quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Do Perdão













Segundo a gramática perdoar é verbo transitivo (para quem não lembra das aulas de Português do colégio, explico: é um verbo que necessita de complemento). Acho esta classificação errada. Para mim, este deveria ser um intransitivo, como morrer e nascer (ou seja, não necessitam de complemento), afinal quem perdoa, perdoa! O passado deixa de importar.

Errar é humano, perdoar é divino - diz o ditado popular. E tem motivo para isso: é um esforço tremendo de boa vontade perdoar alguém. Significa esquecer a dor que sentimos, deixar para trás qualquer mágoa. Não é fácil mesmo.

Pedir perdão para alguém significa estar verdeiramente arrependido do(s) erro(s) cometido(s) e se comprometer a não faze-lo(s) nunca mais. E muitas vezes temos uma verdadeira cegueira para nosso próprios pecados, maquiando-os com justificativas que sabemos serem fracas. É necessário coragem, disposição, força de vontade assumir uma grave falha e querer mudar. Mas quando o "culpado" o faz, fica mais fácil (não que seja de alguma forma fácil!) perdoar, passar por cima, esquecer, por uma pedra no assunto e jamais voltar a falar disto.

Nem todos conseguem assumir ou mesmo ver seus erros. E perdoar estes é algo dificílimo. Eu, por exemplo, não tenho vocação para Philomena Lee (cujas palavras ilustram este post). Ela conseguiu não guardar rancor ou ódio, passou por cima, foi superior, por assim dizer. É admirável o ato de perdão dela para com pessoas que quem conhece sua história não consegue perdoar.

Todas as religiões (que eu conheça) pregam de uma forma ou de outra o perdão, não só o divino. Fazer isso nos alivia o coração, a mente, a alma. Guardar rancor dói, envelhece, cansa. É um esforço conjunto, do perdoador e do perdoado. O primeiro sempre se compromete a esquecer, o segundo (se arrependido) a nunca mais cometer o mesmo "pecado". 

Perdoar é bom. Ser perdoado é maravilhoso. São grandes esforços emocionais, mas que valem a pena.