quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Inverno x Verão



Sem dúvidas o gosto das pessoas por uma estação ou outro diz muito. Outono e primavera, ali intermediários, flertam com as características do anterior e do posterior, que são os que, a meu ver, realmente dizem e definem muito de quem os escolhe.

Verão é calor. E calor envolve praia, atividade fora de casa, ao ar livre. Tem-se também essa ideia subconsciente de saúde, alegria diversão. Quem penou o ano todo na academia agora praticamente esfrega na nossa cara preguiçosa o belo resultado do seu trabalho duro. As pessoas ficam mais propensas a ficar até bem mais tarde na rua - lembremos que para muitos é um período de férias, logo muito não fazem nada o dia todo ou trabalham bem menos. Vejo o verão como um grande piadista, levemente alcoolizado e com hiperatividade. Um bonachão. 

O inverno vai bem na contra mão. Para muito é a época das gripes e resfriados. Tempos de ficar o mínimo possível na rua. Fazer qualquer coisa que não seja ficar deitado, tapado só com o nariz de fora parece uma tarefa impossível, que exige muito de nós. As silhuetas são destruídas pelo excesso de roupas e os lábios racham. Mas as bochechas ficam coradas pelo vento. Programas à noite só com amores, família e verdadeiros amigos. Se o inverno fosse uma pessoa, ao meu ver, seria um cara quietão, com a cara enfiada num livro que só fala quando realmente acha que seu comentário irá acrescentar algo a conversa.

Sou do inverno. Não dos meio termos outono ou primavera. Aliás, sou contra meios termos em qualquer situação. Cá ou lá. E o inverno é minha escolha. Frio, intimista, anti social. No frio, penso eu, temos mais tempo para nos conhecer e conhecer quem nos importa, para refletir. Até a comida melhora. E o assalto noturno a geladeira não é um sacrifício em busca de refresco, mas uma aventura que tem que ser feita o mais rápido possível para evitar pés congelados.

Amo o inverno. E juro que não entendo gostar do verão. Obrigação de ser feliz, positivo, festeiro, saudável? Não, obrigado. Fico com o frio, onde podemos ser exatamente o mesmo, se esse for nosso natural. Fico com o frio, onde um abraço é ainda melhor, onde o toque não precisa ser rápido, onde o estar colado é mais do que muito desejado. Fico com o frio, porque nada é melhor do que ser aquecido por quem se ama. 

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Forever Young



Um dia você acorda e lá está o primeiro fio de cabelo branco. Os cantos dos olhos começam a enrugar mesmo quando se está sério e as dobras ao redor da boca permanecem visíveis mesmo sem um sorriso. Danny Elfman já compôs "Vai, vai chegar sua vez! A morte virá não importa o freguês! Você pode até se esconder e rezar, mas do funeral não irá escapar" . Mas, em geral, primeiro você fica velho.

E não é qualquer um que sabe lidar com isso. Plásticas, academias, maquiagem, tintura capilar... Formas para (tentar) esconder os anos existem muitas. Mas os hábitos, o linguajar, o jeito, a mente não tem como mudar. Ainda assim, tem que queira ser para sempre jovem.

Amantes mais jovens, drogas, festas talvez. Alguns chegam a destruir seus casamentos para negar que os anos passaram. Tem os que sequer saíram da casa dos pais para não encararem que os anos passaram. Aos poucos, os que tentam se iludir que ainda estão na flor da idade, acabam destruindo as relações que construíram nestes anos todos que viveram. Vão sempre em busca de pessoas com menos experiência de vida para mentir para si mesmo.

Mas faça o que fizer, uma hora tem que se encarar os fatos. Escolher entre viver a ilusão do "ainda estou no auge" e a realidade "meu tempo passou". É deprimente? Sim, mas não precisa ser. Aceitar que seu tempo  de festas e badalos e etc passou faz com que você se encaminhe para os novos desafios de viver. A aceitação também traz para junto quem você quer bem e que te quer bem, que vai te ajudar a seguir.

Seguir para onde? Para frente. O tempo não volta, os anos não voltam. O viço da juventude, quando resolve ir, se nega a voltar. E o jeito é aprender a viver com o que se tem, ao invés de lamentar e passar a vida correndo (em vão) atrás do que não tem mais como ter. 

Claro, não é porque se está velho que você fica obrigado a começar a fazer cursos bestas para passar o tempo ou se vestir com a capa do botijão de gás. Mas algumas coisas, ações, roupas, ambientes que se frequenta, escolhas devem ser atentados ou corremos o risco de parecer ridículos (como a Suzana Vieira). Aceitar os anos é, na minha opinião, a única forma de se manter atraente.