segunda-feira, 31 de março de 2014

Gostos, Interesses e Encontros



Em todo namoro existem saídas. Um namoro é na verdade feitos destes encontros. E são muitos. Uns longos e planejados, outros curtos e imprevistos, alguns rápidos que acabam ficando demorados... Enfim, são diversas as modalidades e os períodos de tempo juntos. Alguns são incríveis, outros inesquecíveis, alguns péssimos, um bocado são entediantes. Porém, no auge do amor, tudo nos parece lindo (ou ao menos tentamos fazer com que pareça para que o nosso amado se sinta feliz pela escolha do "programão").

O tempo passa e passa. Os aniversários de namoro vão se acumulando. As diferenças vão aparecendo.  E então todo feliz casal chega a uma chata questão: o que vamos fazer quando nos encontrarmos (ou a variante: onde vamos no encontrar)?

O fato é que depois de um tempo a maioria das coisas simples e legais já foram feitas algumas dezenas de vezes. Surge então uma quase necessidade de mudar, fazer algo novo. E aí temos um grande problema, porque depois de um tempo juntos, deixamos de lado algumas coisas. O fazer o que não queremos é uma delas.

O que fazer ao chegar nesse ponto? Ceder sempre aos programas que não nos agradam? Fincar o pé em algo que propomos e ouvimos não?

Não é agradável a perspectiva de nunca ter companhia para determinadas coisas. Também não é nada interessante fazer o que nos desagrada. No texto ali abaixo chamado Quereres eu dei já uma falada sobre isso: balança dos quereres. O que vale mais para mim, está caminhada sem rumo que dá alegria para quem amo ou ficar sentado no belo e confortável banco com alguém de cara amarrada?

Balança já remete também a resposta mais ampla para a problemática: tem que haver equilíbrio. Não é certo fazer só o que se quer e ficar emburrado quando o outro finca o pé e decide o programa a dois. Se preciso que se crie uma tabela do tipo "eu fui ver aquele filme europeu chato de 3 horas, então tenho direito a três horas para que façamos algo que eu quero". Pode não ser muito ("nada" seria a expressão mais apropriada) romântico, porém pode facilitar e organizar a vida. Além de claramente mostrar gostos e interesses.

Se impedimos o outro da fazer algo, se nos negarmos a acompanhar, a coisa não vai para frente. E não terá futuro. Namoro é um grande e eterno aprendizado. Devemos aproveitar ao máximo. E nos arriscar. Colocar de lado seus "acho que vai ser chato" e "que preguiça de ir até lá", fazer algo por amor e assim, quem sabe, não passar a curtir algo novo e diferente. Experimentar é a palavra. 

Elogio? Para mim?



Para mim nunca foi novidade a dúvida quando recebo um elogio. A auto estima deixou meu corpo há mais tempo do que sou capaz de lembrar. Mas tenho me admirado como essa dúvida parece estar se proliferando na sociedade.

Aqui, em algum lugar sobre Santa Catarina, comecei a refletir sobre. Por que é tão mais fácil aceitar como verdade absoluta um xingamento/ofensa do que um elogio?

Talvez a culpa seja dos nossos pais/avós/etc. Quando somos pequenos não importa o que façamos é sempre lindo para eles. Nossos parentes olham nossos rabiscos à lá Miró e dizem que acharam lindo o cachorro. Cachorro! Um belo borrão multicolorido isso sim.

Ok, essas mentirinhas auxiliam no desenvolvimento da criança, mas acabam criando adolescentes e adultos incrédulos. Deve existir outra forma de estimular a criatividade dos pequenos que não os deixe paranoicos depois. Afinal, um dia chega a vida, olha para o borrão e ri da nossa cara ou xinga ou ofende de alguma outra forma, que faz com que nos sintamos diminuídos.

Eu vejo pessoas realmente incríveis, bonitas e brilhantes que não conseguem se ver assim. Chega a ser triste para mim, vê-las por baixo por terem ido mal em algo e, por isso, se acharem um fracasso. Às vezes a vida, sabe-se la o porque, nos coloca em situações sem esperança. Não por isso deve-se perder o foco de quem se é.

A sociedade tem meios de medir nosso valor. Provas, testes, classificações, etc. As pessoas são mais do que isso. Ir mal numa prova não significa que tu não é uma pessoa inteligente e com um futuro brilhante pela frente.

Crer em elogios, não tem porque não. Dizer que o outro esta exagerando ou negar o que nos é dito, não tem porque. Podemos ficar sem jeito, mas ai é só sorrir, baixar os olhos, dizer obrigado e retribuir, se couber a situação, o gracejo recebido.



Vamos se amar, se valorizar mais gente! ;)

sexta-feira, 28 de março de 2014

Confortáveis



Sem dúvida a melhor parte de um namoro é quando nos sentimos confortáveis. Uma vez passada aquela época onde somos mais criatura do que seres humanos, a coisa fica mais fácil.

A fórmula para chegar lá? Tempo, intimidade. Apenas estando junto por um longo período é que isso se torne realidade. Tanto faz quanto tempo isso demora para vir desde que os dois cheguem a esse mesmo estágio juntos. Um estado de liberdade, autenticidade e compreensão.

Intimidade é algo que tem que se trabalhar todos os dias para ter. Intimidade sentimental, emocional, vamos adquirindo aos poucos, construindo nas pequenas coisas da vida a dois.

Claro, não podemos também deixar com que "a vontade" se torne algo inadequado ou mesmo desleixo. Podemos e devemos apenas ser mais gente, mais natural.

Um arroto acidental, por exemplo. Foi sem querer, aconteceu e, se o casal já esta nesse estágio, não há mais constrangimentos. Pede-se desculpas sim, mas não quer dizer que os dois não possam rir do ocorrido. Agora, o que não pode acontecer é isso se tornar hábito e sair arrotando o alfabeto.

Cada casal sabe de si, este foi só um exemplo que se aplica a minha realidade. O que quero dizer é que nada é mais satisfatório do que ser a gente mesmo com quem amamos, ainda que isso signifique ouvir a falta de talento musical do nosso amor.

quinta-feira, 27 de março de 2014

Mais do que 0 e 1



Meu nome é Rafael, prazer. E aparentemente é só isso que sou/tenho. Ao menos segundo o Google. Como ele é o deus do século XXI, então penso que realmente minha existência para por aí.

Uma pesquisa me mostrou meu rosto, meu Twitter, perfil no Google + e mais umas contas em redes sociais que nem lembrava mais que existiam. E fim. Sequer esse blog, que tanto gosto e que tanto me faz bem, estava lá. Nem mesmo quando procurei "rafael marantes blog". Seria isso uma conspiração do Google para que ninguém nunca chegue a saber quem sou?

Será que para agradar nosso novo deus nos rebaixamos a uma infinidade de zeros e uns (ums?)?

Tenho, admito, uma dificuldade em me expressar verbalmente. Uso esse blog para por para fora coisas que de outra forma ficaria correndo de um lado para o outro dentro de mim. É quase como um confessionário, só que ao invés de me ajoelhar e falar com um padre, escrevo no Blogger. Mas a ideia é a mesma, a de lavar a alma, ficar com a mente tranquila. Mas para o deus Google não importa o quanto eu me curve ao padre Blogger, vou seguir sendo nada mais do que 0010101010111110101.

Claro, dar meu contato de Twitter é de certa forma dizer quem eu sou. Porém, tenho certeza que sou mais do que a série de bobagens que escrevo com 140 caracteres. Afinal, de cada 10 tweets meus, um é algo realmente útil. E provavelmente é um RT que dei na Veja.

Quero ser, eu sou mais do que uma série de contas em redes sociais (ativas ou não). Sou mais até mesmo do que este blog. Mas, para termos de internet, este é o mais real que posso ser, tanto que é meu nome de verdade ali na url. Às vezes até mesmo chego a ser mais real aqui do que no dia a dia, quando algo simplesmente não consegue ser posto em palavras ou a rotina me engole em uma série de ações e pensamento rotineiramente mecânicos.

quarta-feira, 26 de março de 2014

Felizes para Sempre?



"E eles viveram felizes para sempre" - assim terminam os contos de fadas. Entanto, só o que sabemos é que o príncipe e sua amada recém haviam se conhecido e mal deram seu primeiro beijo de amor verdadeiro.

Como afirmar que Aurora e Felipe foram felizes? E Branca de Neve e o príncipe? Ou Cinderela e o encantado?

São relações de amor, baseadas no sentimento. Isso certamente é o bastante no principio. Mas e depois, pode um casal sobreviver só de bem querer? Sem nenhum interesse, sonho ou plano de futuro em comum? Até onde o amor por si só basta?

Cada casal sabe de si, entende e cria suas próprias regras. Se submetem ao combinado. Assim pretendem seguir juntos, na busca de ficarem juntos até que a morte os separe. Ou então o excesso de diferenças.

Se um abre mão de tudo o que quer, deixa de ser um indivíduo. E por quanto tempo uma pessoa consegue suportar essa situação?

Tem que sentar, conversar, tentar alinhas ponteiros, mas se um quer ir para o polo norte e o outro para a Bahia, tem como conciliar?

Amor não enche barriga, dizem as pessoas. Eu digo: amor não alimenta. Um corpo tem necessidades mais do que apenas físicas/fisiológicas que precisam ser saciadas. Sonhos, esperanças, planos. E o objetivo da vida, creio eu, é alguém que ande ao nosso lado nos ajudando a chegar lá e sendo ajudado por nós.

Até quando se pode ser feliz para sempre se um não apoia o outro?

segunda-feira, 24 de março de 2014

Síndrome de Julieta



Julieta Capuleto, 13 anos, mocinha virginal, preciosos olhos de noz moscada, filha única cuja trágica história de amor todos conhecemos. Um romance secreto. Muito adequado para idade dela e do "seu Romeu" (17). Falta de coragem da parte dela.

Quando se está na (pré)adolescência ter um namoro secreto é comum. Quem não teve? Inventar desculpas para nossos pais para sairmos e passar a noite fora. Mas conforme os anos vão passando percebemos o quão sem sentido é isso. Nos damos conta que não é preciso coragem para nossa família que estamos com alguém, só o que necessitamos é ser verdadeiros com nossos sentimentos e com quem estamos namorando.

Mas as vítimas da Síndrome de Julieta são incapazes disto. Se deixar, assim como a trágica personagem, estas pessoas casam contigo em segredo. Síndrome de Julieta deve ser cansativo, é uma verdadeira vida dupla. Sempre tem que estar penando para encaixar um encontro com quem diz que ama ao longo do dia. O tempo juntos é sempre apenas uma horas roubadas.

Apresentar para família, celebrações com parentes, favores de familiares, nada disso fará parte da realidade de quem acaba se envolvendo com um(a) neo-Julieta. Sempre haverá um distância segura entre você e a família dele(a). Sempre haverá um desculpa esfarrapada para manutenção desta área que, não se engane!, só vai crescer mais e mais.

Julieta basicamente deixou tudo nas mãos de Romeu. Entretanto, nem todo mundo tem vocação para Romeu. Ou tem a sutileza dele. Se bem que até era compreensível a paciência que ele teve com sua amada, afinal se conheceram no sábado à noite e casaram na segunda-feira.

Se cabe a mim dar conselhos a alguém dou estes:

Neo-Julietas: as pessoas, por mais que vocês as amem, não vão suportar essa situação humilhante para sempre. Não façam isso. Tomem coragem e assumam seus sentimentos.

E para os demais, fujam. Se encontrarem um neo-Julieta fujam antes que tu passem a amar essa complicada pessoa que quer para sempre te manter na sombra. Uma vez que vocês se apaixonaram, aí percam as esperanças, nunca vão deixar essa relação e vão sofrer. E muito.


sábado, 22 de março de 2014

Do Escrever



Não é fácil essa coisa de escrever. É um verdadeiro inferno na verdade. Um vício, uma necessidade, uma agonia.

Muitas vezes temos a ideia perfeita para um post, conto, livro, poema, mas não temos onde escrever na hora. Mas existe essa coisa dentro da gente que nos compele a pegar uma caneta e anotar o máximo possível no verso de um cupom fiscal.

O que acho mais relevante é onde escrever. Não importa se a ideia é boa, para mostrarmos para os outros tudo precisa estar organizado. Para alguns qualquer lugar é lugar, qualquer computador é o certo. Eu não penso assim. Posso até mesmo criar em meio a mais completa bagunça, mas onde estou juntando as palavras faz toda a diferença. Não é qualquer computador em que me sinto à vontade (esta palavra é fundamental!) para postar.

Esse dias baixei o app do blogger, mas apenas para ir anotando as principais ideias, as minha diretrizes para um post. No meu celular me sinto confortável para postar, infelizmente o app é limitado e não consigo fazer coisas que, para mim, fazem diferença (a imagem ali em cima do tamanho certo, texto justificado e espaço entre os parágrafos). Por essas e por outras que conclui que preciso de um computador novo. O meu Megaware é muito simpático, mas já está com a memória cheia, devagar e não conecta mais via wi-fi.

É hora de mudar. Evoluir. Me inspirar mais. Só falta a grana para isso.

quinta-feira, 20 de março de 2014

Quereres



A vida é cheia de coisas que queremos. Eu queria estar escrevendo esse post em um charmoso apartamento em Paris, com vista para Torre Eiffel, tomando um Bellini enquanto meu marido trabalha a algumas quadras de distância e nosso jantar esta assando no forno. Mas não é desse tipo de querer que falo.

Existem coisas extremamente possíveis em nossas vidas. O que parece impossível é conciliar os quereres de duas pessoas.

Muitas vezes num relacionamento a balança doa quereres tem que sair do armário. Muitas vezes o que um quer o outro não. Mas pior do que quando a resposta é negativa, é quando ele diz "está bom assim".

De quem é a culpa nesses casos: de quem quer mais ou de quem se acomodou?

Às vezes o que queremos é algo que nos soa banal e simples. Não há porque negar. Outras vezes somos nós que dizemos não. E por que é tão mais fácil negar algo para manter tudo como esta, mas é tao difícil de ouvir o mesmo pela mesma razão?

Cada pessoa traz algo para um namoro. E cada um tem uma ideia do que seja uma relação a dois. Por isso existem esses quereres (como ir jantar num determinado lugar). Sempre achamos que sabemos o que é o mais correto.

O maravilhoso de um namoro é justamente essas diferenças. Isso faz com que cada relacionamento seja especial. Faz com que um fique mais especial e único para o outro. É tudo uma questão de saber ceder e de dizer não. Equilíbrio de quereres.

quarta-feira, 19 de março de 2014

O Primeiro Amor



Primeiro amor é algo sempre engraçado e dramático (para quem vê de fora e para nós mesmos anos depois). Meu irmão de 13 anos está com sua primeira namorada. Sinceramente não sei o que fazem ou já fizeram e nem faço questão de saber. Mas estar perto de alguém na primeira paixão me fez repensar minha vida amorosa.

Minha primeira namoradinha foi na creche ainda. Ali já se podia ver um padrão na minha vida: eu namorava com ela, mas até hoje não sei se ela namorava comigo (e acho que não). E até a quarta série foi um festival de namoradinhas, nesse período da vida em que namorar significava apenas passar o recreio juntos e sempre ter dupla para os trabalhos em aula. Anos depois eu confundi sentimentos e fiz uma verdadeira bagunça da vida de duas gurias realmente muito queridas (e espero que um dia possam me perdoar).

E depois de tudo isso tive meu primeiro namoro de verdade. Havia um mundo de coisas para aprender e uma infinidade de coisas sobre mim mesmo que não sabia. Tudo na primeira paixão é intenso, não sei se é por ser pela primeira vez ou pela idade que tínhamos (no caso, 16). Tudo é para sempre e existe aquela sensação de que juntos pode-se enfrentar o mundo - e muitas vezes os jovens enamorados saem brigando com todo mundo para ficarem juntos, vide Romeu e Julieta.

Diz o dito popular quem ninguém casa com o primeiro namorado. E isso tem seu fundo de verdade. Com 13, 15, 16 anos simplesmente não temos maturidade para lidar com uma série de coisas que fazem parte da vida à dois. Quando nos apaixonamos, caímos de amores por uma ilusão. Fantasiamos a pessoa, a vida juntos e a ração de todos. No momento em que tudo começa a ser real, quando paramos de ver nosso primeiro namorado como queríamos que ele fosse para vê-lo como é, a magia se vai e leva junto a "amor eterno e verdadeiro".

E dessa coisa toda sobram as lembranças, memórias que só nos permitimos visitar anos depois. Acho que ninguém verdadeiramente supera seu primeiro amor, principalmente se não foi tu quem terminou tudo. Mas é importante saber que aquela pessoa só existe na nossa cabeça, não era, não é e nunca será real. Caso o contrário vamos cair naquelas situações de filmes onde a pessoa larga tudo para ir atrás de um amor de anos atrás, vê que a pessoa é uma merda e tenta recuperar tudo que abandonou. Eu não largaria meu namoro de hoje para correr atrás de uma ilusão vinda do túnel do tempo.

Quanto a meu irmão, espero que ele seja o primeiro a perder as ilusões. Nada é pior do que um coração partido pelo seu primeiro amor, mas me parece que é mais fácil acabar com as ilusões de alguém do que ver as suas serem estilhaçadas. Assim talvez seja mais fácil e demore menos para ele apreciar com carinho suas lembranças desse período e não queira nunca voltar com essa menina.

terça-feira, 18 de março de 2014

Relashionshit, relashioncheat



Por que algumas pessoas traem? E o que é efetivamente uma traição?

Já ouvi que "se não há penetração, não há traição". Por mais cômica que essa rima seja, tenho que polidamente discordar.

Acredito que os chifres aparecem na cabeça de alguém quando algo some do namoro ou casamento. E nem sempre é o sexo que desparece, por isso que acho que traição é algo bem mais abrangente do que uma questão de penetração.

No início, quando duas pessoas estão se conhecendo, é tudo sempre muito bonito. Há flerte, troca de olhares, sorrisos encabulados, expectativas, dúvidas. Existem beijos roubados e torrentes de elogios e de carinhos. E o tempo passa e passa. Por um motivo ou por outro alguma dessas coisas pode ir sumindo, afinal vocês já estão mais acostumados e confortáveis um com o outro. Fica aí uma lacuna. Às vezes suprimimos algo e não colocamos outra intimidade no lugar. Carentes de algo, alguns vão atrás do que lhes falta.

Claro, tem que traia só por trair, por egoísmo ou qualquer coisa, mas estes casos não vem ao caso. Aqui falo de quem erra e se arrepende assim o que faz, de quem quer acima de tudo manter seu namoro ou casamento. E ao ver ou saber dessas pessoas eu me pergunto: ok, entendi teus motivos, mas não compreendi por que não se conversou com quem amas?

Qualquer relação é baseada nisso: conversa. Abrir problemas, ouvir problemas. E levar os diálogos a sério. Um relacionamento é algo extremamente complexo, com altos e baixos, exige tempo e dedicação. Sinceramente duvido que alguém que realmente queira se manter-se ao lado de quem ama vá se fechar para uma conversa sobre o "nós". Estará aberto a ouvir a queixa, entender quando e porquê começou essa carência de algo, e solucionar o problema.

Um bate papo franco, sincero e direto pode salvar um namoro, poupar dores e xingamentos e raiva. Não tem porque trair alguém que se ama. Não há justificativa para isso. Perdão? Bem, se isso já é uma decisão particular.

segunda-feira, 17 de março de 2014

Vamos Falar de Sexo



A grande maioria das pessoas (porque sei que não posso falar todas) têm um interesse quando o tópico é sexo. Elas param, prestam mais atenção a conversa. Uns de forma mais discreta, tímida, outros abertamente interessados e falando cheios de animação. E o interesse parece mais do que dobrar quando a coisa deixa de ser teorias e ideias para experiências e experimentos.

Mas por que nós temos tanto interesse na vida sexual dos outros?

A resposta que me vem é que inconscientemente queremos alguma espécie de aprovação. Queremos ter a certeza de que o que fazemos na nossa intimidade não é estranho ou bizarro. Por mais que sexo seja um coisa normal, nenhum de nós sabe exatamente o que fazer na hora H.

Sexo é natural. Animais fazer isso e está tudo ok. Instinto rege a coisa toda. Mas o ser humano não é uma criatura instintiva. Gostamos de racionalizar as coisas (e nos orgulhamos de ser o único animal racional). O problema é que nesse balaio de gato de coisas a serem sempre compreendidas entrou a relação a dois (ou mais).

Escutar alguém falar um pouco de suas peripécias, problemas, dúvidas, angustias, curiosidades ou mesmo dicas de certa forma traz um conforto que não é racionalmente captado. Percebemos que o que fazemos não é algo esquisito. E podemos até mesmo nos aprimorar, aprender com uma bate papo informal.

É algo muito importe o sexo. Afinal, tudo o que mais queremos é achar alguém que goste tanto da forma como fazemos que não vá mais querer procurar (ok, tem outros motivos envolvidos nessa escolha por uma pessoa, mas o sexo ajuda muito a decidir). Por isso qual o pecado de perguntar a quem está disposto a falar? Qual o erro em conversar com alguém quando temos um dúvida? Que tem de errado em pedir socorro em um momento de angustia? Qual o problema de querer esse tipo indireto de confirmação de normalidade?

Fazer amor, transar, foder, o nome que for, é algo de extrema intimidade. Se estamos com alguma espécie de receio sobre nós mesmo, inseguros, não vai ser bom. Para o outro talvez seja ótimo, mas só tem graça quando é para os dois, penso eu.

sexta-feira, 14 de março de 2014

O Novo Cigarro



Um dia, em algum local público qualquer que esteja repleto de pessoas, olhe ao redor. O número de pessoas sozinhas olhando para as telas de seu smartphones (ou mesmo de celulares não tão smarts assim). E certamente muitas delas estão olhando pela centésima vez a sua timeline do Instagram que não é atualizada há três horas.

Agora pouco estava ali no saguão da minha faculdade, observando as pessoas no seu intervalo (meu eterno recreio). Todos que não estavam com amigos, mexiam nos seus telefones. Uma forma sem dúvidas de passar os quinze minutos sozinho parecendo, para os outros, ocupado.

E então comecei a pensar: seria o celular o novo cigarro?

Um tempo atrás conheci uma moça que dizia que fumava não por gostar, mas pela companhia. Ela - cujo nome nunca soube - me contou no meio da zoeira de uma festa que quando chegava mais cedo na sua faculdade - que também não sei qual é - e não encontra ninguém conhecido, acende um cigarro para não parecer solitária. E foi efetivamente isso que vi hoje: muitos sozinhos não querendo parecer solitários (bandonados?). Pouco fumantes, muitos no telefone.

Será que se tirassemos a tecnologia dessas pessoas elas iriam correndo fumar? Ou será que começariam a tremer e suas, numa crise de abstinência? E por que as pessoas têm tanto problema em serem vistas sozinhas em algum lugar cheio de pessoas? E por que numa cidade como Porto Alegre de mais de 1.4 milhão de pessoas alguém fica sozinho?

"O ser humano é um animal social" disse um filósofo grego anos antes de Cristo (Aristóteles?). Não acho que seja fracasso pessoal simplesmente não estar cercado de pessoas. Até porque muitas vezes, mesmo com pessoas ao redor, estamos completamente sozinhos.



quarta-feira, 12 de março de 2014

O Príncipe Não-Tão-Encantado



Já falei aqui uma vez ou outra sobre as fases do Amor (sim, com maiúscula). Cada uma dura um período de tempo - meses, anos - mas nem sempre se consegue sair de uma para outra de forma tranquila. Outras vezes sequer se consegue chegar na próxima. O fato é que são três. A paixão, o amor romântico e o amor companheiro.

Sobre paixão, nesta eu já sou phD. E mais de uma vez já falei sobe ela. É onde tudo começa, a magia de se apaixonar. Quando a gente olha para alguém e tem certeza que é o nosso Príncipe Encantado. Tudo que ele diz faz é lindo e certo. Queremos estar mais do que 24 horas colados nessa peça única de perfeição que achamos num mar de gente num festa qualquer. E durante a paixão idealizamos o outro, projetamos muita coisa. Um simples "eu gosto de cinema" faz com que nossa imaginação nos leve a futuras preguiçosas tardes chuvosas de baixo de um edredom, assistindo um filme em preto e branco e recebendo uma aula sobre os atores, o diretor, os produtores, a trilha sonora, etc. Obviamente, nessa fantasia que pego de exemplo, estamos nós lá, bebendo cada palavra, a cada sílaba mais apaixonados.

Enfim, conhecemos alguém, imaginamos com esse alguém é e aceitamos o namoro. E o tempo passa. No dia a dia vemos que o "eu gosto de cinema" era um na verdade "eu gosto de IR ao cinema" ou mesmo um "eu gosto de filmes". As tardes de baixo do edredom com a versão estendida de Casablanca somem no horizonte. Ao poucos vamos, literalmente, nos desiludindo. O cara que pensamos ser um Príncipe Encantado é, na verdade, uma cara comum. Que erra tanto quanto nós, que tem hábitos irritantes e interesses que nos desinteressam. A fantasia se desfaz. É o fim do período da paixão.

E a prova de fogo. Alguns acabam aí. Namoros não vingam, se desfazem como se nunca tivessem existido. Por outro lado, uns dão certo, conseguem prosseguir.

O período de transição nem sempre será tranquilo. É quando fazemos um balanço de tudo. Vemos o que achamos que tínhamos (e teríamos) e comparamos com a realidade. E temos que ouvir nossos sentimentos para entender se o que sobrou é o "suficiente", digamos assim, para seguir juntos. É a hora de nos darmos conta se temos um Príncipe Não-Tão-Encantado ou apenas um sapo qualquer.

E quando se escolhe seguir, vem o amor romântico (que não necessariamente é um período que irá terminar). Aqui não há mais a necessidade do grude. A confiança cresce e se solidifica. Tudo é levado mais a sério. E, bem, não tenho como falar muito mais, pois não sou experiente nessa fase. Sei que cheguei nela de forma truculenta e cansativa. Agora é seguir e manter.

Quanto ao amor companheiro, só sei o que dizem os teóricos: é quando casamentos acabam, pois os amantes se tornam companheiros de quarto e não conseguem voltar ao amor romântico. Nunca cheguei a essa fase e espero de todo meu coração nunca chegar.


sexta-feira, 7 de março de 2014

Relacionamento é Egoísmo



Ter um relacionamento com alguém não seria a coisa mais egoísta do mundo? Quero dizer, nós basicamente conhecemos alguém, idealizamos aquela pessoa, despejamos sobre ela todas as nossas carências e angústias (essa maldita carga dos relacionamentos anteriores) e ainda queremos que seja única e exclusivamente nossa, que não olhe para o lado.

O quão justo tudo isso é com o outro?

Claro, podemos aqui dizer que "cobramos" isso tudo, mas pagamos o mesmo preço. Exigimos que lidem com nossos demônios porque temos que lidar com os do outro. Vamos deixar este olho por olho de lado por ora.

Por mais que nos controlemos, sempre há um resquício de dor do passado. Se o namoro/casamento/etc anterior (qualquer um dos anteriores) tivesse sido perfeito, não teria acabado. Essa chaga, ainda que cicatrizada, existe. E quando alguém começa a entrar em nossas vidas, um dia vai tropeçar nela ou então nós mesmo vamos jogar na cabeça do outro essa carga emocional toda. No mundo da fantasia o novo amor lida com isso de forma tranquila, dependendo muda algo no seu jeito e tudo segue à perfeição.

A realidade são lágrimas, vozes alteradas e soluços. Ok, talvez lágrimas e soluços seja algo mais extremo, mas uma "discussãozinha" há de acontecer. Porque tudo o que tu quer é que a pessoa aceite teus problemas e lide com isso da forma menos dolorosa para ti.

É egoísmo sim, e muito! Exigir que alguém cure teus traumas, resolva teus problemas. É egoísmo esperar que alguém aceite teus problemas de forma tranquila quando nós temos dificuldades quando os papéis se invertem.

Mas é o que fazemos. Todos. Cultura? Não sei, não dizem que as leis do amor são universais? O fato é que todo casal um dia vai chegar a esse momento de encarar as cicatrizes um do outro. E infelizmente não há um forma, uma receita de como passar por esse(s) período(s) de forma tranquila ou com resultado satisfatório. Bem a verdade é que dependendo do que for apresentado, o fim do namoro/casamento/etc é a única saída para que possa haver felicidade. Cada casal tem que achar seu modo único e singelo de lidar com as adversidades "do passado".