segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

São Paulo



"Vá sem expectativas" me disse meu professor quando falei com ele sobre minha sede de fugir de Porto Alegre para São Paulo. Um desejo que pulsava dentro de mim desde pequeno e que, por algum tempo, ficou meio quieto. Ao começar a fazer jornalismo, ele gritou. E está se tronou basicamente minha única meta de vida (tive outras tantas no caminho que abandonei com a mesma velocidade que as adquiri). Então, com um diploma na mão, fiz minhas malas e vim para São Paulo.

Foi uma semana de preparação. Primeiro, o que desencadeou tudo, um pente fino nos grupos de dividir apartamento do Facebook. Em poucos scrolls achei uma vaga muita boa. Logo, outra e mais outra. Aí veio a parte mais difícil: falar com a minha mãe sobre mudar de estado. Ela passou por todas as fases do luto com essa ideia (negação, raiva, negociação, depressão e aceitação - na verdade, está entre a quatro e a última...). Lágrimas e muitas conversas depois, foi comprada a passagem só de ida. 

A busca pela moradia perfeita seguiu. Com o apoio que ela passou a me dar, mais e mais vagas bem localizadas com um preço bom foram aparecendo. Até mesmo uma senhorinha que aluga quartos de seu apartamento a preços módicos e promete tomar conta de nós. Desta forma pisei na terra da garoa com oito endereços para conhecer e duas noites reservadas num hostel.

A dica de ficar no hostel veio do meu irmão. Ele, sabiamente, me disse "não inventa de fazer depósito daqui para alguém lá, porque não terá garantia alguma. Vai e fica num lugar barato, marca de visitar os apartamentos e aí sim aluga". E foi o que fiz. Neste momento escrevo da minha cama no Bee.W, um simpático, barato e limpo, perto da amada Avenida Paulista, região onde vi as vagas.

Minha vinda foi levemente conturbada. O voo era às 14:30. Mas alguém da Gol resolveu adiantar as coisas, de modo que não consegui despachar minha mala nem dar o último beijo na minha mãe, irmão e Harvey Dent (eles me deixaram na porta do aeroporto e foram estacionar). Fui correndo, me sentindo humilhado por ser chamado no sistema de som do Salgado Filho para o embarque. Cheguei na cidade grande 20 minutos antes do previsto graças a essa palhaçada da empresa.

Descendo em Congonhas, abri o Uber para chamar meu transporte. Surpresa! Eles não atendem aquele aeroporto. Tudo bem, é pela segurança dos motoristas, mas fiquei chateado ainda assim. Acabei num táxi vermelho e branco com um motorista praticamente mudo.

Enquanto ele dirigia pela avenida que não tenho ideia do nome até a rua Haddock Lobo naquele trânsito intenso, porém fluído da capital, um sentimento de completude encheu meu peito. Estava em casa. São Paulo tem tudo para ser meu lar.

Táxi pago (R$ 45 😞) e check-in feito, foi hora de por o pé na rua. Um latte no Starbucks para matar a fome e jornada pelas operadoras de telefone para comprar um número ddd 11. Por muito acaso entrei numa loja da Tim, que tinha uma super promoção só pelo dia de hoje. Não preciso nem dizer que não resisti e peguei o chip deles. O antigo 51? Foi para um clássico Motorola V3 Black - que só funciona na função alto falante...) e se tronou pré-pago - foram 35 minutos na linha com a Claro para que fosse feito o procedimento. Se me perguntarem, a sensação era de que a moça queria que eu desistisse da mudança, afinal pagava R$ 228,50/mês.

Todas essas funções feitas, volto para meu quarto compartilhado e confirmo as visitas aos apartamentos. Um já foi locado, mas se eu quiser me hospedar lá, posso (???). Os outros estou ajeitando. E finalmente chegou um esperado momento: pintar o segundo olho do meu Daruma. Entre uma visita e outro, devo passar num templo budista para doa-lo.

Como disse a uma amiga minha que me deu indicações de trabalho (assim que tiver um quarto, começo essa busca), estou com um inenarrável sentimento de que tudo vai dar certo nesta cidade para mim. Não sei se é ingenuidade ou intuição, entretanto simplesmente sei que tudo vai ser ótimo. Seria isso uma expectativa? Talvez. Porém, não é de nada palpável, como querer um trabalho nas Edições Globo Condé Nast - para onde envio currículo todos os dias, literalmente. Estou aqui e tudo vai se ajeitar, sei disto. O Segredo me ensinou isto.


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