sábado, 14 de junho de 2014

Dos Objetivos



A vida é feita de objetivos por motivos que não conheço. Para dar um sentido mais tangível a ela, talvez. Mas não importa agora o porquê, apenas que é como ela é, ou ao menos é como nos entregam ela.

Objetivo: Terminar o colégio. 
Objetivo: Entrar numa faculdade. 
Objetivo: Se formar.
Objetivo: Encontrar o amor da vida.
Objetivo: Viajar para tal lugar.
Objetivo: Almoçar.
Etc.

Objetivos de vida são basicamente nossos sonhos. E Deus sabe meus problemas com isso! Quantos sonhos não tive quando menor? E hoje não passam de frustração e recalque - admito mesmo. Mas sobrevivi e consegui de um mar de erros criar uma ou outra meta que consegui alcançar.

E eu aqui, náufrago nesse mar de fracassos, fico agarrado pouco que consegui, para que eu não afunde. É isso apenas o que sei fazer. Ninguém ensina como proceder quando alcançamos nossos objetivos. O óbvio é criar novos, ok. Mas e o que alcançamos, o que está na nossa mão, o que fazer?

Um propósito é, em geral, algo comum, como os exemplos os que escrevi ali em cima. Ok, prático e simples de entender. Nem tão fácil de chagar lá. E muitas vezes difícil de manter. As dificuldades vem. Nunca vejo ninguém falando dos problemas pós-meta alcançada, só dos percalços para chegar lá.

A pessoa vai e encontra o amor da sua vida. Este alguém, entretanto, é, como todo ser humanos, cheio de falhas. São coisas que deixam um sentimento ruim. E aí, o que fazer? Tem que engolir tudo e se conformar por que é o amor da vida ou justamente o contrário pelo mesmo motivo?

E o cidadão que se matou estuando para entrar na faculdade de medicina, mas descobriu que, apesar desse ser seu objetivo de vida, o que precisa mesmo para ser feliz é fazer teatro? Vamos além. Digamos que essa pessoa largou tudo para fazer teatro. E aí? O que fazer depois disso? Melhor: o que fazer com isso?

Talvez eu apenas tenha tido tudo sempre muito fácil na minha vida e não sei valorizar/aproveitar as coisas que conquistei com meu próprio esforço. O fato que tenho em mão é: não sei o que fazer com os poucos objetivos de vida que tinha e alcancei. O melhor que consigo é criar novos em cima deles, porém não sei muito bem como segurar o que tenho para que os próximos não se tornem mais frustrações.

Sinceramente, não quero acreditar que só eu seja assim tão perdido e sem jeito para lidar com a vida da forma como ela foi sendo montada e organizada ao longo da existência da humanidade. Entre sete bilhões de pessoas não posso ser o único que fica perdido por completo ao alcançar um (ou fracassar em um) plano de vida.

Desesperança é o sentimento que rege meus pensamentos de futuro. Justamente porque quando eu chegar lá (onde quer que seja) não vou saber o que fazer. Porque certamente nada vai ser do jeito que pensei que seria quando coloquei como meta. Maior ainda é a desesperança se não tiver nada em mente para daqui pra frente. E a vida não espera a gente conseguir se organizar. Então vou eu seguindo ao trancos e barrancos, decepções e desilusões, frustrações e recalques, apatia e tédio.

quinta-feira, 12 de junho de 2014

Da Maturidade



Quando que estamos "maduros"? Em que momento da vida ficamos prontos para tomar decisões? Pessoas não são comida, não somos frutos que estão ali na árvore. Não existe um momento, um dia em que do nada deixamos de estar verdes (ainda não entendo como as pessoas sabem quando colher pimentão verde, maçã verde e afins...). Sinceramente, não consigo crer que o aparecimento de um dente (no caso, quatro) seja algo que tenha a ver com efetivamente estar maduro.

Ainda assim, quando as pessoas chegam a uma determinada idade, a sociedade passa a cobrar que ela se porte de determinada forma, que reaja dentro de um padrão, que tenha opinião e conhecimento sobre determinados assuntos, até mesmo que pense dentro de um leque (extenso, verdade) de opções. E ai de ti que fiquei um milímetro além das linhas que limitam e definem o que é maturidade.

Chega um aniversário ou nasce um dos sisos e as pessoas passam a esperar que a partir daquela data, como terá agora determinada idade, do nada tua cabeça esteja pronta. Da noite para o dia tu TEM QUE lidar de boca fechada e maestria com um série de coisas que ou tu nunca encarou antes ou simplesmente tu resolvia de outra forma. Mas esta outra forma não é mais aceitável, pois tu já tem X anos.

A vida, quando os outros resolvem que tu já tem maturidade, passa a ser policiada por uma série de protocolos sem sentido. E dizer que tu ainda não se sente preparado para enfrentar a isso tudo faz com que sejamos apenas tachados de infantis e com "síndrome de Peter Pan". Não! Apenas vamos com calma com essa coisa toda! Por muito tempo a vida foi de uma forma para que um belo dia tudo mude e consigamos nos adaptar.

Mas se tem algo que já observei em diversas pessoas ditas maduras é que em determinados momentos não (muito) públicos há fugidas desse protocolo que a sociedade nos cobra. E são momentos em que vejo nesses seres humanos uma verdadeira felicidade ou uma leveza de existir ou  mesmo uma genuína irritação. 

Talvez nenhum de nós efetivamente cresça, talvez nós só tenhamos aprendido a nos comportamos em público.



Deixar sentimentos e espontaneidade de lado, e se encaixar num padrão de ação e reação - talvez amadurecer signifique isso e eu apenas que ainda não amadurecei para perceber. Apesar do siso que desponta ao poucos de forma indolor e delicada no fundo esquerdo da minha boca.

Mas então como se apaixonar por alguém de verdade? Em um momento devaneio agora me vem que essa pode ser a causa de tantos divórcios, separações, relações falidas e frustrações sentimentais: esperamos que o outro seja perfeitamente maduro para lidar com nossas falhas e erros, quando bem a verdade é que ninguém é verdadeiramente amadurecido, apenas disciplinado. E é impossível manter uma imagem de que somos o que não somos o tempo todo e muito menos quando entram sentimentos no meio.