terça-feira, 30 de setembro de 2014

O Não-Encontro



Não conhecia verdadeiramente o futebol americano até pouco tempo atrás. Devido a um trabalho da faculdade acabei me inteirando de como funciona o jogo. Hoje estou completmente encantado. Finalmente um esporte que eu gosto!

Mas calma! este não é um post sobre esporte, mas sobre um encontro. Ou um não-encontro que tive.

Alguns anos eu ouvi falar da existência do Porto Alegre Pumpkins, um time de futebol americano daqui da cidade. Não dei muita bola. Até que surgiu esse tal trabalho de aula e lembrei novamente da existência deles. Como o site deles estava muito desatualizado, descobri (e farei minha atividade sobre) o Porto Alegre Bulls - ou São José Bulls, realmente não entendi ainda qual é a do nome...

Tendo me tornado da noite para o dia um torcedor dos Bulls, entrei de cabeça no universo do futebol. Descobri, então, que os Bulls participam do Torneio Touchdown. E o melhor: haveria jogo ali na PUCRS! Sábado, dia 27, às 14 horas, entrada gratuita.

Fiquei contente a ansioso. Nunca havia efetivamente assistido uma partida entendendo o que se passava em campo. Na hora em que vi ficou certo na minha cabeça que ia. Mais: que ia acompanhado. Imediatamente tirei uma foto da imagem com dia, hora e local e coloquei como um momento do Tinder. E esperei. E esperei. E esperei. Então, um like. Um like de uma pessoa que não tem foto do seu rosto no perfil e nunca falamos nada. Logo, não foi algo válido. Seguia sem companhia.

As 24 horas que uma foto fica a disposição no Tinder se aproximavam do final e eu amargava a solidão. Quando veio mais um like! De uma pessoa em Caxias do Sul. Verdadeira desesperado, já planejava o discurso que usaria para convidar o cara bonitão que eu ainda sonho sair com. Mas quis o destino que antes de qualquer coisa, viesse mais um like.

Segundo o aplicativo, Calixto (mais um nome ficctício) tem 22 anos e mora bem perto da minha casa. Forte, alto e absrudamente bonito. E ainda tem aquela carcterística física que me atraí de forma inegável: um nariz comprido. Cheguei perto, admito, de quase estar apaixonado. Mas contreolei-me, afinal, nunca nos falamos.

Calixto não ficou apenas no like da imagem. Mostrando ser um rapaz de coragem, perguntou se eu já tinha escolhido alguém para ir comigo. Respondi que se ele estivesse livre, poderíamos ir. Então ficou combinado de encontrarmo-nos no Estádio da Puc às 13:30. Isto foi acertado na quinta-feira. Ainda neste mesmo dia, passei via app me celular, mas Calixto não estava mais online.

Passei os últimos dias da minha semana planejando como seria meu sábado, pois estar na Puc no horário combinado era imprenscindível para mim. Volta e meia dava uma olhada no Tinder para ver se ele comentava algo sobre nosso combinado ou colocava seu número também. Mas a última vez que Calixto ficou online foi na hora do nosso bate papo.

Chegou o grande dia e eu estava tranquilo. Levantei cedo até, assisti televisão, tomei banho, caminhei com o cachorro, enfim, tudo o que uma pessoa faz geralmente aos sábados pela manhã. Quando o relógio marcou 13 horas em ponto, sai de casa. Precisamente às 13:30, eu entrava no Estádio da Puc. O jogo começou com dez minutos de atraso. As arquibancadas estavam cheias. Mas Calixto não estava em lugar algum.

Três horas depois, R$ 60 a menos (comprei uma camiseta para mim e uma para meu irmão menor), um pouco mais gordo pelo hambúrger que comi e 68 pontos contra os Bulls (que só fez 3), o jogo terminou. E a última vez que Calixto esteve online seguia sendo na quinta-feira. Estava chateado, admito. As compras me alegraram um pouco, mas ainda assim havia aquela dor por ter levado o bolo e ter visto meu novo time perder.

O destino, entretanto, me deu um prêmio consolação. Via outro aplicativo, o Brother de Boa perguntou se eu estava pela Puc, se estava ocupado... Foi divertido. Rápido e divertido.

Voltei para casa tranquilo. Feliz até, tirei um auto retrato (vulgo selfie) com minha camisa dos Bulls. Usei a imagem como nova foto do Facebook, coloquei no Instagram e, claro, no Tinder. Meu celular grita horas depois. Notificação de like no Tinder. Calixto curtiu a foto. Nenhuma palavra dita sobre o bolo dado. Nenhuma palavra dita sobre nada, na verdade. Apenas uma curtida.

Desculpa Calixto, mas like não equivale a desculpas. Se é que ele considera isso como um ato de pedido de perdão... A dúvida que fica para mim é: o que leva uma pessoa a não aparecer a um encontro? Quero dizer, é tão complicado assim simplesmente aparecer ali no app e falar "ei, não vou poder ir"? É algo tão simples e educado. Sem falar que garante futuras saídas juntos. Se Calixto vier falar comigo, pedindo desculpas pelo bolo, perdoo a ele sem problema algum, só vou querer saber qual o motivo dele ter me deixado sozinho, no frio, cercado de gente que nunca vi na vida...

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