheiro, carisma ou paciência para conseguir alguém que ponha o prédio abaixo. O que faço é evitar ao máximo ir até ali a outra quadra. E me esforçar para esquecer a reforma planejada que jamais será executada.

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Tá na Cara!



Estava eu conversando esses dias com Cleomirtes e Eustaciana (nomes obviamente fictícios). Entre diversas risadas e alguns compartilhamentos de informações um tanto desnecessárias, chegamos ao tópico: vantagens e desvantagens de ser homem.

Foi de comum acordo que ter um pinto é um facilitador em tempos frios, pois não há necessidade de sentar no vaso frio para fazer xixi. Também não existe problema em ir a banheiro público. Sem falar na prerrogativa de poder se aliviar urinariamente em qualquer lugar - por mais anti higiênico que possa ser.

Nas desvantagens foi pontual o item: quando se está excitado é mais difícil de esconder.

- Se bem que tem gente poderia estar sem calças na tua frente que não íamos perceber...

A conversa avança aos risos, quando chegamos a conclusão que Cleomirtes tem um pinto na cara. Explico: quando ela está excitada, é absurdamente visível em seu rosto. Bem a verdade, todo seu comportamento muda. Ela é um pau gigante.

Seguimos no nosso debate e fiquei a pensar: não é algo exclusivo dela ou das mulheres ser tão na cara. Neste mesmo dia, horas antes, estava a trabalho acompanhando uma linda mulher. Um típica alemã da interior do RS, bonitona, magra, alta, com seus 42 anos no máximo, bem cuidada. Estávamos nós entrando em um dos prédios do governo do estado, destes que circula um grande número de pessoas, servidoras ou não. Um homem passou por ela. Foram três, não uma, não duas, mas TRÊS olhadas para ela dos pés a cabeça. Isso só enquanto um passava pelo outro, não sei se ele não olhou mais por trás. Um sorrisinho desejoso em seus lábios e fogo no olhar. Definitivamente, o pau dele tava na cara.

Eu mesmo, mais de uma vez, já tive a atenção chamada por ter me perdido olhando para alguém. Até mesmo com a boca levemente aberta já fui pego. Mas às vezes passa alguém tão absurdamente bonito passa que não tem como não acompanhar com o olhar. Nesses momentos, a mente se esvazia por completo. Por isso que é tão fácil ler em nossos rostos que estamos encantados. E voltar a si é uma verdadeira surpresa, pois não percebemos que estamos encarando descaramente.

Lembro de uma expressão que não lembro se li em uma ficção romântica ou em uma erótica, mas ela dizia qualquer como "ele tinha o diabo nos olhos". Talvez fosse isso que o cara aquele tivesse quando olhou para a bela de 42 anos descendente de alemães. Porém não teve efeito positivo, seja porque ela não estava com vontade de flertar ou simplesmente porque ele era estranho mesmo.

É uma habilidade social, traço de personalidade ou falta de libido não mostrar o pau na cara?

Gostaria de ter essa resposta, apenas por curiosidade mesmo. Particularmente, apesar de já ter sido pego no flagra, não gostaria de perder mais esse pinto.

sábado, 23 de agosto de 2014

Dúvidas, dúvidas!



Existem dúvidas que são maravilhosas, libertadoras. Outras, entretanto, fazem mal e trazem uma ansiedade ruim.

Quem nunca viveu a doce questão: estamos juntos? Naquele momento em que tu conheceu alguém, vocês saíram umas quatro ou cinco vezes e, de repente, sumiu a vontade de sair com outros. E começa a pulga a morder atrás da nossa orelha. São debates mentais, repassando conversas e atitudes, e conversas intermináveis com amigos sobre o assunto.

Isso é incrível, agoniante sim, mas doce. Dá uma nova cor ao dia dia. Nos inspira e, em alguns casos, nos torna em grandes stalkers.

O problema vem quando a pergunta vira. Ficamos com: nós terminamos? Isso aprisiona a gente de forma péssima. Quando a última mensagem recebida foi, basicamente, "a vida é tua. Celibatariamente. Boas festas no final de semana" e a tua resposta foi mandar cagar no mato, o namoro terminou? Não houve contato depois. Não há certeza de nada. É um teste? É um final? É um o que???

Particularmente, já disse isso aqui, odeio coisas indefinidas. Um início ou fim de relacionamento tem que ser dito com todas as letras, via sms, whatsapp, e-mail, telefonema, telegrama, o que for! Como disse Rogéria na propaganda do Bom Negócio, "libera a moita capivara!"

Definição para que os dois possam ir adiante com suas vidas, da forma que der e que for.

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Sobre o "novo divórcio"



Estava eu pela internet, lembrando de um conversa ontem e resolvi fazer um rápida pesquisa. Fui ao site do New York Observer ver se Candace Bushnell ainda escrevia neste jornal. Para quem não sabe, este foi o periódico onde nasceu a coluna Sex and the City, que virou livro, que virou série, que virou filme. E lá entre os colunistas, encontro uma publicada 30 de junho cujo nome me chamou atenção: The New Divorce is No Divorce.

Ignorando a diferença cultural que tem na redação de colunas nos EUA - ou ao menos nesta publicação - devo dizer que fiquei em verdadeiro choque. O autor Richard Kirshenbaum aparentemente também achou essa nova moda nova iorquina um tanto surpreendente. Ele falou com diversas pessoas que praticam esta nova modalidade matrimonial e  redigiu os argumentos.

Pois vamos aos fatos:

A moda agora é ser casado (por causa das crianças, a maioria diz), mas ter vidas e mesmo morar separado. O casal habita a mesma casa, mas cada um num quarto. Alguns, se meu inglês não falhou, saem e encontram com outras pessoas. Afinal, eles só não querem mais fazer sexo, ainda há uma amizade. E mandam presentes em datas especiais.

Sinceramente, que porcaria é essa?! Desculpa, mas essa desculpa aí de "o importante para crianças é que os pais estejam lá quando elas vão para cama" é bem furada. Eu cresci em um ambiente assim, de pais separados que não se divorciaram. Pois que posso então afirmar, teria sido melhor que cada um ter sua casa. Talvez assim houvesse uma amizade ali. E conheço diversos casos de pessoas absolutamente felizes e tranquilas cujos pais se divorciaram.

Essa coisa de apenas morar junto é bem egoísta, a meu ver. Ter que fazer "vista grossa" aos casos do outro, que por sua vez fará para os teus. Me parece, humilhar e aceitar ser humilhado. Então, sinceramente, por que se dar ao trabalho de casar? E quem realmente acha que esse tipo de estrutura é saudável para alguém que está crescendo? Essa moda não é basicamente jogar fora toda a luta e sofrimento das pessoas ao redor do mundo que batalharam para que o divórcio fosse algo ok e livre de preconceitos?

Se tu tem verdadeiramente uma boa amizade com teu cônjuge, mas quer sair com outras pessoas, não tem mais amor, separa de forma amigável. Haverá aí uma relação tranquila que só fará bem para o(s/as) filho(s/as). Não deixa de ser um jeito de ensiná-las que não se pode ter tudo. Mais: forma de ensinar respeito ao próximo e a si mesmo.

Talvez eu seja muito quadrado para entender este novo método de vida. Ou muito jovem. Ou simplesmente muito ciumento. Sei apenas que separação sem divórcio não me parece nada ser nada bom, ainda mais pelo que já vi/vivi a respeito de relacionamentos assim. Vida à dois é complexa, é complicada, é abrir mão de sair com outras pessoas. Mas se nossos ancestrais conseguiam manter o relacionamento, por que nós não conseguiríamos?

P.S.: Pelo que entendi Candace Bushnell não escreve mais para o jornal, mas as colunas antigas podem ser lidas online.

P.P.S.: A imagem deste texto é a mesma que ilustra a coluna de Richard Kirshenbaum e foi feita por Roman Muradov. Espero que eu não seja processado!

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Regras sim, por favor!



Por algum motivo, seres humanos precisam de regras. Mesmo quando a pessoa diz que as odeia e quer ser rebelde, indo contra o sistema, as normas seguem existindo. Afinal, há uma série de comportamentos que a pessoa precisa ter para estar efetivamente contra o regulamento. Bem a verdade é que os rebelados só são contrários a uma regulamentação já definida. A própria sociedade ideal do sonho anarquista é feita de regras!

Talvez perguntando para alguém ou mesmo para o Google eu descobrisse facilmente porquê precisamos dessa forma de organização. Entretanto, não é esse meu foco aqui. O que importa é que na rua temos as leis; na nossa profissão, código de ética; no ambiente de trabalho, política do escritório; as regras de convivência em nossos edifícios/condomínios; e nossas próprias regras em casa. Todas existem em harmonia e nós nos deslocamos entre todas, nos adaptando perfeitamente, ou quase, geralmente.

Me incomoda  profundamente quando as pessoas deliberadamente fazem algo contra o que está convencionado. Se a regra do meu quarto diz "é proibido comer aqui" então não é porque estou fora de casa que está liberado a comilança. O caixa do supermercado diz "até 10 produtos"? Então, por favor senhora, pegue os seus 11 itens e se dirija ao caixa normal.

"Ah, mas ninguém está vendo, ninguém vai saber" - Não! A coisa não pode funcionar assim. Por mais que tu tenha certeza absoluta que a norma está equivocada. Me chamem de quadrado ou algum termo pejorativo qualquer que venha a cabeça de vocês, mas eu sempre cuido para não ir contra os regulamentos de forma deliberada. E juro que tenho dificuldade em entender quem, por exemplo, fuma em locais onde está sinalizado de forma clara que não se pode fazê-lo ali.

Quando o assunto é relacionamentos, claro que acontece o mesmo. Cada casal tem suas próprias combinações. Acontece que, algumas vezes, temos que ignorar e atropelar nossos princípios de como se deve proceder. Seja pelo bem dos dois ou pelo menos da nossa paz de espírito.

sábado, 9 de agosto de 2014

The One



Tudo que mais queremos - ou pelo menos o que a maioria de nós quer - é encontrar o amor da sua vida. Essa uma pessoa que vai arrebatar nosso coração de tal forma que nossa existência passará a ser dela (mas não de uma forma doentia). Aquele alguém que mesmo depois de anos juntos ainda nos arranca suspiros, que quando vemos ao longe sentimos as pernas bambas e um eterno frio na barriga quando o celular vibra, pois pode ser uma mensagem dele(a).

O amor da nossa vida não precisa ser necessariamente um grande amor. Não há necessidade de viver uma história digna de filme da década de 1950 para ser verdadeiro e perfeito. Aliás, perfeito é algo que o nosso one menos precisa ser. Por mais - e quanto mais - ele(a) demonstre suas imperfeições, mais adoramos. Passamos a aceitar cosias que antes pregávamos que seria inadmissíveis, como um gosto musical péssimo ou hábitos de vida absolutamente intragáveis - mas que por ele(a), aceitamos de bom grado.

Mais do que tudo isso: a pessoa certa é aquela que faz com que não sintamos inveja da vida de solteiro alheia ou saudades da nossa. É aquela que nos faz, sem forçar, pensar só nela. Trair - da forma que seja - é algo absolutamente impensável. Por mais calamitosas que esteja a vida a dois, o outro é a única pessoa que tu deseja. Paramos de sentir necessidade de flertar com outros. Afinal, já temos quem queremos e é exatamente quem precisamos. É impossível não querer estar sempre junto desse nosso grande amor. E passamos a viver com uma impossibilidade de não falar para todos que achamos nossa "outra metade". 

E casar com o amor da sua vida provavelmente é a coisa mais incrível do mundo. Certamente a alegria fica palpável. Infelizmente, pouca gente consegue isso. E sempre pelo mesmo motivo:

Tu não é o amor da vida do amor da tua vida.

Não se tem controle sobre isso. Tu não pode forçar alguém a te amar assim como tu a ama. É doido, é sofrido, é o homicídio do amor-próprio investir e insistir nessa relação. Mas como se abre mão de alguém que é o ideal para ti?

Pelo amor da nossa vida, somos capazes de tudo. Tentamos perdoar traições, fazemos o possível e o impossível para estar junto - ainda que isso nos seja exaustivo ou acarrete em faltas importantes em coisas como trabalho e estudos. Mas se tu não é o amor da vida do outro, nada disso vai fazer muita diferença. Porque ali na frente vai haver uma discussão que vai ser pretexto para seja decretado o fim de tudo ou uma traição. E quando tudo acabar, enquanto tu fica sofrendo, o amor da tua vida vai estar com outro alguém. Um alguém que se encaixe no que ele(a) aceita como perfeito para si. E tu vai para sempre - por melhor que seja teu terapeuta - guardar lá no fundo do coração, naquele cantinho que nunca pode ver um eterno "e se...".


quinta-feira, 7 de agosto de 2014

O Que Eu Quero Para Mim



Só o que peço é um futuro. Uma família. Marido, dois filhos no máximo (uma menina e um menino dois anos menor), uma casa com jardim. Pequena rotina; cuidar do bem estar de todos. Vida simples.

Aos verões, conhecer um lugar novo. Férias de inverno, viver um eterno embate: Nova York ou Paris? E já ter ido tantas vezes para qualquer um dos dois, que o grande programa é sentar para tomar uma Coca-Cola observando as pessoas. E falar, sem nunca ter certeza se sério ou de verdade, em se mudar para lá assim que as crianças saírem de casa.

Livros meus publicados, ordenados na estante por ordem de lançamento. E ser esta minha função remunerada. Talvez um trabalho semanal em um jornal, desde que possa sempre exercer meu dever de casa. Afinal, quero o lar como minha maior ocupação. Claro, uma faxineira para dar uma mão algumas vezes por semana ou mesmo uma empregada regular. Mas sonho em eu cuidar das refeições, por a roupa para lavar, uma limpeza mais básica e cuidar do jardim. Não faço questão de uma morada com vista, mas uma piscina sempre vai bem.

Sonho com um futuro onde eu vá a pé ou de táxi (dependendo da distância e do clima) pegar as crianças no colégio. E ajudá-las com os temas quando chegarmos a nossa casa. Perguntar o que querem levar de lanche no dia seguinte e providenciar. Mandar uma mensagem para o marido no trabalho com a lista de compras ou perguntando se ele quer jantar fora.

Comprar os mais diversos utensílios de cozinha e máquinas de cozimento. E usar todas num final de semana chuvoso, preparando quitutes para uma maratona familiar de filmes de Disney no sofá. Ter na cozinha uma torta e colorida pilha de livros de recitas, que raramente serão abertos. Também ter todos os filmes da Disney.

Poder decorar e redecorar a sala de tempos em tempos. Mudar tudo de lugar ou providenciar tudo novo. Fazer isso até cansar e talvez pensar em se mudar, mesmo sabendo que seria incapaz de deixar aquela casa por um apartamento ou outra qualquer, afinal, o jardim não poderia ser levado!

Jardim este que mudaria também. A um canto, uma pequena horta. A principal responsabilidade das crianças, sempre com alimentos da estação. Se houver espaço, uma árvore que dê frutos e com um balanço. Junto as paredes, repolhudos arbustos floridos, mas nada de hortênsias! Flores que, de tempos em tempos, seriam mudadas.

Quero essa vida para mim. Assim pode parecer uma pintura de perfeição, mas claro que haveria de qualquer forma algumas discussões, problemas com as crianças, aqueles dias em que acordo meio para baixo, stress com a empregada/faxineira que quebra o vaso, aquele mês em que a conta de luz vem absurdamente alta...

Não tiro do meu plano de vida os problemas, mas mesmo pensando em todos os que este objetivo pode ter, sigo querendo mais do que tudo, com todo meu coração, essa realidade para mim.


segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Sobre (Falsos) Relacionamentos


Relacionamentos são difíceis. Muito. Mas mais complicado do que manter a coisa toda é começar um.

No mundo dos solteiros, cada um quer uma coisa. É complicado achar quem busque o mesmo que tu (ou algo similar). Talvez devesse ter uma lei universal que obrigasse as pessoas a usarem cores de acordo com seus interesses. Por exemplo: uma faixa verde no braço para quem quer algo de uma noite e nunca mais; preta para quem quer algo mais sério, mas sem compromisso; azul para os que querem compromisso, mas não querem mudar sua vida por conta disto; branco para os que pretendem viver um grande amor e fazer loucuras por ele; e por aí iria. Ou pelo menos que as pessoas não dissessem o que não pensam ou sentem efetivamente. Controlassem suas línguas e não falassem coisas no calor do momento.

Ok, as pessoas podem - como diz aquela frase de Facebook que volta a meia aparece nas nossas timelines - ser responsáveis apenas pelo que dizem, não pelo que tu entende. Mas se tu diz "vem morar comigo" ou "tu é o amor da minha vida" também não reclame se o outro, inocentemente crê. Alguns creem em grandes amores hollywoodianos, então cuidado!



Mas digamos que tu saiu com alguém e disse coisas que não sentia de verdade ou não esperava que o outro fosse acatar, agora tenha coragem de assumir. Nada é pior do que sumir, deixar o outro falando sozinho, planejando sozinho algo que tu deu a ideia.

Importante aí também sabermos ler os sinais. Às vezes o outro simplesmente não está tão afim assim da gente. É chato, é dolorido, é um nocaute na nossa auto estima, mas tem que ser encarado. Pior é ficar se humilhando por um tanto de atenção. E pior ainda é se a covardia de um somados a insistência do outro gera um namoro, que então será capenga e sofrido. Provavelmente cheio de traições também.

A vida já é complicada o suficiente sem ter gente que fala o que não pensa ou sente. A vida já é dura o suficiente sem ninguém nos fazendo sofrer devido a falsa ilusões. Por isso, se cabe a mim dar conselhos a alguém, ficam estes: pensem antes de falar, avaliem antes de propor, não acreditem fácil em ninguém, e sejam fucking honestos em relação a pensamentos e sentimentos.


sexta-feira, 1 de agosto de 2014

Sobre Morrer



Nunca tive medo da morte. Não digo isso para parecer corajoso ou algo do gênero, apenas nunca tive medo de morrer. Muito pelo contrário: a morte sempre exerceu um fascínio em meu imaginário. Ela me atraí, me encanta, me intriga. Sem falar que tem todos os benefícios (ou não) depois desta.

Pois volta e meia penso nesta que é a única certeza da vida. Pela minha mente já se passaram os mais variados cenários de como eu chego ao último final. Natural, acidental, proposital, criminal... Literalmente tudo - tudo - já se passou pelo meu cérebro. E de tanto pensar e repensar e elucubrar e até mesmo sonhar sobre, ontem percebi que a morte para mim soa como algo normal. Ok, é algo normal, mas o que quis dizer é que é algo banal, como comprar pão. Quando se morre, se morre. Fim. Simples. Temos paraíso ou danação eterna pra gente.

"Para a mente bem estruturada, a morte é apenas a grande aventura seguinte" já disse Alvo Dumbledore. Bem, não digo que tenho uma mente estruturada ou que seja um fã de aventuras, entretanto esta frase resume bem como vejo a questão toda: apenas um pedágio que todos temos que passar antes de seguir. É errado ficar pensando sobre? É doentio? Pode até ser. Mas está mais errado quem fica refletindo sobre algo inevitável ou quem perde horas criando filosofando sobre coisas imaginárias?



Talvez pensar sobre a morte devesse ser algo trabalhado em escolas, assim como é educação sexual. Faz parte da existência e temos que estar preparado para quando aparecer na nossa vida, seja pelo falecimento de alguém próximo e /ou querido ou por receber um diagnóstico terminal, por exemplo. Só a religião não penso bastar, pois esta se foca em dar alento a quem vive e estimular as pessoas a serem boas em vida, mas não tira o medo que as pessoas têm da morte.

No Império Romano surgiu uma expressão - em latim, obviamente. Uma frase que foi fortalecida durante a Idade Média, sendo levada adiante pela arte e literatura barroca européias, nos séculos XVI e XVII. Memento mori - lembre-se da morte, em tradução literal. Acho que isso todos deveriam ter em mente. E isto não significa deixar de viver, apenas um lembrete de que algo grande ainda está por vir e que é absolutamente normal.

No fim, apesar de gostar muito mais de Antíoco n'O Conto dos Três Irmãos, acho que eu estou mais para Ignoto.

He the greeted Death as an old friend and went with him gladly, departing this life as equals

quinta-feira, 17 de julho de 2014

So Far Away



Exatamente um mês atrás resolvi me dar umas férias das redes sociais. Facbook, Twitter, Instagram, Google +, Swarm, todos foram escanteados da minha vida e sumiram da tela inicial do meu celular. Não as deletei porque sei que em breve devo voltar, mas não por ora.

Nesse um mês descobri que tenho mais tempo livre que do pensava (o que não quer que tenha feito algo de muito produtivo...). Minha paranoia em relação ao meu namoro deu uma diminuída também. Num aspecto abrangente, minha vida deu uma melhorada devido a esse afastamento que, do nada, resolvi. No geral não tenho andado na felicidade, mas melhorei um tanto.


Por mais que eu saiba que ninguém é feliz o tempo todo e que a vida das pessoas na realidade não é uma maravilha, existe algo que nos diz isso. No caso, o algo são as redes sociais. Sabem aqueles estudos todos que dizem que Facebook deprime? Pois então.

Nunca tentei fingir uma alegria para redes sociais. E sei bem quando as algumas pessoas não são/estão tão (rá! rima tripla) de bem com a vida como querem aparentar. Ainda assim algo se instala no meu cérebro que apesar da não-felicidade existente dos outros, elas ainda são mais felizes do que eu.

Sigo instável, porém acho que mais controlado. Um dia vou voltar as redes sociais. Não sei quando, pode ser amanhã, pode ser mês que vem, pode ser nunca. Espero que depois desse dia eu consiga seguir quase controlado. Mais: que se eu tiver que aparentar alguma felicidade para amigos e seguidores, que ela saja genuína. Porque posso já ter aceitado que não vou ser feliz nessa vida (alegre ou contente no máximo apenas), mas acho que posso ter ainda alguns momentos genuinamente felizes.

E para vocês que chegaram até aqui, deixo essa dica: façam como eu, se deem umas férias das redes sociais. Deixem o Facebook, Twitter, Orkut ( :P ), Swarm, etcetc de lado por um tempo (in)determinado. Existe vida fora das redes. Nem que seja apenas a dos The Sims ;)

terça-feira, 15 de julho de 2014

Paraíso Online



AliExpress, Mercado Livre, Submarino, eBay, Dafiti, Sephora, etcetc. Aos poucos, eles vêm ganhando aquele espaço no meu coração que antes era o Iguatemi, Bourbon, Grupo Multiplan e outros tantos templos de comprar de Porto Alegre e cidades por aí. Comprar online certamente vira vício se a pessoa (no caso não eu) tem um cartão com um limite alto (ou razoável ao menos).

É tão fácil! E a cada vez que me aventuro nas compras via internet, me surpreendo. É tanta variedade, difícil não encontrar o que se procura. E mais! Muito mais! Tem que haver um auto controle forte. Ou um limite baixo no cartão. Lembro da minha primeira compra pelo computador (ignorando ingressos para ver o ballet da Royal Opera House no Cinemark): um case de couro com lanterna para meu Kobo Touch por meros AU$14 no eBay australiano. Demorou dois meses para chegar, vindo de navio de Hong Kong. Tempos depois comprei um moletom da Alemanha. chegou um mês depois mais ou menos. Foi minha primeira aquisição taxada sem verificação pelas receitas Federal e Estadual (paguei mais em importo do que pelo agasalho...).

Enfim, sempre achei o que queria por um preço bom e que foi entregue em um tempo razoável. Mas esta semana tive um desafio Pokémon para as compras online: algo barato, bonito, que prestasse e chegasse antes de quarta-feira da semana que vem. Este último eliminou todas as minhas opções internacionais (também conhecidas como mais baratas). Foi uma jornada por marcas e lojas online especializadas. Foram diversas abas vendo exatamente o mesmo produto com até R$50 de diferença (Americanas.com x Wallmart.com) - e nem quero pensar em qual discrepante seria a diferença na loja física!

Entre diversas possibilidades e relógios que chegavam perto da perfeição (sério, para que strass no aro e/ou bordar coração na pulseira?), finalmente encontrei o ideal para dar de presenta para minha mãe. Entrega em três dias e preço baixo. A perfeição disso tudo fez acender o sinal de alerta. Vieram a minha mente todas as matérias do Jornal Nacional de gente que foi enganada em pechinchas internéticas. Uma consulta rápida ao E-bit e ao Reclame Aqui vi que a MyTime é confiável. Comprei e agora é só esperar.

Deixo aqui meu sincero contentamento com a internet. Não sei porquê não existem políticas públicas para estimular o comércio online! É mais fácil, prático, barato e sem falar que evita o contato humano. Para mim, que cada vez menos sinto vontade de sair de casa e conversar com pessoas, poder ter o que quero e pagar de forma impessoal é o paraíso.

P.S.: recomendando também o app do ifood, para pedir comida sem precisar falar com ninguém (telefonar para pedir comida sempre me da palpitações). Penas que para pagar ainda é necessário interagir com o entregador :/

sábado, 14 de junho de 2014

Dos Objetivos



A vida é feita de objetivos por motivos que não conheço. Para dar um sentido mais tangível a ela, talvez. Mas não importa agora o porquê, apenas que é como ela é, ou ao menos é como nos entregam ela.

Objetivo: Terminar o colégio. 
Objetivo: Entrar numa faculdade. 
Objetivo: Se formar.
Objetivo: Encontrar o amor da vida.
Objetivo: Viajar para tal lugar.
Objetivo: Almoçar.
Etc.

Objetivos de vida são basicamente nossos sonhos. E Deus sabe meus problemas com isso! Quantos sonhos não tive quando menor? E hoje não passam de frustração e recalque - admito mesmo. Mas sobrevivi e consegui de um mar de erros criar uma ou outra meta que consegui alcançar.

E eu aqui, náufrago nesse mar de fracassos, fico agarrado pouco que consegui, para que eu não afunde. É isso apenas o que sei fazer. Ninguém ensina como proceder quando alcançamos nossos objetivos. O óbvio é criar novos, ok. Mas e o que alcançamos, o que está na nossa mão, o que fazer?

Um propósito é, em geral, algo comum, como os exemplos os que escrevi ali em cima. Ok, prático e simples de entender. Nem tão fácil de chagar lá. E muitas vezes difícil de manter. As dificuldades vem. Nunca vejo ninguém falando dos problemas pós-meta alcançada, só dos percalços para chegar lá.

A pessoa vai e encontra o amor da sua vida. Este alguém, entretanto, é, como todo ser humanos, cheio de falhas. São coisas que deixam um sentimento ruim. E aí, o que fazer? Tem que engolir tudo e se conformar por que é o amor da vida ou justamente o contrário pelo mesmo motivo?

E o cidadão que se matou estuando para entrar na faculdade de medicina, mas descobriu que, apesar desse ser seu objetivo de vida, o que precisa mesmo para ser feliz é fazer teatro? Vamos além. Digamos que essa pessoa largou tudo para fazer teatro. E aí? O que fazer depois disso? Melhor: o que fazer com isso?

Talvez eu apenas tenha tido tudo sempre muito fácil na minha vida e não sei valorizar/aproveitar as coisas que conquistei com meu próprio esforço. O fato que tenho em mão é: não sei o que fazer com os poucos objetivos de vida que tinha e alcancei. O melhor que consigo é criar novos em cima deles, porém não sei muito bem como segurar o que tenho para que os próximos não se tornem mais frustrações.

Sinceramente, não quero acreditar que só eu seja assim tão perdido e sem jeito para lidar com a vida da forma como ela foi sendo montada e organizada ao longo da existência da humanidade. Entre sete bilhões de pessoas não posso ser o único que fica perdido por completo ao alcançar um (ou fracassar em um) plano de vida.

Desesperança é o sentimento que rege meus pensamentos de futuro. Justamente porque quando eu chegar lá (onde quer que seja) não vou saber o que fazer. Porque certamente nada vai ser do jeito que pensei que seria quando coloquei como meta. Maior ainda é a desesperança se não tiver nada em mente para daqui pra frente. E a vida não espera a gente conseguir se organizar. Então vou eu seguindo ao trancos e barrancos, decepções e desilusões, frustrações e recalques, apatia e tédio.